
A 52ª edição da Maratona de Berlim, na Alemanha, neste domingo (27), foi marcada pelos atletas etíopes, tanto no feminino como no masculino. Os vencedores que subiram ao lugar mais alto do pódio já o haviam ocupado em anos anteriores. O destaque ficou com Tigst Assefa, que buscava bater o recorde mundial, mas foi prejudicada por uma lesão nos últimos três quilômetros, ainda assim conquistando a medalha pela terceira vez nesta competição. Já Guye Adola liderou os homens, com sua segunda vitória nesta maratona após cinco anos.
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A vitória de Tigst Assefa foi dramática por conta de uma lesão. A vice-campeã olímpica em 2024 e mundial em 2025, venceu com o tempo de 2 horas, 11 minutos e 4 segundos, ficando muito perto do recorde mundial, prejudicada por uma lesão na perna direita nos últimos três quilômetros. Embora estivesse com uma vantagem de cerca de vinte segundos em relação ao recorde mundial da queniana Ruth Chepngetich — estabelecido na Maratona de Chicago em outubro de 2024 com o tempo de 2:09:56 —, a etíope perdeu ritmo na reta final.
Tigst Assefa, de 29 anos, registrou a terceira melhor marca da história na distância de 42,195 quilômetros para triunfar em uma prova que já havia vencido em 2022 e 2023.
Ela cruzou a linha de chegada, sob o Portão de Brandemburgo, mancando. A atleta deixou a área de chegada apoiando com dificuldade o pé direito no chão, auxiliada especialmente por seu compatriota Haile Gebrselassie — lenda da maratona, ex-recordista mundial e vencedor em Berlim por quatro vezes entre 2006 e 2009.
A etíope Tigst Assefa (ao centro) recebe ajuda para sair da pista, em decorrência de uma lesão, após cruzar a linha de chegada e vencer a prova feminina da 52ª Maratona de Berlim, Alemanha, em 27 de setembro de 2026
John MacDougall / AFP
A etíope não participou da cerimônia de pódio, pois estava recebendo atendimento médico no momento da entrega dos troféus. Acompanhada por seu “coelho” (marcador de ritmo), Assefa correu os quilômetros finais demonstrando dor, mesmo quando ainda mantinha uma vantagem de 11 segundos sobre o tempo de passagem de Chepngetich no quilômetro 40.
Em vários momentos, ela fez movimentos de alongamento durante a corrida para tentar aliviar a dor. Apesar da lesão, ela melhorou em cerca de cinquenta segundos o seu recorde pessoal, que havia sido estabelecido três anos antes com o tempo de 2h11:53. Naquele momento, ela foi a primeira a correr uma maratona abaixo de 2h12. Desde então, outras duas atletas foram mais rápidas: Chepngetich, em Chicago, em 2024, e a etíope Fotyen Tesfay, com 2h10:51, em 15 de março de 2026, em Barcelona.
Chepngetich está atualmente suspensa por três anos, período contabilizado desde 19 de abril de 2025, devido a um teste positivo para hidroclorotiazida, um diurético proibido, realizado em 14 de março daquele ano. Os resultados da queniana anteriores a esse teste positivo, incluindo seu recorde mundial, foram mantidos.
Assefa detém o recorde mundial da maratona em uma prova exclusivamente feminina, marca alcançada em sua vitória em Londres, em abril deste ano, com o tempo de 2h15:41.
Adola repete o feito cinco anos depois
Na categoria masculina, o vencedor foi o etíope Guye Adola, que completou os 42,195 quilômetros pelas ruas da capital alemã em 2 horas, 2 minutos e 50 segundos, superando sua melhor marca pessoal em mais de um minuto. Já vencedor em Berlim no final de setembro de 2021 (2h05:45), Adola, de 35 anos, superou seu compatriota Gemechu Dida (2h03:19) e o tanzaniano David Geay (2h03:59).
— Meu objetivo era me conter um pouco e observar o que os pacers [atletas que ditam o ritmo] faziam para saber exatamente o que estava acontecendo, e isso funcionou muito bem — disse Adola à emissora alemã RTL.
— Adoro Berlim, de verdade. Adoro voltar aqui e é muito provável que eu volte novamente — acrescentou.
Com a marca de 2h02:50, Adola ficou a mais de um minuto e meio do recorde da Maratona de Berlim, que pertence à lenda queniana da modalidade Eliud Kipchoge, com 2h01:09, estabelecido no final de 2023.