Pular para o conteúdo
News

Exposições ao ar livre inspiram roteiro que une arte, história e gastronomia no Centro e na Lapa

Bandeiras, fachadas e sacadas. Parece título de livro ou música de compositor mineiro. Mas não. O trinômio remete a duas exposições a céu aberto que tomam conta de cantinhos históricos da cidade a partir deste fim de semana, no contexto da Semana de Arte do Rio. Idealizadas pelo produtor de artes visuais Paulo Branquinho, as […]

Exposições ao ar livre inspiram roteiro que une arte, história e gastronomia no Centro e na Lapa


Bandeiras, fachadas e sacadas. Parece título de livro ou música de compositor mineiro. Mas não. O trinômio remete a duas exposições a céu aberto que tomam conta de cantinhos históricos da cidade a partir deste fim de semana, no contexto da Semana de Arte do Rio. Idealizadas pelo produtor de artes visuais Paulo Branquinho, as mostras reúnem trabalhos de centenas de artistas e podem servir de ponto de partida para um passeio capaz de conjugar cultura, diversão, história e pequenos achados no campo dos comes e bebes — que ninguém é de ferro.
Palácios, chorinho, forró, feira e mercadinho: qual é o charme de Laranjeiras, eleito um dos bairros mais legais do mundo
O mapa da Rua da Cerveja: Projeto inaugurado nesta quarta-feira na Rua da Carioca tem sete cervejarias; veja onde ficam
O roteiro pode ter como partida a Rua Visconde de Itaboraí, entre o CCBB e o Centro Cultural dos Correios, que, de cara, entram na lista de paradas obrigatórias do rolê. Nesse ponto começa a terceira edição do Festival de Bandeiras do Rio. Prepare o pescoço e caminhe com atenção, evitando tropeçar. A apreciação das obras de 387 artistas — a lista vai de nomes como Beatriz Milhazes, Luiz Aquila e Gonçalo Ivo a jovens criadores — exige que o visitante olhe para cima, onde estão penduradas as peças que emulam bandeirinhas de São João. A graça é que cada uma tem alma própria. Cores e histórias únicas ganham forma com diversos materiais.
— Temos bandeiras de ferro, madeira, fibra de vidro, acrílico, pano… Você passa pela rua e encontra uma diversidade enorme de materiais e linguagens. Vale tudo, menos papel e MDF, por causa da chuva — explica Branquinho.
Paulo Branquinho, produtor de artes visuais e idelizador das exposições
Marcelo Theobald
Arte, comes e bebes
A trilha das bandeiras entra pelas travessas do Tinoco e Tocantins. Deu fome, bateu sede? O Bar do Gengibre e o Cais do Oriente estão na esquina. Adiante, já na Rua do Rosário, o Sobrado da Cidade, instalado em casarão de 1865, exibe um painel que resume a história do Brasil tendo o Rio como fio condutor. No cardápio local, a polenta frita recheada de ragu de cupim e finalizada com pesto de agrião ajuda a assimilar melhor a lição.
As bandeirolas seguem até o Arco do Teles, marco dos tempos da Colônia. No caminho, uma série de galerias e afins: entre outros endereços, a Casa Proeza, a Casa Tucum e o Centro Carioca de Fotografia. Quer conferir as boas-novas da literatura? A livraria Folha Seca fica logo ali na Rua do Ouvidor. No mesmo pedaço do logradouro é possível visitar a reformada Igreja da Lapa dos Mercadores, joia do barroco e do rococó com 276 anos de história, ou se dirigir à Toca do Baiacu e encarar, com a solenidade que o momento exige, a rabada da casa. Se a visita cair num sábado, como hoje, o samba come solto a partir das 14h.
Arte perdida: mais de 500 peças sacras de igrejas do Rio estão desaparecidas, segundo Iphan
O Festival de Bandeiras do Rio foi oficialmente inaugurado na tarde de ontem. A mostra fica “pendurada” no Centro Histórico até 1º de novembro. Horas antes da abertura, jovens artistas colocavam a mão na massa para terminar de montar a exposição. No grupo, Alice Campos, de 21 anos, e Anna Gambera, de 20, estudantes da faculdade de Belas Artes da UFRJ, também preparavam suas próprias bandeiras.
— Comecei a dar monitoria de escultura em madeira na faculdade e acabei conhecendo o Paulo (Branquinho), que é amigo de um professor. Na minha bandeira tentei juntar várias coisas de que gosto muito e algo pelo qual sou completamente apaixonada, que é o mar — diz Alice, natural de São Carlos (SP) e atualmente morando na Ilha do Governador, enquanto aponta para sua obra, que mescla tecido, miçangas e conchas.
Show de luzes: Arcos da Lapa recebem iluminação especial e apresentações artísticas para abrir a Semana de Arte do Rio
A ítalo-paulista Anna fez o mesmo caminho de Alice para fincar sua bandeira na exposição.
— Acabei reutilizando um trabalho meu, uma instalação que tenho com cartas de baralho. Fiz uma pintura atrás e coloquei miçangas para trazer movimento e colorir — explica a universitária, que mora no Estácio e é frequentadora da área.
A segunda exposição idealizada por Branquinho ocupa região igualmente tradicional do Rio: a Lapa. Há dez anos, ele se instalou em um casarão na Rua Morais e Vale e ajudou a dar novos ares ao logradouro.
Pizzaria da Tijuca: a única do Rio entre as 70 melhores do mundo
— É um ponto de encontro de cariocas e turistas. Fico muito feliz com o crescimento da rua. A arte transforma, e acho que a Morais e Vale é prova viva disso. Conseguimos chamar a atenção para esse cantinho lindo e cheio de história por meio da arte — reflete o produtor, diante da casa que leva seu nome.
Da esquerda para a direita as bandeiras feitas pelos artistas Marco Figueiredo, Beatriz Milhazes e Luiz Aquila
Carmélio Dias
‘Fachadas e sacadas’
Até novembro, a Morais e Vale e parte da Rua da Lapa vão abrigar a exposição “Fachadas e sacadas”, que, como o nome sugere, reunirá intervenções temporárias de artistas na frente de casarões e sobrados.
Nas adjacências também há muito o que ver e fazer. A Rua Morais e Vale, em si, já é uma atração. Numa extremidade, o concorrido Beco do Rato cheio de balacobaco. Na outra, o bar e restaurante Jurema, com almoço executivo a preço justo até as 17h e uma surpreendente batida de coco e cupuaçu. Entre um e outro, o corredor com calçamento de paralelepípedos e o belo casario — que já abrigou gente como Manuel Bandeira, Madame Satã e, há quem diga, Chiquinha Gonzaga.
Uma virada na vida de Alvinho: menino deixa abrigo com a mãe e ganha bolsa para voltar à escola
Já na Rua da Lapa, aberta há menos de seis meses, a padaria Badó, cujo slogan é “pães e outros prazeres”, é um sucesso. Os clientes vão atrás das fornadas de pão artesanal, claro, e de outras delícias, como o rolinho de canela (R$ 16) e o folhado napolitano (R$ 18). Como se não bastasse, uma breve caminhada a partir dali, pela Rua Joaquim Silva, leva até a celebrada Escadaria Selarón.
Initial plugin text

Exposições ao ar livre inspiram roteiro que une arte, história e gastronomia no Centro e na Lapa

Autor

BRCOM