Centenas de milhares de estudantes e trabalhadores saíram às ruas da Itália nesta sexta-feira para reivindicar mais verbas para as escolas e medidas contra o aumento vertiginoso do custo de vida. Em sua maioria pacíficas, as manifestações foram as mais numerosas de uma onda de protestos inspirados nos movimentos recentes realizados na França e na Espanha por estudantes, que montaram acampamentos e ocuparam centros de ensino para fazer ouvir suas reivindicações.
‘Tentando fazer revolução’: Da França à Albânia, onda de protestos liderada por jovens se espalha pela Europa contra o custo de vida
Quer morar fora do Brasil? Guia interativo reúne informações sobre 36 países
Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp
Uma greve geral convocada pelo sindicato USB contou com a adesão de milhares de trabalhadores que participaram das manifestações de sexta, entre eles caminhoneiros, taxistas e agricultores, que se mobilizaram nas últimas semanas para denunciar o aumento excessivo dos preços dos combustíveis e se opor ao aumento dos gastos com defesa.
As manifestações ocorreram em dezenas de cidades italianas, como Bolonha, Gênova, Nápoles e Turim. O sindicato estimou que entre 1 milhão e 1,5 milhão de pessoas participaram dos protestos de hoje em todo o país. Já autoridades não divulgaram números oficiais.
Em Roma, milhares de pessoas partiram da estação ferroviária central Termini em direção ao Coliseu. A universitária Beatrice Chilelli disse à AFP que os estudantes haviam “chegado ao limite” e mencionou que um quarto individual em uma residência estudantil na cidade pode custar até 1.200 euros por mês (R$ 7.190).
— Precisamos de mais moradia, e não de mais bombas — gritava um grupo, em meio à multidão.
A manifestação em Milão também começou na estação central, mas seguiu para a periferia, onde, duas semanas atrás, jovens saquearam lojas, destruíram bens e entraram em confronto com a polícia após outra manifestação contra o aumento do custo de vida.
Manifestantes bloqueiam uma rua com barracas em frente ao Coliseu durante um protesto, parte de um dia nacional de greves e manifestações em que estudantes do ensino fundamental, médio e universitário exigem mais verbas para as escolas e apoio à habitação, em Roma, em 30 de outubro de 2026
FILIPPO MONTEFORTE/AFP
‘Recuperar o futuro’
“Vamos recuperar nosso futuro”, dizia um cartaz exibido por estudantes em Milão.
Stefano De Finis, 25, disse esperar que as manifestações resultem em algo “duradouro”.
— No próximo ano teremos eleições e, sinceramente, se queremos uma mudança, não sabemos realmente em quem votar nem como ela poderia acontecer. O problema é que na Itália há muitos idosos e poucos jovens, por isso é preciso conseguir que os mais velhos também comecem a se mobilizar. Caso contrário, estamos sozinhos nesta luta — ressaltou, referindo-se ao peso político dos sindicalistas italianos, um grupo que está envelhecendo.
Em todo o país, policiais vigiavam as manifestações. Em um dos poucos confrontos reportados, a polícia reprimiu manifestantes em Turim e usou jatos d’água para mantê-los afastados da sede da Prefeitura. Já em Roma, jovens arremessaram garrafas, viraram lixeiras e incendiaram uma delas perto do fim da manifestação.
Após os confrontos entre jovens e policiais registrados em Milão no fim de semana de 17 e 18 de outubro, o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni endureceu as leis sobre manifestações públicas e flexibilizou as normas para a detenção de menores. Paralelamente, o governo aprovou na semana passada um pacote de auxílio de 175,2 milhões de euros (R$ 1,05 bilhão) destinado a caminhoneiros, agricultores e pescadores afetados pelo forte aumento dos preços dos combustíveis devido à guerra no Oriente Médio.
Também se contemplam medidas em favor dos jovens e das famílias no projeto de orçamento de 2027, que está sendo discutido pelos partidos da coalizão de governo.
Sob forte esquema de segurança, estudantes e trabalhadores protestam na Itália contra alto custo de vida
