A família de Brigitte Stegemann, uma idosa de 83 anos que morreu por meio do programa de Assistência Médica para Morrer (MAID, na sigla em inglês), no Canadá, denunciou o que classifica como uma série de falhas no processo que antecedeu sua morte, em 10 de julho. Em uma publicação feita no Facebook no dia 21 de julho, os parentes afirmam que Stegemann havia recusado anteriormente a morte medicamente assistida por motivos religiosos e questionam a forma como sua capacidade de decisão foi avaliada.
Conhecida pela família como “GG”, Stegemann tinha câncer de estômago em estágio IV, diagnosticado cerca de cinco meses antes da morte, e vivia havia dois anos em uma instituição de longa permanência em Ontário. Sua neta, Brigitte Kranendonk, tinha uma procuração e, segundo o relato, era a principal responsável por decisões médicas e pessoais da avó.
Confira um trecho da publicação no Facebook:
Em uma publicação no Facebook, os parentes afirmam que Stegemann havia recusado a morte medicamente assistida
Redes Sociais
Família questiona avaliação e consentimento
Segundo os familiares, cerca de dois meses antes da morte, Stegemann participou de uma conversa sobre a MAID e afirmou que não queria realizar o procedimento porque ele entrava em conflito com sua fé cristã. Dias antes da morte, porém, a família foi informada de que novas discussões haviam ocorrido sem a presença da neta.
Em uma avaliação realizada em 7 de julho, a médica responsável teria questionado Stegemann sobre informações básicas de sua vida. Segundo a família, ela não soube responder corretamente quantos irmãos tinha ou quais deles ainda estavam vivos. Mesmo após as intervenções dos parentes, a médica concluiu que a idosa tinha capacidade para tomar a decisão e marcou o procedimento para três dias depois.
A família também afirma que, na véspera da morte, Stegemann demonstrou confusão ao ser questionada sobre o procedimento. “Eu vou morrer na sexta-feira? Eles vão me matar na sexta-feira?”, teria perguntado, antes de chorar e repetir que havia cometido um erro.
Na manhã de 10 de julho, os familiares levaram Stegemann ao pátio da instituição, onde ela tomou sorvete de morango e recebeu a visita de seu pastor. Depois, segundo o relato no Facebook, ela foi levada ao quarto para a preparação do procedimento. A família afirma ter testemunhado uma grande quantidade de sangue durante a colocação do acesso intravenoso.
Pouco antes da administração dos medicamentos, Stegemann teria permanecido em silêncio, com as mãos unidas em posição de oração. Os parentes dizem que esperavam uma confirmação verbal final de que ela desejava prosseguir, mas afirmam que o procedimento continuou mesmo sem uma resposta verbal.
“Tragicamente, ficamos alarmados e horrorizados ao perceber que a equipe clínica ignorou completamente o silêncio dela e prosseguiu com o procedimento mesmo assim”, escreveu a família.
Os parentes afirmam ainda que funcionários da instituição preencheram e testemunharam documentos relacionados ao pedido de MAID sem informá-los. Para a família, a conduta representou falta de transparência e possíveis violações das salvaguardas destinadas a proteger pacientes vulneráveis.
O programa canadense de Assistência Médica para Morrer permite que profissionais de saúde auxiliem pacientes elegíveis a colocar fim à própria vida mediante critérios previstos na legislação. No caso de Stegemann, a família pede uma investigação sobre a condução do procedimento e afirma que pretende responsabilizar os envolvidos. Até a publicação do relato, a instituição e a médica citadas não haviam se pronunciado publicamente sobre as acusações.

