Família de imigrantes bolivianos que morreu em desabamento de prédio neste sábado (12), em São Paulo, morava no local há apenas um mês. O consulado da Bolívia está auxiliando na documentação para que os parentes possam se despedir em sua terra natal. A advogada Patricia Vega, contratada pelo consulado boliviano, afirma que as vítimas já foram identificadas. O prédio de 12 andares era alvo de medidas da Prefeitura há anos, a construção foi interditada por avançar sem o alvará necessário, mas, apesar da determinação, as obras continuaram.
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— A família mudou para o imóvel há exatos um mês. No dia 10 completou um mês que a família estava morando nessa casa. A tragédia só não foi maior porque o pai, o chefe da família, e um filho maior dele de 13 anos, tinham saído e passado a noite num outro imóvel que eles tinham onde eles usavam de depósito. E só por esse motivo eles não estavam na casa, porque a tragédia poderia ter sido mais dolorida, poderia ter sido maior — disse Patricia Vega ao portal RTP Prensa / Bolivia Cultural.
Vega pontua, ainda, que o consulado da Bolívia esteve no local acompanhando os familiares das vítimas e cobra as autoridades responsáveis para que as situações envolvendo as mortes sejam esclarecidas. A advogada afirmou que um trabalho conjunto está sendo realizado e que está vendo respostas rápidas.
— Eu estou assim, muito aliviada de ver que já temos uma pessoa presa. Eu espero que tudo se resolva da forma mais clara e justa possível, porque o que aconteceu é algo inaceitável. Uma família inteira ceifada. A gente tem aí sobrinhos, temos aí criança falecida, temos uma família inteira destruída. Foi uma coisa que chocou não só a comunidade boliviana, como toda a comunidade como um todo, independente da nacionalidade — diz a advogada.
Construção avançou sem alvará
O prédio de 12 andares que desabou na madrugada de sábado (12), na Penha, Zona Leste de São Paulo, atingindo uma casa e deixando seis mortos e dois feridos, já era alvo de medidas da Prefeitura havia anos. Segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB) em entrevista coletiva, a construção foi interditada em 2019 por avançar sem o alvará necessário e, apesar da determinação, as obras continuaram. Ronaldo Vivacqua, apontado como sócio-proprietário oculto da New Home Construtora, foi preso e outros dois responsáveis pela construção estão foragidos.
Naquele ano, os responsáveis foram autuados e a Prefeitura determinou a interdição do imóvel. A irregularidade levou o caso à Justiça. Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município entrou com uma ação para impedir a continuidade da construção. Também houve novas autuações e multas contra a empresa responsável, entre elas uma de R$ 119 mil, segundo Nunes.
O histórico de irregularidades se estendeu até 2024. Naquele ano, a Prefeitura condicionou a autorização para uma nova edificação no terreno à demolição da estrutura que já havia sido construída. A orientação previa que somente após a retirada do imóvel existente poderia ser erguida uma nova construção, dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação.
Mesmo com esse histórico, uma estrutura de 12 andares permanecia em construção no terreno. De acordo o prefeito, a obra estava embargada quando desabou sobre o imóvel vizinho, por volta das 2h de sábado, onde vivia uma família de imigrantes.
Seis pessoas morreram, sendo três mulheres, dois homens e uma criança. Uma das mulheres estava grávida. Segundo o governo de São Paulo, sete das oito vítimas eram bolivianas e uma era paraguaia. Duas pessoas foram resgatadas com vida. Os corpos serão transportados à Bolívia para o sepultamento.
A tragédia mobilizou mais de 70 bombeiros, 22 viaturas e um cão de busca e salvamento. As buscas pelas vítimas duraram quase 36 horas. Chovia na capital no momento do desabamento, mas a Defesa Civil informou que ainda não era possível estabelecer relação entre a chuva e o colapso da estrutura.
Um preso e outros dois foragidos
Após o desabamento, a Polícia Civil passou a investigar os responsáveis pela construção. Na manhã de domingo, Ronaldo Vivacqua foi preso temporariamente. Ele é apontado pelos investigadores como sócio-proprietário oculto da New Home Construtora, empresa responsável pela obra.
Ele não aparece formalmente nos documentos das empresas envolvidas na construção. Segundo a Polícia Civil, porém, depoimentos de testemunhas e documentos antigos indicam que ele participava da administração da construtora e acompanhava a obra.
Outros dois investigados tiveram a prisão temporária decretada: Cristiano Vivacqua, filho de Ronaldo e apontado como responsável técnico e engenheiro da obra, e Isis Brandão, mulher de Cristiano e sócia formal da construtora. Os dois são considerados foragidos.
Segundo a Polícia Civil, os três não haviam se apresentado para prestar depoimento desde o início das investigações. O delegado seccional de Itaquera, Antônio José Pereira, afirmou que os investigadores tentaram localizar o proprietário da empresa e o engenheiro responsável logo após o desabamento, mas não conseguiram.
O GLOBO não localizou o contato da New Home Construtora e nem dos acusados. A empresa consta como “permanentemente fechada” em informações disponibilizadas. O espaço segue aberto para manifestações.
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