Um dia após apresentar “Antártida” na abertura do Festival de Cinema de Gramado, o ator Lázaro Ramos voltou a atravessar o tapete vermelho do evento neste sábado (15) com “Feito pipa”, filme de Allan Deberton premiado no Festival de Berlim que abriu a mostra competitiva do evento na Serra Gaúcha.
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Na manhã deste domingo (16), Lázaro e Allan se reuniram para debate com a imprensa. A conversa contou ainda com as presenças dos atores Yuri Gomes e Teca Pereira, os produtores Marcelo Pinheiro e Karen Castanho e o roteirista André Araújo.
Vencedor do Urso de Cristal no Festival de Berlim, o longa faz sua estreia no Brasil. A trama acompanha Gugu (Yuri Gomes), um menino apaixonado por futebol que vive com a avó (Teca Pereira). Quando ela começa a demonstrar problemas de saúde, o menino faz de tudo para esconder a nova realidade para não ser obrigado a mudar para a casa do pai (Lázaro Ramos). Em Gramado, o diretor Allan Deberton volta ao festival que o consagrou com “Pacarrete”, vencedor de oito Kikitos em 2019.
Da esq: Allan Deberton, Teca Pereira, Lázaro Ramos na coletiva de ‘Feito pipa’
Lucas Salgado
A trama de amadurecimento fala de tema poucas vezes explorado que é a infância queer. O filme conquistou o público e foi muito aplaudido em sua exibição em Gramado.
— É um cinema que eu quero fazer que quer acessar o público e contar histórias importantes. Foi um projeto difícil de fazer, por muito tempo senti que o mercado ainda tratava como tabu esse tema da infância queer — contou Allan Deberton.
Lázaro revelou que se interessou pela obra de Allan após assistir “Pacarrete” em Gramado, e que foi atrás de trabalhar com o realizador.
— Escolho meus projetos pelas pessoas que me inspiram. Quando vi “Pacarrete”, senti que queria estar próximo do Allan. Quando vi o Yuri, um menino baiano preto, fiquei encantando. Muitas vezes escolho meus projetos para mandar mensagens para o mercado sobre as histórias que queremos contar no cinema brasileiro. Não é só o roteiro que me atrai, são as histórias que precisamos contar — destacou Lázaro, que vive um pai que não sabe lidar com o filho. — É um personagem que poderia cair muito do estereótipo. Pensamos muito durante o processo onde nascia o amor e a violência dentro deste homem.
O roteirista André Araújo, do interior do Ceará como o diretor, explicou que se inspirou para criar a história ao conhecer cidade no Rio Grande do Norte que foi tomada por barragem. Ele revelou que expôs em “Feito pipa” um sertão diferente do que viver, mais esperançoso.
— O Gugu não sou eu. Mas é a criança que eu gostaria de ter sido — disse o roteirista. — Queria ver crianças queers sendo representadas e contar a história de um sertão possível. É o filme que minha criança gostaria de ter visto e ficou muito feliz de criar um filme para que muitas crianças como a que eu fui se vejam representadas.
O jovem Yuri Gomes se tornou uma sensação imediata no evento ao viver o pequeno Gugu.
A veterana Teca Pereira falou sobre a dificuldade de interpretar uma mulher com a saúde decadente, fase da vida com a que consegue se identificar aos 74 anos.
— Foi um processo maravilhoso e muito delicado. Viver a Dilma foi um processo muito próximo viver essa mulher cadeirante, que sofre com Alzheimer. Carrego comigo esse temorzinho — confessou a atriz.
“Feito pipa” chega aos cinemas brasileiros no dia 24 de setembro.
O repórter viajou a convite do Festival de Cinema de Gramado

