O ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco dos Brics, Marcos Troyjo, tem ganhado espaço entre os interlocutores ouvidos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na formulação de propostas para a área econômica. Embora não participe formalmente da pré-campanha presidencial nem seja cotado, neste momento, para ocupar um cargo em um eventual governo, o economista se tornou uma das vozes consultadas pelo pré-candidato em temas ligados à economia internacional, comércio exterior e estratégias de crescimento.
O economista integra uma lista de pessoas que vêm sendo ouvidas por Flávio para compor sua agenda para um eventual governo nas mais diversas vertentes da área. Na segunda-feira, por exemplo, Flávio confirmou a participação da economista Daniella Marques na elaboração de propostas para a área econômica.
Segundo interlocutores próximos ao senador, além da colaboradora, Flávio admira Troyjo e acompanha suas análises. Auxiliares do pré-candidato afirmam que o economista reúne atributos valorizados pelo senador, como experiência internacional, trânsito no mercado e conhecimento sobre comércio exterior.
Empresário, cientista político, diplomata e economista, Troyjo integrou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, então comandado por Paulo Guedes. Em 2020, foi indicado para assumir o comando do Banco dos Brics, cargo que ocupou até 2023.
Segundo aliados, as conversas entre Flávio e Troyjo costumam girar em torno de temas ligados à inserção internacional do Brasil, ao ambiente de negócios e às perspectivas de crescimento econômico. O senador vem discutindo essas questões enquanto estrutura seu programa de governo e busca ampliar o diálogo com setores do mercado financeiro e do empresariado, embora não planeje divulgar tão cedo suas propostas definitivas para a área.
Os mesmos interlocutores afirmam que o economista considera que o foco do debate político, neste momento, deve estar na formulação de ideias para um futuro governo, e não na discussão sobre cargos ou composição de equipes.
Apesar da proximidade, Troyjo não integra a estrutura formal da pré-campanha de Flávio, e também mantém diálogo com outros atores políticos da direita, como Romeu Zema e Ronaldo Caiado.
Já a ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Bolsonaro Daniella Marques passou a atuar mais diretamente na construção do programa do senador.
— Ela está perto de nós aqui na campanha e vai me ajudar nessa parte econômica, mas, principalmente, na pauta de responsabilidade social — disse durante o Fórum “Rumos do Brasil”, da Veja: — Com a experiência que ela teve na Caixa Econômica e com programas específicos para as mulheres empreendedoras, ela mostrou como é possível, com o uso de tecnologia, boa vontade e boas políticas públicas, estender a mão para aquelas pessoas que querem caminhar com as próprias pernas e empreender, mas não sabem como — completou.
O anúncio de Daniella ocorre poucos dias depois de ela pedir para se afastar até outubro do seu cargo na Legends Capital para focar apenas na pré-campanha de Flávio. Isso também se dá na esteira de uma tentativa do senador de reforçar seu discurso de estar em busca de mulheres para compor um eventual governo, como já fez em outras ocasiões ao defender uma vice para sua chapa presidencial.
Em evento para um público formado majoritariamente por mulheres na semana passada, Flávio chamou Daniella ao palco no momento de sua fala. Após ser aplaudida pelos presentes, ela discursou sobre independência financeira feminina.
Outro nome consultado por Flávio para a mesma área é o do economista Adolfo Sachsida, ex-secretário de Política Econômica e ex-ministro de Minas e Energia do governo Bolsonaro. Procurado, ele diz que não faz parte da pré-campanha.
A aproximação com economistas e nomes do mercado também acontece num momento em que a candidatura de Flávio ainda busca conquistar maior adesão na Faria Lima. Segundo interlocutores do setor financeiro, embora o bolsonarismo mantenha influência entre investidores e empresários, a campanha do senador não tem despertado o mesmo nível de entusiasmo observado em outras disputas.
Parte desse grupo ainda acompanha com expectativa os movimentos nas pesquisas de ditos candidatos da “terceira via”, principalmente o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que segue sendo visto por setores do mercado como uma possível alternativa de oposição ao governo Lula caso consiga viabilizar uma candidatura competitiva.
Propostas para a economia
Embora o senador e sua equipe venham mantendo discrição sobre o que planejam apresentar no plano de governo, inclusive no âmbito econômico, Flávio vem soltando “spoilers” durante discursos em eventos do que pretende implementar em um eventual governo.
Uma das promessas que tem sido feita é a suspensão por um ano da entrada em vigor da reforma tributária. A ideia consiste em suspender por um ano a entrada em vigor do novo sistema para rever o desenho do IVA, recalibrar regimes especiais e rediscutir fundos criados durante a tramitação da proposta no Congresso.
Durante evento m São Paulo nesta segunda-feira, Flávio também defendeu a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e sugeriu ampliar a regra de proteção do Bolsa Família para que beneficiários do programa sigam recebendo o recurso por um período de tempo após conseguirem um emprego formal.
Pela regra atual, quando o beneficiário tem a carteira assinada, por dois anos, ele passa a receber 50% dos valores que recebia, desde que a renda por pessoa da família não ultrapasse meio salário mínimo.
— Muita gente tem um preconceito com relação a quem está no Bolsa Família, como se não quisesse trabalhar. É um erro isso. Quase 70% das pessoas que recebem o Bolsa Família trabalham informalmente. E não vão para a formalidade porque têm medo de perder o benefício. A gente tem que entender que o Bolsa Família é estabilidade para quem já passou fome” — afirmou.

