As cordas da viola vão ecoar no Centro da Música Carioca Artur da Távola, na Tijuca, trazendo em cada acorde a riqueza da música brasileira. De segunda-feira (28) a domingo que vem, a sétima edição do Festival Rio de Violas promete enredar a cidade em uma celebração das raízes sertanejas e das sonoridades de todo o país, com shows, oficinas e rodas de viola que exploram a pluralidade e a história desse instrumento tão simbólico da cultura nacional.
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O evento, realizado pelo Coletivo Rio de Violas e pela Maracujá Cultural Produções, e apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Secretaria municipal de Cultura, oferece uma programação gratuita e diversificada, com apresentações de artistas renomados e iniciantes.
Entre os destaques, a cantora Adriana Farias apresenta um repertório que une inovação e tradição sertaneja. Bob Vieira encanta o público infantil com sua viola de 10 cordas e ritmos tradicionais, como o fandango de esporas e o cururu. O músico Caçapa, violeiro e pesquisador, mostra ao público seu trabalho com violas eletrodinâmicas. A Caipirando, única orquestra de viola do Rio, se apresenta com mais de 30 músicos, sob a regência do maestro Henrique Bonna.
Para Gabi Góes, diretora de produção do festival e integrante do Coletivo Rio de Violas, o som do instrumento vai além da música.
— A viola é encantamento. Seu som nos transporta para lugares especiais: memórias da infância, afetos guardados no coração, paisagens do interior, conexão com a natureza. Ela toca algo profundo em cada brasileiro. O público vai se encantar não só com a sonoridade da viola caipira, mas com outros tipos que compõem a riqueza das manifestações da cultura popular brasileira — diz.
O musicólogo Bruno Reis, integrante do coletivo e idealizador da roda de conversa “Prosa de viola”, propõe um mergulho na construção simbólica do termo violeiro no Brasil, a partir de documentos históricos e saberes populares:
— A viola não pode ser vista apenas como mais um instrumento musical. Enquanto quem toca violão é chamado de violonista, quem toca piano de pianista e quem toca guitarra de guitarrista, o músico da viola é chamado de violeiro, e isso tem um significado profundo. O sufixo “ista” está ligado à tradição erudita europeia, à música letrada. Já a palavra “violeiro” pertence à tradição oral e popular. Ele não é apenas instrumentista, mas um guardião de saberes transmitidos de geração em geração, fundamentais para a formação da identidade cultural brasileira.
Reis destaca que trazer a cultura violeira para o Rio, com sua diversidade, é uma forma de revisitar e valorizar essa identidade brasileira em suas múltiplas expressões.
— Buscamos compor uma programação que reflita a pluralidade desse universo e sua constante reinvenção — afirma.
Para ele, a viola e o violeiro passam por contínuos processos de ressignificação — e é isso que mantém viva a tradição.
— A viola urbana carioca, por exemplo, dialoga com o choro, o samba, o forró e, claro, com a música caipira. Tudo isso compõe o mosaico sonoro da viola contemporânea, que se transforma sem perder sua essência. Esse é o maior encantamento: ver como ela se adapta, resiste e se renova ao entrar em novos contextos urbanos.
Henrique Bonna, músico e professor, compartilha sua experiência à frente de um workshop que abre o festival na segunda e na terça-feira. A Oficina de Prática de Conjunto (viola e canto) acontece das 18h30 às 21h30 e é voltada tanto para iniciantes quanto para músicos experientes. Para quem nunca teve contato com o instrumento, haverá violas extras.
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— A oficina estará aberta até para quem nunca tocou. O foco estará na música regional, especialmente a caipira. E ao final, todos se apresentarão na Roda de Viola, no domingo.
Ele também fala sobre a versatilidade do instrumento, que nasceu na música erudita e hoje transita por estilos como o rock.
— A viola escolhe a pessoa. E essa ligação emocional é o que transforma o aprendizado em algo encantador e duradouro — diz Henrique, fundador da Orquestra de Viola Viba, formada por crianças do interior de São Paulo e que também se apresentará no festival.
A programação completa, que inclui barracas com artesanato e gastronomia, está no Instagram @riodeviolas.

