Quando James Cameron lançou “O Exterminador do Futuro”, em 1984, a história do cinema de ficção científica mudou para sempre. O jovem roteirista havia concebido uma história inovadora, na qual um ciborgue do futuro voltava ao nosso presente com o objetivo de assassinar a futura mãe do líder da rebelião contra as máquinas. A partir desse longa-metragem, iniciou-se uma saga altamente lucrativa de filmes (e séries de televisão, videogames, etc.), que continua até os dias de hoje e nunca deixou de prenunciar fenômenos tecnológicos cada vez mais próximos. Mas, agora, James Cameron quer escrever um novo filme da franquia e enfrenta um obstáculo aparentemente intransponível.
Em uma conversa com a jornalista Christiane Amanpour, James Cameron confessou: “Cheguei a um ponto em que está sendo difícil escrever ficção científica. Recebi a tarefa de escrever uma nova história do ‘Exterminador do Futuro’, mas não consegui ir muito longe porque não sei o que dizer que não seja superado pela própria realidade.”
O diretor diz que algumas de suas previsões se concretizaram, mas agora os avanços tecnológicos estão a frente daqueles propostos na fantasia. Mais adiante, Cameron acrescenta: “Vivemos atualmente na era da ficção científica. E a única saída é usar nossa inteligência, nossa curiosidade e nossa tecnologia, sem deixar de compreender verdadeiramente os cenários difíceis que enfrentamos.”
Considerando os comentários do diretor, é quase certo que o próximo “Exterminador do Futuro” ainda esteja a vários anos de distância. Ainda mais considerando os vários projetos no horizonte do diretor. O principal deles é a terceira parte de “Avatar”, prevista para dezembro. Se o filme for um sucesso, Cameron já manifestou interesse em a quarto e a quinta partes da saga. Em suma, fica claro que o mundo de Pandora, sua ecologia e sua comunhão com a natureza são mais atraentes para Cameron do que o futuro tecnológico sombrio de “Exterminador do Futuro” ou, pior ainda, do planeta Terra.
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Outro projeto do diretor é a adaptação do romance “Ghosts of Hiroshima”, publicado em agosto deste ano nos EUA. O autor do livro, Charles Pellegrino, tem outro romance que também se concentra no mesmo período histórico, chamado “Last train to Hiroshima”. Cameron pretende combinar os dois livros e transformá-los em um único longa-metragem.
O romance é baseado na história de um homem que, após escapar do bombardeio atômico, embarca em um trem para Nagasaki. Lá, ele escapa do segundo bombardeio e sobrevive aos dois ataques.
“Este é um assunto sobre o qual quero fazer um filme, e um assunto com o qual venho lutando há vários anos”, disse Cameron, em entrevista ao “Deadline”. “Conheci um sobrevivente de Hiroshima e Nagasaki, um homem chamado Tsutomu Yamaguchi, pouco antes de morrer. Ele me deixou o legado de sua história, então tenho que fazer isso. Não posso virar as costas para ele.”