Enquanto a Prefeitura do Rio testa um novo modelo de estacionamento rotativo na Lagoa Rodrigo de Freitas, com pagamento exclusivamente pelo aplicativo Jaé, a cobrança irregular de flanelinhas continua fazendo parte da rotina de quem circula de carro por outras áreas de lazer da cidade. Em um giro realizado pela reportagem nesse domingo, foram encontrados guardadores cobrando entre R$ 20 e R$ 40 por vagas públicas, sem apresentar talão ou qualquer autorização.
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A fiscalização passou por pontos do Centro e da Zona Sul, como Cinelândia, Glória e Urca. Em comum, a abordagem aos motoristas ocorria antes mesmo de eles estacionarem.
Na Cinelândia, na altura da Praça Deodoro, um flanelinha correu ao lado do carro da reportagem para indicar uma vaga e pediu R$ 20 pelo estacionamento. Ao ser questionado se fornecia talão, respondeu:
— Talão? Aqui a gente não trabalha com talão não. Nem de segunda a sexta.
Na Glória, um exército de flanelinhas caminhava pelo trânsito oferecendo vagas
Felipe Gelani
Poucos metros adiante, no entorno do Memorial a Getúlio Vargas, ao menos seis flanelinhas atuavam simultaneamente. Na Rua do Russel, por volta das 13h30, eles caminhavam entre os carros parados no congestionamento oferecendo vagas. Um deles afirmou que o pagamento “vai do coração” e disse que, por ser domingo, não precisava fornecer talão.
Na entrada da Urca, a reportagem encontrou um cenário diferente. Um reboque da Secretaria de Ordem Pública (Seop) circulava pelo bairro, enquanto agentes fiscalizavam veículos estacionados. No acesso à Praia Vermelha, onde não havia vagas disponíveis, um guardador credenciado informou que a tarifa era de R$ 2.
— O cliente contribui com o que quiser. Tá bom assim pra você, paizão? — afirmou o guardador, desconfiado da pergunta.
Já nas ruas internas do bairro, como Ramon Franco, Odílio Bacelar e Urbano Santos, a realidade era outra. Sem uniforme ou identificação, um flanelinha cobrou R$ 40 para estacionar. Questionado sobre o talão, demonstrou irritação e surpresa e disse apenas:
— Ninguém aqui tem talão.
Ponto antes da Ilha das Caiçaras não estava funcionando
Felipe Gelani
Rotativo Digital
A reportagem também testou o funcionamento do Rio Rotativo Digital, implantado em caráter experimental em 903 vagas no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas. O novo sistema substitui os antigos talões de papel pelo pagamento por meio do aplicativo Jaé e transforma os antigos guardadores em agentes responsáveis apenas por verificar se o veículo foi registrado.
O funcionamento foi testado em quatro pontos: antes da Ilha dos Caiçaras, na entrada do clube, no Pier da Lagoa e no Parque dos Patins. Em três deles, o aplicativo funcionou normalmente.
Pontos de estacionamento ao redor da Lagoa estavam bem sinalizados, mas quase todos lotados
Felipe Gelani
A única falha foi registrada em um trecho ao lado da ciclovia antes dos Caiçaras. Apesar da placa indicar que o local fazia parte do Rio Rotativo Digital, o aplicativo informava que aquela área “não fazia parte do Rio Rotativo Digital”, impedindo o pagamento.
No projeto-piloto, a tarifa é de R$ 2 para cada período de duas horas, com permanência máxima de seis horas. O motorista pode regularizar o pagamento posteriormente, dentro do prazo previsto pela prefeitura, mediante cobrança em valor maior. O objetivo é substituir gradualmente a cobrança presencial e ampliar a rotatividade das vagas públicas.

