O ex-jogador da National Football League (NFL) Darron Lee é acusado de pedir ajuda ao ChatGPT após a morte da namorada, em um caso de homicídio que está sendo investigado no estado do Tennessee, nos Estados Unidos. Promotores afirmam que o ex-linebacker utilizou o chatbot para pedir orientação sobre como lidar com a situação e até sobre como explicar o ocorrido às autoridades.
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As mensagens foram apresentadas durante uma audiência preliminar do processo. Segundo a promotoria à emissora americana WCTV, Lee, de 31 anos, manteve diversas conversas com a ferramenta de inteligência artificial em um intervalo de dois dias. A promotora distrital Coty Wamp disse ao tribunal que Lee usou a inteligência artificial como um “consultor jurídico”.
— Ele teve conversas, dezenas de conversas, de ida e volta com o ChatGPT ao longo de dois dias sobre o que fez com Gabriella Perpetua em detalhes — afirmou Wamp.
De acordo com os investigadores, entre os textos mostrados em tribunal estavam perguntas sobre o que fazer quando uma pessoa está inconsciente e como descrever o episódio sem se incriminar. Em uma das mensagens exibidas, Lee teria escrito que a companheira “não está acordando ou respondendo” e perguntou o que deveria fazer.
— Não sei o que fazer agora. Minha noiva fez aquela coisa maluca de novo e agora está machucada. Acordei e ela está com os dois olhos inchados (eu não fiz nada, foi auto-infligido). Ela se esfaqueou, cortou o olho? Não sei, mas ela não está acordando nem respondendo. O que eu faço? — perguntou ao ChatGPT.
A vítima é Gabriella Carvalho Perpétuo, filha de brasileiros e nascida nos Estados Unidos, encontrada morta em 5 de fevereiro na casa do casal em Ooltewah, no Tennessee. Inicialmente, Lee afirmou aos policiais que acreditava que a namorada pudesse ter se ferido após cair no chuveiro. No entanto, a investigação indicou sinais de luta no local e ferimentos incompatíveis com um acidente. Exames apontaram que a mulher sofreu múltiplas lesões, incluindo traumatismo craniano e outros ferimentos graves, como “trauma cerebral, pescoço quebrado, hematomas pelo corpo e marcas de mordida no pescoço e na coxa, além de ferimentos por faca nas pernas e trauma facial significativo”.
Promotores também exibiram imagens de câmeras corporais da polícia nas quais Lee afirma ter chamado o serviço de emergência após perceber que a namorada não respondia. Apesar da versão apresentada pelo ex-atleta, a promotoria sustenta que as evidências indicam um episódio de violência.
Segundo a investigação, Gabriella foi encontrada caída no chão, deitada de costas, vestindo calça, mas sem blusa. Segundo ele, o micro-ondas da residência estava quebrado, e havia vidros e garrafas de álcool espalhados pelo local. No andar superior, os investigadores encontraram produtos de limpeza. A polícia também localizou o passaporte do ex-atleta dentro de um carro na garagem, guardado em uma bolsa com roupas e outros pertences pessoais.
Familiares da vítima arrecadaram US$ 62 mil (cerca de R$ 320 mil) em uma vaquinha on-line para cobrir as despesas do funeral da jovem e o transporte do corpo para a Flórida, estado onde vivem os pais Monique e Nilson.
Escolhido no primeiro round do draft de 2016 pelo New York Jets, Lee também passou por equipes como Kansas City Chiefs e Buffalo Bills ao longo da carreira. Ele foi preso e responde por homicídio em primeiro grau e adulteração de provas. Após a audiência, a Justiça determinou que o caso siga para análise de um grande júri. Lee permanece detido sem direito a fiança enquanto o processo avança.

