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Fim do etarismo no cinema? Por que atrizes mais velhas estão ganhando espaço no Oscar

BRCOM by BRCOM
março 9, 2026
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Mikey Madison (à esquerda, com a estatueta do Oscar de melhor atriz) e Demi Moore — Foto: Michael Tran/AFP

Durante décadas, Hollywood tratou a idade de maneira muito diferente para homens e mulheres. Enquanto atores frequentemente permancem protagonistas ao longo de toda a carreira, muitas atrizes viram os papéis diminuir depois dos 40. Uma análise recente da BBC, porém, aponta que esse cenário pode estar começando a mudar. Às vésperas da cerimônia do Oscar, que acontece no próximo domingo (15), um fenômeno chama atenção: depois de décadas privilegiando protagonistas femininas muito jovens, performances de mulheres com mais de 50 ou 60 anos vêm ganhando maior visibilidade na temporada de premiações.

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Historicamente, vitórias de atrizes mais velhas no Oscar foram raras. Ao receber o prêmio de Melhor Atriz por “Tudo em todo lugar ao mesmo tempo” em 2023, aos 60 anos, Michelle Yeoh destacou essa realidade ao declarar: “Mulheres, não deixem ninguém dizer que vocês já passaram do auge. Nunca desistam”. Ela é uma das apenas sete vencedoras da categoria acima dos 60 anos. Entre as exceções históricas estão Jessica Tandy, premiada aos 80 por “Conduzindo Miss Daisy”, e Katharine Hepburn, recordista de estatuetas de melhor atriz, que conquistou três de seus quatro Oscars já depois dos 60.

Durante muito tempo, porém, os votantes da Academia favoreceram intérpretes bem mais jovens. Enquanto apenas um ator venceu o Oscar de melhor ator antes dos 30 anos — Adrien Brody — dezenas de atrizes receberam o prêmio ainda na faixa dos 20.

Segundo a historiadora de cinema Jeanine Basinger, autora do livro “The Star Machine”, os estúdios clássicos tratavam estrelas femininas como um “produto frágil”, já que a câmera revelava rapidamente sinais de envelhecimento. Por isso, manter uma carreira longa era raro. Entre as estrelas daquele período estavam vencedoras do Oscar como Bette Davis, Ingrid Bergman e Vivien Leigh, todas premiadas ainda na casa dos 20 anos.

No entanto, a pesquisa da BBC mostra que a idade média das indicadas ao Oscar de Melhor Atriz vem aumentando ao longo das décadas. Enquanto nos anos 1940 ela era de apenas 27 anos, subiu para 37 nos anos 1970, chegou a 40 nos anos 2000 e, na década de 2020 até agora, gira em torno de 47 anos. Entre as atrizes consagradas tardiamente mais recentemente estão Frances McDormand, premiada aos 63 por “Nomadland”, e Olivia Colman, que venceu aos 44 por “A favorita”.

Nas últimos anos, intérpretes veteranas também voltaram ao centro das atenções com papéis complexos e protagonismo em filmes de prestígio. Na temporada de 2025, por exemplo, nome como Demi Moore (62), Karla Sofía Gascón (53) e a brasileira Fernanda Torres (59) — que se destacou na temporada de premiações com sua atuação no filme “Ainda estou aqui”, interpretando Eunice Paiva — apareceram entre os mais comentados na corrida ao Oscar — embora, no ano passado, a favorita Moore tenha sido derrotada pela jovem Mikey Madison, de 25 anos, por “Anora”.

Mikey Madison (à esquerda, com a estatueta do Oscar de melhor atriz) e Demi Moore — Foto: Michael Tran/AFP

Especialistas apontam que esse movimento reflete transformações culturais e industriais: produtores e roteiristas passaram a investir mais em histórias sobre envelhecimento, experiência e identidade, temas que ganharam força em um público que também está envelhecendo. Ao mesmo tempo, o crescimento do cinema independente e das plataformas de streaming ampliou o espaço para narrativas que fogem do modelo tradicional de Hollywood.

Em entrevista à BBC, a pesquisadora Stacy L. Smith, que estuda questões de desigualdade no entretenimento, destacou que a Academia tem reconhecido cada vez mais performances em filmes autorais, nos quais há maior valorização da interpretação. Já Elizabeth Kaiden, cofundadora da The Writers Lab, uma organização que apoia roteiristas mulheres com mais de 40 anos, diz que atrizes veteranas com décadas de experiência “agora estão tendo filmes feitos para elas”, algo que era raro até pouco tempo.

Outro fator que pode explicar a maior presença de atrizes maduras no Oscar é a ampliação do quadro de membros da Academia para incluir mais votantes internacionais. Isso contribuiu para aumentar a presença de filmes estrangeiros entre os indicados e pode ter ajudado a reduzir o tradicional viés pró-juventude da indústria americana.

Eemplos recentes incluem as indicações de Fernanda Torres (59), por “Ainda estou aqui”, e Karla Sofía Gascón (52), por “Emilia Pérez”, ambos no ano passado, além da francesa Isabelle Huppert, indicada aos 63 anos por “Elle”, em 2017.

Exemplos recentes incluem as indicações de Fernanda Torres, por Ainda Estou Aqui, e Karla Sofía Gascón, por Emilia Pérez, além da atriz francesa Isabelle Huppert, indicada aos 63 anos por Elle em 2017.

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