Monalliza Neves Escafura, filha do bicheiro José Caruzzo Escafura, o “Piruinha”, teve um novo mandado de prisão preventiva expedido contra ela pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Comarca da Capital. A decisão, assinada nesta quarta-feira (05/08) pelo juiz titular Alexandre Abrahão Dias Teixeira, atende a pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio (MPRJ), que a denunciou por lavagem de dinheiro e organização criminosa. O mandado de prisão foi cumprido por agentes da Polícia Civil dentro da cadeia.
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Filha do bicheiro Piruinha, Monalliza Neves Escafura é presa por associação criminosa
Monalliza já está presa desde maio deste ano, em decorrência de outro processo. Como ela se encontra custodiada na Penitenciária Talavera Bruce, em Bangu, ela permanecerá cumprindo a medida dentro da própria unidade prisional. O juiz determinou que a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) promovesse a citação de Monalliza dentro da cadeia. Ela é acusada de lavar recursos da contravenção com a compra de bens de luxo, incluindo um veículo importado e um imóvel em Mangaratiba.
O que diz a denúncia do Gaeco
Segundo o Gaeco, ao todo, são 13 denunciados, entre eles a própria Monalliza, apontada pelo Ministério Público como líder do grupo, posição que teria assumido ainda em vida do pai e consolidado após a morte dele, em janeiro de 2025.
O MPRJ informou na denúncia que a investigação começou a partir da divulgação da série documental “Vale o Escrito”, da Globoplay, na qual bicheiros — entre eles o próprio Piruinha — deram entrevistas detalhando a exploração do jogo do bicho no Rio. A partir daí, o Gaeco requisitou ao Coaf relatórios de inteligência financeira e obteve quebras de sigilo bancário e fiscal dos investigados.
De acordo ainda com o Gaeco, Monalliza usava a empresa Liza Produções — formalmente dedicada à produção de eventos, com faturamento médio declarado de cerca de R$ 4.760 por mês — para ocultar recursos do jogo do bicho e das máquinas caça-níqueis exploradas pela organização criminosa em bairros como Madureira, Cascadura, Piedade, Inhaúma, Pilares e Engenho de Dentro, território historicamente dominado por Piruinha. Somente entre janeiro de 2021 e abril de 2022, a conta da empresa recebeu R$ 424.841,76 em créditos, valor incompatível com o faturamento declarado.
O Ministério Público também aponta que Monalliza se valia de oito outras pessoas, apontadas como “laranjas”, para receber e movimentar valores em contas de terceiros, e que mensagens extraídas de seu celular mostram negociações diretas sobre a abertura de novos pontos de exploração de caça-níqueis e cobrança de taxas mensais de responsáveis por pontos de jogo.
Entre os episódios de ocultação patrimonial citados na denúncia estão a compra, em 2021, de um automóvel Toyota/Lexus Sport avaliado em R$ 230 mil, registrado em nome de uma oficina mecânica, e um apartamento no Condomínio Sahy, em Mangaratiba, avaliado em cerca de R$ 750 mil, registrado em nome de terceiro. A denúncia também menciona um esquema de lavagem envolvendo a empresa Castelo Colorido, ligada à exploração de caça-níqueis apreendidos em operação policial no Clube Oposição, na Abolição.
O Ministério Público decidiu não oferecer Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), medida alternativa prevista no Código de Processo Penal para crimes cometidos sem violência ou grave ameaça, cuja pena mínima é inferior a quatro anos. O argumento da promotoria é que as penas ultrapassam esse limite previsto para o benefício. Em relação a Piruinha, o Gaeco pediu a extinção da punibilidade, já que ele morreu em janeiro de 2025.
Na decisão, Abrahão derrubou o segredo de justiça que recaía sobre o processo. Segundo o magistrado, o sigilo havia sido decretado para preservar o efeito surpresa da prisão de Monalliza, mas essa premissa “restou esvaziada” a partir do momento em que ela passou a estar presa por outro feito, o que afasta qualquer risco de fuga. Ficam sob sigilo apenas as mídias físicas apreendidas e os anexos com Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) e dados protegidos por sigilo bancário e fiscal de terceiros.
Monalliza rompe a tradição da organização criminosa do jogo do bicho por ser, atualmente, a única mulher à frente da contravenção como herdeira de Piruinha.

