Um juiz argentino acusou formalmente nesta terça-feira duas ex-funcionárias de órgãos encarregados de controlar medicamentos por sua suposta participação no caso do fentanil clínico contaminado que circulou em hospitais em 2025 e foi vinculado a pelo menos 90 mortos e 44 pacientes lesionados.
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A tragédia sanitária é considerada pela imprensa argentina como a mais importante dos últimos 100 anos, superada apenas pela pandemia de covid-19.
O caso veio à tona em maio do ano passado, quando um hospital em La Plata, 50 km ao sul de Buenos Aires, detectou as mesmas bactérias em ampolas de fentanil e em pacientes infectados.
As processadas são Nélida Bisio, que dirigia a Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica (Anmat) durante a crise, e Gabriela Mantecón Fumadó, ex-titular do instituto de medicamentos dependente da Anmat.
Ambas foram apontadas como “partícipes necessárias” na adulteração do fentanil, segundo uma resolução do juiz federal Ernesto Kreplak. O magistrado considerou que as ex-funcionárias de 71 e 56 anos, respectivamente, estavam a par das “irregularidades significativas” da HLB Pharma e dos Laboratórios Ramallo, responsáveis por fabricar e comercializar o medicamento.
— Não obstante, decidiram não adotar as medidas que estavam regulamentarmente compelidas a tomar. Assim, o fentanil adulterado foi comercializado — assinalou Kreplak na decisão obtida pela AFP.
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Treze empresários e responsáveis de ambos os laboratórios já foram processados na causa. Com a decisão desta terça-feira, a investigação avança pela primeira vez sobre ex-autoridades encarregadas da “vigilância e controle” de produtos medicinais, aponta a resolução.
Kreplak determinou ainda embargos de 500 bilhões de pesos para cada uma (cerca de R$ 1,7 bilhão) e ordenou que permaneçam em liberdade enquanto o processo avança. Mantecón Fumadó deixou seu cargo em plena crise do fentanil, em agosto de 2025; Bisio permaneceu até janeiro de 2026.
O opioide é entre 50 e 100 vezes mais potente que a morfina, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.

