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Os grupos paramilitares surgiram na Colômbia na década de 1980 para combater as guerrilhas marxistas.
Considerado um dos políticos mais influentes da Colômbia, Uribe afirmou em julgamento no ano passado sentir uma “dor na alma” por ser o primeiro ex-presidente a ter que se defender na Justiça. E alegou ser vítima de uma “conspiração idealizada por juízes e opositores que usaram interceptações [telefônicas] ilegais” para obter provas contra ele.
O ex-presidente responde agora, curiosamente, a uma denúncia que inicialmente ele mesmo apresentou, mas que depois se voltou contra ele. Em 2012, Uribe, na época senador, apresentou denúncia contra o congressista de esquerda Iván Cepeda, a quem acusou de procurar testemunhos falsos para vinculá-lo aos paramilitares que travaram uma guerra violenta contra as guerrilhas de esquerda entre os anos 1990 e o início dos anos 2000. A Suprema Corte, no entanto, rejeitou o processo contra Cepeda, e, em 2018, começou a investigar o ex-presidente por suspeitas de que foi Uribe quem, na realidade, tentmra anipular testemunhas.
Uribe acusou Cepeda de procurar ex-paramilitares presos para que estes o relacionassem aos esquadrões de extrema-direita responsáveis por centenas de massacres. Em agosto de 2020, os juízes ordenaram a prisão domiciliar do ex-presidente, argumentando que, em liberdade, Uribe poderia prejudicar a investigação. Uribe renunciou à sua cadeira no Senado e o caso passou para um tribunal de primeira instância, que revogou a ordem de detenção e reiniciou todo o processo.
O ex-procurador-geral Eduardo Montealegre (2012-2016) e seu vice Jorge Perdomo também teriam sido alvos de uma armação idealizada por Uribe, segundo a tese da Procuradoria. Com ajuda do advogado Diego Cadena, o ex-presidente teria oferecido benefícios a paramilitares presos para que denunciassem os então procuradores por supostas ofertas de benefícios para que testemunhassem contra Uribe.
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Durante seus mandatos de presidente, Uribe gozou de imensa popularidade, especialmente pela política de linha dura com a qual seu governo buscou enfraquecer as guerrilhas. Porém, sua imagem foi abalada por vários escândalos e processos judiciais.
Em novembro de 2023, o ex-presidente prestou depoimento em uma investigação preliminar por seu suposto conhecimento prévio de um massacre e do assassinato de um ativista dos direitos humanos, como indicava o depoimento do ex-chefe paramilitar Salvatore Mancuso.
Ele também foi denunciado em um tribunal argentino por sua suposta responsabilidade em mais de 6 mil execuções e desaparecimentos forçados de civis cometidos entre 2002 e 2008, durante seu governo, no caso conhecido como “Falsos Positivos”.