Ex-sócia da XP e criadora do quadro “Explica, Ana”, Laura Magalhães usa sua experiência no mercado financeiro para tornar o universo dos investimentos mais acessível, principalmente para iniciantes e mulheres. Hoje, ela mantém o mesmo propósito em seu canal no YouTube e nas redes sociais, explicando finanças de forma simples e estratégica.
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“O Explica, Ana nasceu da vontade de quebrar a barreira que separava o mercado financeiro das pessoas, principalmente iniciantes e mulheres. Eu queria mostrar que falar de dinheiro não precisava ser complicado e que informação é o primeiro passo para a autonomia. Influenciar nesse campo é uma responsabilidade enorme, por isso sempre priorizo conteúdo de qualidade, leve e verdadeiro”, afirma Laura ao GLOBO.
Autora do livro “Invista Depois De Ler”, Laura reforça que conhecimento é poder. “Meu principal conselho seria: comece pequeno, mas comece. Invista tempo para entender o que está fazendo, e não apenas seguir dicas sem entender o fundamento disso tudo. O investidor consciente é aquele que entende o risco e o propósito de cada decisão, e isso muda completamente o resultado no longo prazo”, orienta.
Para equilibrar a simplificação do conteúdo sem perder a profundidade técnica exigida pelo mercado financeiro, Laura explica: “Simplificar não é diminuir, é traduzir. Eu sempre penso: como eu explicaria isso para alguém que nunca ouviu falar no tema, sem perder a precisão técnica? Esse exercício de clareza é o que torna o conteúdo mais poderoso e acessível. Por isso, minha principal linha editorial nos conteúdos se chama Economia em Português. A ideia é aproximar a linguagem do mercado financeiro de todas as pessoas.”
A comunicação digital também tem papel central na democratização do conhecimento financeiro, segundo Laura.
“A comunicação digital mudou completamente a forma como o brasileiro se relaciona com o dinheiro. Antes, falar de investimentos era restrito a poucos; hoje, qualquer pessoa com um celular pode aprender a investir melhor. As redes sociais transformaram o conhecimento financeiro em algo vivo, dinâmico e acessível. Quando o conteúdo é bem feito, ele informa, empodera e aproxima as pessoas do sistema financeiro. É o conhecimento na prática, transformando o comportamento de quem antes nem se via como investidor”, comenta.
Empreendedora em tecnologia, Laura fundou a Caccao, empresa de BI que ajuda organizações a identificar oportunidades de negócios a partir de dados. “Empreender em tecnologia sendo mulher ainda exige coragem e resiliência, da mesma forma como atuar no mercado financeiro, sendo minoria. A maior barreira não é técnica, é cultural. Eu superei isso com propósito e consistência, mostrando resultado, construindo rede e abrindo espaço para outras mulheres fazerem o mesmo. Além disso, preciso mencionar que o trabalho dos meus sócios é impecável na condução da empresa, e eles também são razão de que eu me sinta à vontade como cofundadora”, destaca.
Ao falar da interseção entre inovação, negócios e propósito, Laura pontua que essas áreas caminham juntas e moldam o futuro das lideranças: “Organizações que combinam rentabilidade e impacto positivo não só prosperam, mas constroem legados. O mercado aprendeu que impacto positivo é também eficiência, e que inovação é o meio mais poderoso de alinhar os dois. Empresas que conseguem integrar esses elementos são as que ditam o ritmo da nova economia: modelos de negócio que unem competitividade, tecnologia e responsabilidade social não apenas sobrevivem, mas lideram.”
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A especialista em ESG também participou do ESG Summit Brazil 2025, reforçando o compromisso com finanças sustentáveis e impacto social.
“No ESG Summit Brazil deste ano participei de um painel sobre finanças climáticas e o papel dos ativos naturais na economia brasileira, ao lado de dois especialistas reconhecidos. Discutimos como o mercado financeiro pode acelerar a transição para uma economia de baixo carbono, canalizando capital para projetos que geram valor econômico e ambiental. Eu vejo o futuro das finanças nisso, em integrar impacto e retorno, e o Brasil tem todos os elementos para liderar essa agenda global”, avalia.
Além da atuação profissional, Laura investe tempo em ONGs e fundos filantrópicos que combatem discriminações de gênero, como Agbara, Endowment Rio e Blue like an Orange.
“Conciliar carreira e engajamento social sempre foi uma prioridade. No início, fundei uma ONG voltada à inclusão e educação de mulheres, com foco em reduzir desigualdade de gênero. Hoje, atuo de maneira mais estruturada em governança e estratégias que ampliam o impacto, mas ainda mantendo minha ocupação principal no mercado financeiro. Ainda há muito a ser feito no Brasil, especialmente em mecanismos de financiamento de longo prazo para causas sociais, mas vejo com otimismo o avanço do investimento com propósito”, acrescenta.
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Na vida pessoal, Laura mantém um relacionamento com o jogador de vôlei Bruninho. “Eu acredito que o sucesso só faz sentido quando existe equilíbrio na vida pessoal, e para nós, o segredo está no respeito pelo tempo do outro, no diálogo e na curiosidade para entender o que cada um enfrenta diariamente. Nós temos rotinas completamente diferentes e muito demandantes. No dia a dia, ele me ensina sobre disciplina, foco e presença no momento presente, e eu ensino que, mesmo na minha rotina corrida, priorizo nosso tempo de qualidade”, revela.
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Sobre o que mulheres podem aprender com sua trajetória, ela diz: “Acho que as mulheres podem aprender que ocupar espaços de decisão exige equilíbrio entre firmeza e escuta, coragem e estratégia. Autoridade é sobre demonstrar competência, consistência e visão. Na prática, isso significa escolher momentos de voz, construir credibilidade com resultados concretos e entender que liderança feminina acrescenta perspectivas únicas que transformam decisões e cultura organizacional. O aprendizado é que posicionamento autêntico gera respeito e influencia mudanças estruturais e não apenas individuais.”

