Javier Bardem, Cate Blanchett, Adam Driver, Scarlett Johansson… O Festival de Cannes prepara uma edição repleta de estrelas, com forte presença do cinema espanhol na disputa pela Palma de Ouro.
O festival de cinema mais importante do mundo, que começa na próxima terça-feira, trará uma boa dose de glamour ao seu famoso tapete vermelho. Isso apesar da notável ausência de filmes dos grandes estúdios de Hollywood, ao contrário do ano passado, quando “Missão: Impossível” e Tom Cruise cativaram o público.
Nesta edição, 22 filmes concorrem ao prêmio máximo, incluindo cineastas que já desfilam regularmente na Croisette, como o espanhol Pedro Almodóvar, o romeno Cristian Mungiu e o japonês Hirokazu Kore-eda — os dois últimos já vencedores da Palma de Ouro — e uma dúzia de diretores que estreiam na seleta lista de indicados.
“O cinema vive um momento de produtividade criativa absolutamente formidável”, afirmou Thierry Frémaux, presidente do festival, ao anunciar os filmes selecionados dentre os mais de 2.500 longas-metragens de 141 países inscritos pelos organizadores.
Apenas cinco diretoras concorrem, número inferior ao da edição anterior, que contou com sete, o maior da história do festival. A diretora austríaca Marie Kreutzer (“A Imperatriz Rebelde”) se destaca; ela apresentará “Gentle Monster”, com Léa Seydoux e Catherine Deneuve nos papéis principais.
Sétima vez para Almodóvar
O cinema espanhol está especialmente bem representado com três títulos, um número recorde para a indústria cinematográfica do país. Almodóvar, com “Natal Amargo”, concorre ao prêmio de Cannes pela sétima vez. Além dele, Rodrigo Sorogoyen apresenta “A Amada”, com Javier Bardem interpretando um diretor de cinema que oferece um papel à sua filha atriz.
Javier Ambrossi e Javier Calvo, conhecidos como Los Javis, fazem uma grande estreia no festival com “A Bola Negra”, inspirado em uma peça inacabada de Federico García Lorca, e estrelado por Penélope Cruz e Glenn Close. Isso demonstra que há “um certo movimento no cinema espanhol”, observou Frémaux. “Este país continua a produzir artistas formidáveis.”
Outros filmes notáveis na disputa incluem “Paper Tiger”, do diretor americano James Gray, estrelado por Scarlett Johansson e Adam Driver, e “Minitaur”, do cineasta russo exilado Andrey Zvyagintsev, sobre a burguesia russa enfrentando o alistamento militar.
O júri, presidido pelo cineasta sul-coreano Park Chan-wook, anunciará os vencedores em 23 de maio. Entre os grandes nomes que também estarão presentes no Festival de Cannes deste ano estão o neozelandês Peter Jackson, diretor da trilogia “O Senhor dos Anéis”, e a lendária artista americana Barbra Streisand, de 84 anos. Ambos receberão a Palma de Ouro honorária.
‘A Mão de Deus’ na Tela Grande
O cinema latino-americano, apesar de estar ausente da competição — algo que não acontecia desde 2022 —, está muito presente em outras seções.
Na Un Certain Regard, a segunda seção mais importante, Valentina Maurel, da Costa Rica, apresenta “Siempre soy tu animal maternal”, a primeira produção do país na seleção oficial. E a diretora chilena Manuela Martelli, que participou de uma seção paralela há alguns anos com “1976”, apresenta “El deshielo”.
Fora de competição, será exibido o novo longa-metragem do ator mexicano Diego Luna, que também dirige o filme: “Ceniza en la boca”, uma adaptação do romance de Brenda Navarro sobre dois irmãos que viajam para a Espanha para reencontrar a mãe. E um documentário argentino sobre “El partido”, que reconstrói o histórico jogo entre Argentina e Inglaterra na Copa do Mundo de 1986, no México, quando Diego Maradona marcou o “Gol do Século” e o gol de “Mão de Deus”.
Na Quinzena dos Cineastas, dedicada a novos talentos, os destaques incluem “A Morte Não Tem Dono”, do diretor venezuelano Jorge Thielen Armand, estrelado por Asia Argento como uma herdeira de uma plantação que quer vender sua propriedade, e “A Cadela”, da diretora chilena Dominga Sotomayor, cujo elenco inclui o ator brasileiro Selton Mello.
Concorrentes à Palma de Ouro
“Natal Amargo”, de Pedro Almodóvar (Espanha): Almodóvar concorre ao prêmio principal do Festival de Cannes pela sétima vez com este filme sobre um cineasta consagrado em meio a uma crise criativa, que se inspira nas vidas daqueles ao seu redor para alimentar suas histórias.
“Uma Vida de Mulher”, de Charline Bourgeois-Tacquet (França): Um filme sobre Gabrielle, uma cirurgiã parisiense na casa dos cinquenta anos completamente dedicada à sua carreira, até que a chegada de uma mulher ao hospital onde trabalha perturba seu equilíbrio pessoal.
“A Bola Negra”, de Javier Calvo e Javier Ambrossi (Espanha): O filme da dupla de cineastas conhecida como Los Javis explora o significado de ser gay em diferentes épocas através de três vidas entrelaçadas. O filme é inspirado em uma obra inacabada de Federico García Lorca e conta com um elenco de peso, incluindo Penélope Cruz e Glenn Close.
“Coward”, de Lukas Dhont (Bélgica): Um drama sobre um jovem soldado que quer provar seu valor no campo de batalha durante a Primeira Guerra Mundial. Dhont retorna a Cannes pela terceira vez, depois de “Girl” (2018), apresentado na mostra Un Certain Regard, e “Close” (2022), em competição.
“Histórias paralelas”, de Asghar Farhadi (Irã): impossibilitado de filmar no Irã, Farhadi — duas vezes vencedor do Oscar — reúne alguns dos maiores nomes do cinema francês, como Isabelle Huppert, Vincent Cassel e Catherine Deneuve, para contar várias histórias entrelaçadas.
“Paper Tiger”, deo James Gray (EUA): Um thriller estrelado por Scarlett Johansson, Adam Driver e Miles Teller sobre dois irmãos que perseguem o sonho americano e se envolvem em uma perigosa teia ligada à máfia russa.
“The dreamed adventure”, de Valeska Grisebach (Alemanha): Após apresentar seu terceiro filme, um faroeste, em uma seção paralela em 2017, Grisebach concorre à Palma de Ouro este ano com a história de uma mulher que aceita um acordo para ajudar um antigo conhecido.
“Soudain”, de Ryusuke Hamaguchi (Japão): Após o sucesso mundial de “Drive My Car”, o cineasta retorna com um filme rodado na França sobre um diretor de asilo que faz amizade com um artista de teatro japonês.
“A Desconhecida”, de Arthur Harari (França): O roteirista de “Anatomia de uma Queda”, vencedor da Palma de Ouro em 2023, adapta uma graphic novel que escreveu com seu irmão, sobre um homem que acorda no corpo de uma misteriosa estranha.
“Garance”, de Jeanne Herry (França): Estrelado por Adèle Exarchopoulos como uma jovem atriz que encontra consolo e conforto no álcool, até que a morte começa a se aproximar.
“Sheep in the Box”, de Hirokazu Kore-eda (Japão): Este nome frequente no festival, vencedor da Palma de Ouro em 2018 com “Shoplifters”, apresenta um longa-metragem sobre um casal que adota um humanoide.
“Hope”, de Hong-Jin Na (Coreia do Sul): Um thriller ambientado em uma cidade portuária que começa a vivenciar uma série de eventos inexplicáveis. O elenco inclui Michael Fassbender e Alicia Vikander.
“Nagi Notes”, de Koji Fukada (Japão): Um longa-metragem ambientado no Japão rural que gira em torno do encontro entre duas almas solitárias. Fukada ganhou o Prêmio do Júri na seção Un Certain Regard, a segunda mais importante do festival, em 2016 com “Harmonium”.
“Gentle Monster”, de Marie Kreutzer (Áustria): Kreutzer é considerada uma das vozes mais poderosas do cinema europeu contemporâneo. Estrelado por Léa Seydoux e Catherine Deneuve, o filme mergulha na história de um casal em que um deles revela repentinamente um lado monstruoso.
“Notre Salut”, de Emmanuel Marre (França): Um longa-metragem sobre a Segunda Guerra Mundial que retrata o cotidiano na França ocupada pelo regime de Vichy.
“Fjord”, de Cristian Mungiu (Romênia): Uma história estrelada por Renate Reinsve sobre o conflito entre duas famílias em uma remota vila norueguesa. Mungiu ganhou a Palma de Ouro em 2007 por “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”.
“Histoires de la nuit”, de Léa Mysius (França): Uma adaptação do romance de Laurent Mauvignier, estrelada por Benoît Magimel, Monica Bellucci e Hafsia Herzi, que explora os laços familiares.
“Moulin”, de László Nemes (Hungria): O diretor do aclamado “O Filho de Saul” (vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2016) retorna a Cannes com uma cinebiografia sobre a vida de Jean Moulin, membro lendário da Resistência Francesa.
“Fatherland”, de Pawel Pawlikowski (Polônia): Pawlikowski (“Ida”) apresenta um filme em preto e branco que conta a história do retorno do escritor Thomas Mann à Alemanha em 1945, quando ele viaja com sua filha (Sandra Hüller) por parte do país em plena Guerra Fria.
“The man I love”, de Ira Sachs (EUA): Um filme ambientado na Nova York dos anos 80, estrelado por Rami Malek, vencedor do Oscar por sua interpretação de Freddie Mercury em “Bohemian Rhapsody” (2019).
“El ser querido”, de Rodrigo Sorogoyen (Espanha): Após apresentar “As Bestas” na seção Première de Cannes em 2022, Sorogoyen entra na competição com uma história sobre a complexa relação entre um famoso diretor de cinema (Javier Bardem) e sua filha atriz (Victoria Luengo), que se reencontram para trabalhar juntos após anos de afastamento.
“Minotauro”, de Andrey Zvyagintsev (Rússia): Cineasta russo exilado e presença constante em Cannes — onde conquistou inúmeros prêmios —, Zvyagintsev apresenta agora um filme sobre como a guerra perturba o cotidiano da burguesia russa.

