Após mais um fim de semana marcado por intensas trocas de tiros em diferentes pontos da Zona Norte do Rio, a semana começou com a apreensão de sete fuzis, duas pistolas, 11 granadas e 14 prisões em operações policiais nas comunidades da Primavera, Serrinha e no Complexo da Pedreira, nesta segunda-feira. As ações expõem mais uma vez o aumento do uso de armas de calibre militar, que se tornaram símbolo da guerra do tráfico no estado.
As operações ocorreram por determinação do comando da Secretaria de Estado de Polícia Militar e com base em informações da área de inteligência da Corporação. Policiais de unidades operacionais de área e do Comando de Operações Especiais (COE) foram mobilizados.
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— Essas operações representam um esforço estratégico e diário da Polícia Militar para enfraquecer e combater organizações criminosas que promovem violência e ameaçam a rotina da população. Neste ano, somente os policiais militares já apreenderam mais de 360 fuzis, utilizados por criminosos para dominar territórios e aterrorizar a sociedade — afirmou o secretário de Estado de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira.
No Complexo da Pedreira, em Costa Barros, equipes do 41º BPM (Irajá) apreenderam cinco fuzis, uma pistola e uma granada. Na Serrinha, em Madureira, além da apreensão de mais armamento, um suspeito foi baleado e socorrido ao Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, mas não resistiu aos ferimentos. Ao mesmo tempo, policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) realizaram a ocupação da comunidade da Primavera, em Cavalcante.
Segundo a PM, o policiamento nas regiões foi reforçado após as operações simultâneas. No entanto, os tiroteios intensos e as balas traçantes se tornaram rotina no cotidiano de moradores de outras áreas da Zona Norte do Rio.
Na sexta-feira, dia 11 de julho, moradores do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, enfrentaram horas de intenso tiroteio entre policiais militares e bandidos. No conflito, o traficante Pedro Paulo Lucas Adriano do Nascimento, o Titauro, apontado como um dos responsáveis pelo Comando Vermelho (CV) na região, foi baleado e morreu.
Cerca de 12 horas após a morte do traficante, novos confrontos voltaram a assustar moradores do Morro dos Macacos, Vila Isabel e Grajaú. Policiais da Unidade de Polícia Pacificadora que atuam na comunidade, foram atacados por traficantes e houve troca de tiros, mas desta vez não houve prisões ou feridos.
No Morro do Trem, no Conjunto do Ipase, na Vila Kosmos, também foram registradas intensas trocas de tiros entre traficantes e policiais. Durante o confronto, o sargento Kelvyton de Oliveira Vale, de 48 anos, foi baleado e chegou a ser levado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, mas chegou morto à unidade.
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Já moradores do Morro do Juramento e adjacências utilizaram as redes sociais para relatarem disparos entre sexta-feira (11) e domingo (13). Por lá, o confronto acontece há pelo menos seis meses, com diferentes trocas de comando territorial entre traficantes do CV e do Terceiro Comando Puro (TCP).
A guerra entre CV e TCP também está presente no Morro do Fubá. Assim, moradores da comunidade e bairros próximos como Campinho, Cascadura e Quintino Bocaiuva, relatam nas redes que homens armados circulam pela região desde o início de junho. Por lá, a disputa já dura cerca de dois anos.
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Embora não tenha registrado confrontos neste fim de semana, o Complexo de Israel é uma das áreas mais marcadas pela violência na Zona Norte. Alvo constante de operações policiais e conflitos entre facções rivais, seu entorno passou a ter suspensão de transportes, fechamento de escolas e unidades de saúde. Além disso, também há interdições na Linha Vermelha e na Avenida Brasil, principal via de entrada e saída da capital.
Entre os episódios recentes mais violentos, está uma operação policial que ocorreu no dia 10 de junho deste ano, que terminou com oito fuzis apreendidos e 20 presos. Na época, dois passageiros de ônibus foram baleados em um raio de até dois quilômetros do Complexo. Ainda foram atingidos um motorista e um pedestre.
A situação foi semelhante a ocorrida em outubro do ano passado, quando três pessoas morreram atingidas por disparos no mesmo raio.
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Enquanto em outros estados o fuzil é uma peça rara, no Rio circula livremente em áreas sob domínio do crime, além de ser utilizado em assaltos a veículos e pedestres. O número de apreensões dá uma ideia da proporção do problema: no ano passado, o estado concentrou 37,39% do total de fuzis retirados das mãos de bandidos em todo o Brasil.
Dados do Ministério da Justiça apontam que entre 2015 e 2024, o Rio de Janeiro somou 4.174 apreensões, o equivalente a 43,07% do total nacional. Ou seja, a cada dez fuzis apreendidos no país, quatro foram no território fluminense. Já na série histórica do Instituto de Segurança Pública (ISP), que vai de 2007 até o fim do ano passado, demonstra que foram retirados de circulação 6.619 fuzis no Rio, número suficiente para equipar de sete a nove tropar do Batalhão Tático de Grupo (BTG) do Exército russo, que atua na guerra da Ucrânia.