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outubro 30, 2026
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Falta de acesso pesa no cuidado do câncer de pulmão

Por · outubro 30, 2026
Falta de acesso pesa no cuidado do câncer de pulmão


O câncer de pulmão é o mais incidente e o que mais causa mortes no mundo, com 2,6 milhões de novos casos por ano, o equivalente a 13,5% de todos os diagnósticos oncológicos¹,². A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), condição progressiva que dificulta a passagem de ar pelos pulmões e reúne quadros como o enfisema e a bronquite crônica, responde por 3,4 milhões de mortes anuais³. As duas enfermidades compartilham fatores de risco como tabagismo, poluição do ar e exposição ocupacional⁴.
Apesar desse peso, essas condições recebem menos atenção política e investimentos do que o necessário⁵. É o que discute o relatório global “Addressing Inequalities in COPD and. Lung Cancer: A Framework for Action” (Enfrentando as desigualdades na DPOC e no câncer de pulmão: um plano de ação, em tradução livre)⁵, financiado pela AstraZeneca e desenvolvido por um comitê internacional de especialistas.
O documento evidencia que as desigualdades sociais, econômicas e de acesso à saúde influenciam diretamente a prevenção, o diagnóstico e o tratamento dessas doenças⁵. Isso porque populações vulnerabilizadas, a exemplo de pessoas de menor nível socioeconômico, moradores de áreas rurais e remotas e minorias étnicas, podem estar mais expostas aos fatores de risco de ambas.
— Esses pacientes encontram mais obstáculos para acessar serviços de saúde. Ou seja, acabam sofrendo uma dupla penalização — afirma o pneumologista Gustavo Prado, presidente da Aliança Brasileira de Controle do Câncer de Pulmão e representante do Brasil no comitê.
Nos países que mantêm programas de rastreamento desse tipo de câncer, o relatório identificou desigualdades no acesso e mostrou que critérios fixos de elegibilidade podem deixar de fora grupos de alto risco⁵.
É o caso de pessoas com DPOC, que têm risco significativamente maior de desenvolver câncer de pulmão, independentemente do histórico de tabagismo. Por isso, o diagnóstico de DPOC poderia servir de porta de entrada para a detecção precoce do câncer.
Ainda assim, não foi encontrado nenhum país com um fluxo em escala para encaminhar esses pacientes aos programas de rastreamento.
Ao reunir evidências epidemiológicas e apontar lacunas nos dados, o relatório oferece subsídios para que gestores e formuladores de políticas públicas construam uma saúde respiratória mais equitativa.
UM PERFIL EM MUDANÇA
O documento também chama a atenção para o recorte de gênero. Mulheres e minorias étnicas estão sub-representadas tanto nos estudos clínicos quanto nos programas de rastreamento de câncer de pulmão, e isso acontece justamente quando cresce o peso da doença entre mulheres que nunca fumaram⁵. A preocupação é que critérios definidos a partir de amostras pouco diversas deixem de fora quem não se encaixa no perfil tradicional do paciente considerado de alto risco.
Segundo Prado, há um esforço global para entender esse aumento, e a exposição à poluição e alterações genéticas estão entre as hipóteses investigadas. O relatório destaca ainda fatores além do tabagismo, como o radônio, gás radioativo de origem natural considerado a principal causa de câncer de pulmão entre não fumantes em países de alta renda.
DESAFIOS LOCAIS
No Brasil, 86% dos diagnósticos de câncer de pulmão são recebidos em estágios avançados⁶ e a mortalidade atinge cerca de 30 mil pessoas anualmente7. A demora na identificação do tumor vem acompanhada das barreiras de acesso mencionadas no relatório global.
— Temos cerca de 75% da população do país dependendo exclusivamente do Sistema Único de Saúde [SUS]⁸ e sabemos que há uma desigualdade no acesso à estrutura, recursos humanos e equipamentos de saúde para investigar casos suspeitos nas diferentes regiões do Brasil — contextualiza Prado.
O país não tem um programa organizado de rastreamento desse tipo de câncer⁹. Prado lembra que, desde 2011, há evidência de que a tomografia de baixa dose em tabagistas e ex-tabagistas reduz a mortalidade¹⁰.
— Mas há uma latência entre a produção da evidência e a implementação de uma política de saúde — alerta.
A população que se encaixaria nos critérios de rastreamento no país é estimada entre 5 milhões e 8 milhões de pessoas, segundo Prado¹¹.
— O processo de rastreamento vai muito além da realização de exames. É necessário monitorar o alcance da estratégia, quantas pessoas elegíveis em cada região são alcançadas, quantas efetivamente ingressam no sistema, realizam os exames, retornam e são acompanhadas — pontua.
Para o pneumologista, a ampliação da prevenção e da detecção precoce da doença não pode depender somente de médicos especialistas.
— Precisamos fortalecer a atenção primária e conectá-la a uma linha de cuidado efetiva, capaz de encaminhar rapidamente os pacientes para serviços de maior complexidade quando necessário — afirma.
Prado aponta duas prioridades complementares: manter e reforçar a política de controle do tabagismo e estruturar serviços capazes de alcançar as pessoas que enfrentam mais barreiras de acesso.
Para ele, é preciso transformar evidências científicas em ações coordenadas, com atenção às diferenças sociais e territoriais.
BR-55516. Material destinado ao público geral. Este material informativo não substitui a conversa com profissional da saúde. Não tome nenhum medicamento sem ter recebido orientação médica. Material de propriedade da AstraZeneca do Brasil. Todos os direitos reservados. Outubro/2026.
Referências:
1. RADAR DO CÂNCER. Câncer de pulmão. Disponível em: Acesso em: 30 out. 2026.
2. INSTITUTO ONCOGUIA. Câncer de pulmão é o mais letal no mundo, apesar dos avanços no tratamento. Disponível em: Acesso em: 30 out. 2026.
3. WOO, S. et al. Stigma experiences in people with chronic obstructive pulmonary disease: an integrative review. International Journal of Chronic Obstructive Pulmonary Disease, v. 16, p. 1647-1659, 2021.
4. DURHAM, A. L.; ADCOCK, I. M. The relationship between COPD and lung cancer. Lung Cancer, v. 90, n. 2, p. 121-127, 2015. Disponível em: Acesso em: 30 out. 2026. PARRIS, B. A. et al. Chronic obstructive pulmonary disease (COPD) and lung cancer: common pathways for pathogenesis. Journal of Thoracic Disease, v. 11, supl. 17, p. S2155-S2172, 2019. Disponível em: Acesso em: 30 out. 2026.
5. LCP. Addressing inequalities in COPD and lung cancer: a framework for action. The Lung Health Equity Project. [2025?]. Disponível em: Acesso em: 30 out. 2026.
6. CÂNCER de pulmão é identificado em estágio avançado em 86% dos casos. Agência Brasil, 1 ago. 2019. Disponível em: Acesso em: 30 out. 2026.
7. CÂNCER de pulmão é o que mais mata no Brasil. Medicina S/A, 17 dez. 2024. Disponível em: Acesso em: 30 out. 2026.
8. SUS: 76% da população tem atendimento direto gratuito de saúde. Agência Brasil, set. 2025. Disponível em: Acesso em: 30 out. 2026.
9. INCA lança estudo para programa de rastreamento de câncer de pulmão. Agência Brasil, abr. 2026. Disponível em: Acesso em: 30 out. 2026.
10. NATIONAL LUNG SCREENING TRIAL RESEARCH TEAM. Reduced lung-cancer mortality with low-dose computed tomographic screening. The New England Journal of Medicine, v. 365, n. 5, p. 395-409, 2011. Disponível em: Acesso em: 30 out. 2026.
11. NASCIMENTO, M. E. B. Atenção primária à saúde como porta de entrada no diagnóstico precoce do câncer: desafios e impactos na sobrevida. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 8, n. 1, p. 291-301, 2026. DOI: Disponível em: Acesso em: 30 out. 2026.

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