De Marechal Hermes à Pavuna, passando pelo Andaraí e pela Tijuca, a Zona Norte do Rio será tomada por diferentes expressões artísticas nos próximos dias. O circuito cultural reúne teatro, literatura, música e arte sonora em uma programação que valoriza a produção independente e reforça o papel da região como polo criativo da cidade. Tem festival competitivo no Teatro Armando Gonzaga, festa literária no Renascença Clube, instalação imersiva na Arena Jovelina Pérola Negra e show de Fabiana Cozza cantando Nei Lopes no Sesc Tijuca. Confira.
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O Teatro Armando Gonzaga, em Marechal Hermes, torna-se ponto de encontro da criação cênica independente neste sábado e domingo, sempre às 18h30, com a realização da Mostra Aslucianas 2025. O evento reúne oito cenas autorais que concorrem em 13 categorias. Além da competição, a programação traz apresentações convidadas de teatro e dança.
Criada em 2017, a mostra é um espaço de experimentação artística e de valorização da produção teatral fora do eixo Centro-Sul da cidade. Desde então, já reuniu cerca de mil artistas e dois mil espectadores, distribuindo mais de 80 prêmios.
Para Luciana Ezarani, idealizadora do projeto, ele nasceu do desejo de descentralizar o acesso à cultura e segue com o propósito de estimular novos talentos e formar público na Zona Norte:
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— Desde a primeira edição percebemos o quanto esse espaço poderia ser transformador, oferecendo oportunidades para que grupos distintos pudessem iniciar ou dar continuidade ao seu trabalho.
Um dos diferenciais do evento é o voto popular, que define o vencedor de cada dia e leva as cenas mais votadas à grande final, quando ocorre a cerimônia de premiação. Luciana ressalta a importância dessa interação:
— Todo artista cria pensando em alcançar o público, e por isso o júri popular é tão importante. Claro que existem critérios técnicos, mas a mensagem precisa chegar a quem é de direito: a plateia. É muito legal ver as torcidas.
As produções em disputa transitam entre comédias e dramas, criadas por grupos de Rio, Baixada e São Gonçalo. A programação inclui ainda dois espetáculos convidados que ampliam o caráter de multilinguagem do festival: “Brasil, de verso e prosa”, um show poético que percorre as cinco regiões do país, e “MPB — Amor, guerra e paz”, montagem de dança que encerra o evento amanhã.
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Com mais de 20 anos de trajetória, o Grupo Aslucianas é uma das raras companhias majoritariamente femininas de teatro de rua do país. O ingresso para a mostra custa R$ 30. Grupos de professores de escolas públicas, a partir de cinco pessoas, pagam R$2. Entradas à venda no teatro e no site da Funarj.
A Pavuna será tomada por sons e histórias reais das periferias do Rio. Deste sábado até o próximo dia 25, a Arena Jovelina Pérola Negra recebe a exposição “Pode sonhar, em alto e bom som”, uma instalação sonora gratuita que transforma desejos, memórias e vivências em arte. O projeto reúne 40 jovens artistas — entre MCs, dançarinos, poetas, músicos e atores — que participaram de uma residência criativa de seis meses promovida pelo Instituto Avenida Brasil de Criatividade Social.
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Bolsistas do laboratório, esses jovens vêm de diferentes regiões, representando comunidades como Pavão-Pavãozinho, Complexo do Alemão e Cidade de Deus, além de Praça Seca e Madureira.
As dez peças sonoras convidam o público a uma escuta íntima, por meio de fones de ouvido, abordando temas como amor, luto, infância, espiritualidade e transformação pessoal. Cada obra é ambientada em uma “ilha” cenográfica, desenhada para criar uma experiência sensorial e reflexiva.
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A curadora e diretora artística, Valquíria Oliveira, explica que a força da mostra está na pluralidade das vozes e na liberdade criativa dos participantes.
— As obras tratam de temas como transformação, gênero, espiritualidade e sonhos de consumo, sempre a partir da vivência desses jovens — afirma.
A exposição pode ser visitada de terça a domingo, das 10h às 19h. A entrada é gratuita.
Fabiana Cozza exalta Nei Lopes
A cantora Fabiana Cozza leva o espetáculo “Urucungo” ao Sesc Tijuca na terça-feira (11), às 19h. Inspirada no nono álbum da artista, lançado em 2023, a apresentação reúne composições inéditas de Nei Lopes, poeta, compositor e pesquisador reconhecido por sua contribuição à cultura afro-brasileira. A direção musical é de Henrique Araújo.
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Premiado pelo Edital Sesc RJ Pulsar 2024/25, o projeto reafirma a admiração e a conexão artística de Fabiana com o compositor nascido em Irajá, celebrando a contribuição dele para a identidade cultural do país.
O repertório reúne obras que traduzem a riqueza poética e rítmica da trajetória de Nei Lopes. No show, Fabiana é acompanhada por Henrique Araújo (cavaquinho e bandolim), Douglas Alonso e Vitor da Candelária (percussões), Vanessa Ferreira (contrabaixo e baixo elétrico), Bia Pacheco (saxofones) e Marcelo Rosário (violão).
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Para Fabiana, mais que um tributo, o projeto é uma forma de continuidade.
— Nei Lopes pensa as negritudes no Brasil de forma profunda. Suas músicas têm temáticas atuais, e ele deixa um legado para o samba de qualidade poética, de escrita e de melodia que vemos com muita raridade. Hoje há outras qualidades, outros pensamentos, mas o Nei é um farol para muita gente que está aparecendo — elogia.
Ingresso: R$ 10 (inteira).
Literatura no Renascença
O Renascença Clube, no Andaraí, recebe sábado e domingo, das 8h às 21h, a 4ª Flirena — Festa Literária do Renascença. Com entrada gratuita, o evento promove o acesso à leitura e valoriza a cultura afro-brasileira por meio de atividades literárias, musicais e educativas.
Com o tema “Kizomba do Martinho”, esta edição homenageia Martinho da Vila e o embaixador Mateus Sá-Miranda, cônsul-geral de Angola no Rio. Martinho foi escolhido por sua produção artística ligada a Vila Isabel e ao próprio Renascença, além do diálogo com a cultura angolana. Já o tributo ao cônsul marca os 50 anos da independência de Angola.
Para Helena Theodoro, vice-presidente do Departamento Cultural do clube e curadora da festa, a Flirena reafirma o papel do Renascença como espaço de resistência.
— O meu papel é fazer do Renascença realmente um quilombo negro, um lugar de valorização da arte e da identidade negra — diz.
Ela destaca que o evento reforça o protagonismo da Zona Norte na preservação e na difusão da cultura afro-brasileira.
A programação reúne rodas de conversa, lançamentos de livros, atividades culturais e apresentações musicais. A Secretaria municipal de Educação levará mais de mil alunos da rede, que participarão de ações voltadas à leitura, à tecnologia e à cidadania.
— A Flirena incentiva o conhecimento e democratiza os livros — ressalta o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha.

