O ex-presidente cubano Raúl Castro, de 95 anos, que não era visto em público há vários meses, reapareceu em um evento realizado em Havana para celebrar os 100 anos que seu irmão, Fidel Castro, completaria nesta quinta-feira (13).
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Vestido com seu uniforme verde-oliva, Raúl, indiciado em maio pela Justiça americana, foi ovacionado ao entrar no Teatro Karl Marx. Também participaram da cerimônia o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, e a cúpula do governista Partido Comunista.
Raúl Castro ocupou um assento ao lado da viúva de Fidel, Dalia Soto del Valle, que raramente aparece em atos públicos.
Uma imagem de Fidel Castro é projetada no evento em comemoração ao centenário de Fidel Castro realizado no Teatro Karl Marx, em Havana
YAMIL LAGE/AFP
Embora não ocupe nenhum cargo oficial nem no governo, nem no Partido Comunista, Raúl mantém um papel importante nas decisões políticas e tem a lealdade das forças armadas.
Em junho, a Presidência de Cuba informou, em sua conta no X, que o ex-presidente cubano tinha dado seu aval a um pacote de reformas econômicas para fazer frente à crise econômica na ilha, sob ameaça de Washington.
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Essas medidas representam a maior mudança de modelo desde que Cuba adotou o comunismo, há quase 70 anos.
A última aparição pública de Raúl Castro tinha ocorrido nas celebrações do 1º de maio, em frente à embaixada dos Estados Unidos em Havana, onde foi visto com aparente fragilidade. Ele apareceu em seguida na televisão estatal durante dois atos em junho.
O irmão mais novo de Fidel Castro foi indiciado, em maio, em Miami, pela morte de quatro americanos na derrubada de dois aviões de pequeno porte de um grupo anti-Castro, em 1996. Na época, Raúl era ministro da Defesa.
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No “ato político cultural pelo centenário do Comandante-em-Chefe”, participou o grupo de teatro infantil La Colmenita, na companhia do qual Fidel Castro costumava comemorar seus aniversários.
Quase ao final da apresentação, Raúl se levantou do assento e, visivelmente incomodado, instou com gestos aos presentes no teatro que ficassem de pé e aplaudissem a atuação das crianças.
Também participaram do ato cientistas, expoentes do esporte e outros cubanos que mantiveram uma relação especial com Fidel Castro, entre eles Elián González, que quando criança se tornou um símbolo da disputa entre Washington e Havana ao ser resgatado após o naufrágio do barco em que viajava com a família tentando chegar à Flórida.
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As medidas de segurança adotadas pelos organizadores impediram que jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas deixassem o local onde foram posicionados inicialmente.
Na quarta-feira, como parte das atividades por ocasião do centenário, foram apresentadas as “Obras Escolhidas de Fidel Castro”, em 23 volumes, com prólogo de Raúl Castro.
Ameaça de Trump
O governo do presidente americano, Donald Trump, aplica uma política de “pressão máxima” sobre Cuba, em particular desde a deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro, até então um aliado de Havana, em uma ação militar americana em janeiro.
Além do bloqueio de petróleo contra Cuba instituído pelo governo Trump — que somado ao bloqueio econômico em vigor desde 1962 originou uma das mais graves crises econômicas e energéticas já enfrentadas pela ilha —, o presidente americano mobilizou nos últimos meses uma ofensiva de sanções contra dirigentes, empresas e instituições do país.
Trump afirma que Cuba, situada a 150 km da costa da Flórida, representa “uma ameaça extraordinária” para a segurança nacional dos Estados Unidos e ameaçou em várias ocasiões “tomar o controle” do país.
Diante de jornalistas em viagem ao Panamá, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o governo dos EUA tem todas as opções sobre a mesa para usar contra Cuba:
Em relação a Cuba, “todas as opções estão sobre a mesa, inclusive as militares (…), e certamente não representam nenhum rival para os Estados Unidos”, disse Hegseth a jornalistas, na quarta-feira.

