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setembro 25, 2026
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Flávio disputa eleitor endividado com Lula e promete novo programa de renegociação, que virou vitrine petista

Por · setembro 25, 2026
O que o mercado espera de Bolsonaro


O endividamento das famílias entrou no centro da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da eleição. Com 82% das famílias brasileiras nesta condição, segundo dado da Confederação Nacional do Comércio (CNC), os dois principais candidatos ao Planalto passaram a apresentar propostas para atacar o problema.
Enquanto o governo prepara uma nova medida para comprar dívidas antigas com desconto, Flávio promete criar o SOS Brasil, programa que prevê comprar débitos dos bancos e refinanciá-los pela Caixa Econômica Federal.
O tema ganhou peso eleitoral em um momento em que quase uma em cada cinco famílias brasileiras já compromete mais da metade da renda com o pagamento de dívidas. Em julho, esse percentual chegou a 19%, o maior nível desde março. Entre as famílias endividadas, 85% têm débitos no cartão de crédito, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
É nesse eleitorado que Lula e Flávio passaram a disputar espaço. De um lado, o petista tenta ampliar uma política que já virou marca de seu governo e prepara uma nova ofensiva contra dívidas antigas. Do outro, o candidato do PL incorpora a renegociação ao seu programa econômico e promete descontos ainda maiores, mas ainda precisa explicar como pretende financiar e operacionalizar a proposta.
A proposta de Flávio, contudo, está longe de ter um desenho fechado. Em uma live nesta semana, o senador afirmou que pretende criar um fundo com recursos de novas receitas de petróleo, imóveis da União e da securitização de créditos que o governo tem a receber. Segundo ele, o fundo poderia chegar a cerca de R$ 3 trilhões. Uma parte seria usada para reduzir a dívida pública e outra para investimentos em infraestrutura e para ajudar pessoas físicas endividadas.
Na parte destinada aos consumidores, Flávio afirmou que o governo compraria as dívidas dos bancos e depois as refinanciaria pela Caixa, com juros mais baixos. O senador falou em descontos de até 90% sobre o valor devido e em uma carência de seis meses. Segundo ele, a redução das parcelas permitiria que famílias hoje comprometidas com dívidas pudessem “respirar” economicamente por um período e voltassem a consumir.
O candidato, porém, não apresentou detalhes sobre como o mecanismo funcionaria. A proposta não estabelece quais dívidas poderiam ser incluídas, qual seria o público atendido, quais seriam os limites por pessoa, como seria calculado o desconto ou quanto a operação custaria aos cofres públicos. Também não foi apresentada uma engenharia financeira detalhada para chegar aos R$ 3 trilhões estimados por Flávio.
A promessa aparece depois de meses em que o candidato e seus aliados vêm explorando o custo de vida e o endividamento das famílias como temas de campanha.
Flávio tem publicado vídeos em supermercados mostrando preços de produtos e comparando os valores atuais com os registrados durante o governo de Jair Bolsonaro. Nos últimos dias, Daniella Marques, que integra sua equipe, também passou a produzir conteúdo nesse formato, mostrando compras de produtos para bebês e discutindo o impacto dos preços no orçamento das famílias.
O movimento de Flávio ocorre enquanto a campanha de Lula passou a reagir ao tema. Como mostrou O GLOBO, o PT começou a estimular militantes a gravar vídeos em supermercados e comparar preços de alimentos, numa tentativa de responder ao discurso do adversário sobre o custo de vida. Um guia distribuído pela campanha orienta apoiadores a mostrar preços de itens do dia a dia e confrontá-los com os valores do período Bolsonaro.
A estratégia de Lula é diferente da adotada por Flávio, mas o tema econômico já fazia parte da campanha petista em 2022. Naquele ano, Lula explorou a perda de poder de compra e o preço dos alimentos e levou ao horário eleitoral e a entrevistas a promessa de que os brasileiros voltariam a comer picanha e tomar cerveja – promessa que vem sendo cobrada constantemente por Fláivo. Na época, a campanha petista, que rivalizava com Bolsonaro, também usou a imagem de um prato de comida que vai ficando vazio para falar sobre inflação e fome.
O endividamento, porém, se tornou uma agenda própria do governo Lula 3. O primeiro Desenrola, lançado em 2023, renegociou R$ 53,07 bilhões em dívidas de cerca de 15 milhões de pessoas. A segunda versão, lançada neste ano, negociou R$ 28,37 bilhões em dívidas entre maio e agosto, segundo dados do Ministério da Fazenda.
Os resultados também mostram a dificuldade de resolver o problema apenas por meio de renegociações. Dados do Fundo Garantidor de Operações obtidos pelo GLOBO mostram que 30,34% das operações renegociadas no Novo Desenrola estavam inadimplentes em setembro.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a intenção é criar uma política para limpar o nome principalmente de pessoas com dívidas antigas que os bancos e empresas já têm pouca expectativa de conseguir cobrar. Diferentemente das versões anteriores do Desenrola, o consumidor não precisaria necessariamente entrar em uma plataforma para aceitar uma renegociação. A ideia em estudo é que o próprio governo faça um leilão e viabilize a compra dos débitos com desconto elevado.

Flávio disputa eleitor endividado com Lula e promete novo programa de renegociação, que virou vitrine petista