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Fiocruz alerta para introdução da doença na Antártica

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julho 29, 2025
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Pesquisadores da Fiocruz alertam para rotas de introdução do vírus da gripe aviária H5N1 na Antártica. — Foto: Divulgação / Fiocruz / Peter ilicciev

Um novo estudo do programa de pesquisa da Fiocruz na Antártica (Fioantar) alerta para diferentes rotas de introdução do vírus da gripe aviária H5N1 no continente. Os cientistas identificaram e analisaram o material genético do vírus em duas aves e um leão-marinho-antártico encontrados mortos nas Ilhas Shetland do Sul.

Segundo os pesquisadores da Fiocruz, os achados ampliam as evidências de circulação da doença na Antártica e contribuem para o entendimento sobre por onde o vírus H5N1 tem chegado e se disseminado na região.

O termo gripe aviária diz respeito a um conjunto de cepas do vírus influenza, entre elas a H5N1, que geralmente circulam apenas entre aves, mas provocam casos esporádicos em outras espécies. No Brasil, foi detectada pela primeira vez em maio de 2023 em aves silvestres.

Pessoas são contaminadas esporadicamente devido ao contato com animais infectados. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2003 até o fim do ano passado foram registrados 939 casos humanos em 24 países, dos quais 464 evoluíram para a morte (49%). Não existe registro de disseminação entre humanos, ou seja, de pessoa para pessoa.

Pesquisadores da Fiocruz alertam para rotas de introdução do vírus da gripe aviária H5N1 na Antártica. — Foto: Divulgação / Fiocruz / Peter ilicciev

Uma preocupação sobre o momento atual da gripe aviária é que, desde 2022, a versão de H5N1, identificada pela primeira vez ainda em 1996, tem ganhado tração e chegado a novas regiões do planeta, como a Antártica, e a diferentes espécies de mamíferos, como leões-marinhos na América do Sul, furões na Europa e gado leiteiro nos Estados Unidos.

No novo estudo, que foi disponibilizado em versão pré-print para rápida divulgação dos achados e submetido para a publicação numa revista científica, os pesquisadores do Fioantar sequenciaram as três amostras do H5N1 e apontaram por onde ele chegou ao continente.

“A análise dos genomas é fundamental para conhecer os caminhos percorridos pelos microrganismos. Observamos que cada um dos três vírus analisados está ligado a uma introdução diferente do H5N1 na Antártica. Isso reforça a necessidade de vigilância, com pesquisas contínuas para monitorar a disseminação e os impactos desse patógeno na região”, diz, em nota, Maria Ogrzewalska, pesquisadora do Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do IOC/Fiocruz e integrante da equipe do Fioantar.

A primeira identificação do H5N1 pela Fiocruz foi ainda em janeiro de 2024, na carcaça de um gaivotão (Larus dominicanus) na Ilha Livingston. Quase um ano depois, em dezembro de 2024, o patógeno foi confirmado em amostras de um petrel-pintado (Daption capense), na mesma ilha, e de um leão-marinho-antártico (Arctocephalus gazella) na Ilha Robert.

Ao analisar os genomas dos patógenos, os pesquisadores encontraram microrganismos da chamada “linhagem de mamíferos marinhos da América do Sul” nas carcaças do gaivotão e do leão-marinho-antártico.

Essa linhagem emergiu em 2023, no Norte do Chile, e espalhou-se ao longo da costa para o Sul do país e, posteriormente, para Argentina, Ilhas Malvinas, Uruguai e Brasil. Segundo os pesquisadores, os dados genéticos indicam que duas das cepas analisadas derivam de introduções distintas dessa linhagem vírus, provavelmente a partir da Argentina.

Já a variante detectada no petrel-pintado pertence à chamada “linhagem aviária da América do Sul”, que surgiu no Peru, em 2022, e se espalhou para o Sul até o Chile, e para o Leste, até Uruguai, Argentina e Brasil. Em 2023, chegou à Geórgia do Sul, arquipélago situado na região subantártica, que fica imediatamente ao Norte da região Antártica. Segundo os pesquisadores, a cepa foi introduzida no continente a partir da Geórgia do Sul.

Pesquisadores da Fiocruz alertam para rotas de introdução do vírus da gripe aviária H5N1 na Antártica. — Foto: Divulgação / Fiocruz
Pesquisadores da Fiocruz alertam para rotas de introdução do vírus da gripe aviária H5N1 na Antártica. — Foto: Divulgação / Fiocruz

Além disso, eles explicam que dados genéticos de diversas pesquisas têm indicado que o H5N1 alcançou as Ilhas Shetland do Sul, Torgersen, Crozet e Kerguelen a partir da Geórgia do Sul, reforçando a importância do arquipélago como uma rota de introdução do vírus. As duas últimas ilhas ficam a mais de 5 mil km de distância uma da outra.

Embora seja detectada principalmente em aves domésticas e selvagens, também existem registros de infecções por essa linhagem aviária em mamíferos marinhos, aponta Maria:

“Algumas variações genéticas indicam que o clado de mamíferos marinhos tem adaptações que facilitam a transmissão entre mamíferos. No entanto, a caracterização de linhagens do H5N1 ainda é inicial. Até o momento, observamos que vírus dos dois clados são capazes de infectar aves e mamíferos, mas existem diferenças na frequência de infecções”.

Desde 2019, anualmente, pesquisadores da Fiocruz viajam até a Antártica como parte do Fioantar para investigar a presença de microrganismos na região que possam ameaçar a saúde global ou contribuir para a biotecnologia.

Pesquisadores da Fiocruz alertam para rotas de introdução do vírus da gripe aviária H5N1 na Antártica. — Foto: Divulgação / Fiocruz / Peter ilicciev
Pesquisadores da Fiocruz alertam para rotas de introdução do vírus da gripe aviária H5N1 na Antártica. — Foto: Divulgação / Fiocruz / Peter ilicciev

A iniciativa integra o Programa Antártico Brasileiro (Proantar), conduzido pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Cirm), da Marinha do Brasil. O novo estudo teve a colaboração de pesquisadores do IOC/Fiocruz, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade da Califórnia (UC), nos Estados Unidos.

“Trabalhamos na perspectiva de ‘uma só saúde’. Um vírus respiratório detectado em animais, em qualquer região do mundo, pode vir a ter impacto na saúde humana global. O monitoramento em diferentes regiões do mundo, incluindo a Antártica, é estratégico para melhor prevenção e enfrentamentos de possíveis pandemias”, explica Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do IOC/Fiocruz.

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