As Forças Armadas de Israel anunciaram nesta quinta-feira um bombardeio ao complexo de Taleghan, uma suposta instalação do programa nuclear iraniano na qual o Estado judeu afirma que o regime dos aiatolás estaria desenvolvendo atividades para a obtenção de armas atômicas. O anúncio veio após os militares declararem que ataques em “larga escala” estavam em curso no Irã neste 13º dia de conflito. O regime iraniano nega perseguir armas nucleares, embora autoridades internacionais tenham denunciado o enriquecimento de urânio no país a níveis acima do uso civil desde a saída unilateral dos EUA, durante o primeiro mandato de Donald Trump, do último acordo nuclear vigente.
“A Força Aérea de Israel, agindo sob orientação precisa da Inteligência Militar (Aman), atingiu um alvo adicional do programa nuclear iraniano, o complexo Taleghan, que era utilizado pelo regime para promover capacidades críticas no desenvolvimento de armas nucleares”, afirma o comunicado militar. “O local foi utilizado nos últimos anos para o desenvolvimento de explosivos avançados e para a realização de experimentos sensíveis no âmbito do projeto “Amad”, o programa secreto para o desenvolvimento de armas nucleares nos anos 2000″.
A instalação referida pelos militares israelenses como complexo Taleghan provavelmente se refere a uma instalação em Parchin, a sudeste de Teerã. O Instituto para a Ciência e Segurança Internacional, organização com sede nos EUA que tem monitorado o programa nuclear do Irã, afirmou recentemente que a República Islâmica realizava atividades militares secretas no local.
O programa nuclear iraniano, que o regime afirma ter fins pacíficos, é um dos aspectos centrais que os aliados israelenses e americanos usaram para justificar o ataque de 28 de fevereiro, referindo-se como uma ameaça existencial. Centrais nucleares já haviam sido bombardeadas em 2025, durante a Guerra de Doze dias, mas não interrompeu o programa como um todo. O destino dos quilos de urânio que o Irã enriqueceu a níveis próximos do uso bélico ainda é um ponto de preocupação internacional.
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EUA e Irã chegaram a engajar em negociações sobre o programa nuclear, embora as demandas nunca tenham se aproximado. Trump, de acordo com fontes americanas, estava buscando o encerramento das atividades nucleares iranianas, enquanto Teerã oferecia garantias de um programa para fins civis, submetido a fiscalização internacional. Washington também tentou incluir na negociação questões envolvendo o programa de mísseis e a rede de alianças regionais iranianas, o que foi rejeitado.
No início deste mês, o Exército israelense anunciou que havia atingido uma instalação nuclear subterrânea no Irã, que acusou de estar sendo usada por cientistas para desenvolver “secretamente” um componente fundamental para armas nucleares.
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“A inteligência das FDI continuou a acompanhar as atividades dos cientistas e localizou sua nova localização (…) o que permitiu um ataque preciso”, disseram os militares na época, exibindo um mapa que mostrava a instalação na periferia leste de Teerã.
Apesar de ataques confirmados a instalações nucleares até o momento, a AIEA afirmou que “não há provas” de que a ofensiva tenha tido um “impacto radiológico”. (Com AFP)

