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setembro 25, 2026
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Nossa Senhora do Desterro, Porre Certo e lama medicinal: as histórias de Pedra de Guaratiba

Por · setembro 25, 2026
Nossa Senhora do Desterro, Porre Certo e lama medicinal: as histórias de Pedra de Guaratiba


Pessoas de diversos cantos do Rio de Janeiro enfrentavam o que fosse necessário para tomar uns “biricuticos” e comer pastéis de camarão no bar “Porre Certo”, em Pedra de Guaratiba. Esquecendo-se dos limites do corpo e da ressaca do dia seguinte, era comum ver marmanjos chutando o balde. Um desafio aparecia na sequência: subir a ladeira para voltar para casa. Meus amigos e amigas, aí é que entrava o perigo. A memória local diz que foi preciso até instalar sinalizadores e redutores de velocidade para os automóveis na região. Caso contrário, só Deus salvaria os bêbados. Embora o estabelecimento já não exista mais, seu nome continua sendo usado para identificar a ladeira.
Atualmente, quem vai a esse cantinho da cidade consegue tomar uma cervejinha ou um refrigerante e comer frutos do mar sem a dura missão de encarar a famosa ladeira. E mais: sentado em uma cadeira de plástico, ainda pode observar a Igreja de Nossa Senhora do Desterro, uma das mais antigas do Rio, cuja origem está ligada à lenda de uma mulher escravizada que teria recuperado a visão
Segundo a tradição religiosa, no início do século XVII, essa mulher, que era deficiente visual, caminhava pela praia quando ouviu a voz de Nossa Senhora. O pedido era que uma igreja fosse construída naquele lugar. Ela contou o episódio a seus senhores, Jerônimo e Beatriz, que inicialmente não deram atenção ao relato. Depois de outras três aparições, o casal decidiu erguer uma pequena ermida no local indicado. Ainda de acordo com a lenda, foi no dia da inauguração que a mulher voltou a enxergar.
Pérola carioca
Em 1870, um grupo de pescadores de Pedra de Guaratiba fundou uma das primeiras bandas de bairro do Rio. A iniciativa deu origem à sociedade musical hoje conhecida como Deozílio Pinto, que atravessou gerações e levou sua música a espaços como os Arcos da Lapa e o Museu de Arte Moderna.
O nome homenageia o mestre que assumiu a direção da banda em 1905. Autodidata e de poucas palavras, Deozílio Pinto deixou mais de 1.200 composições. Sua trajetória está ligada a uma época em que os músicos não tinham sede própria: os ensaios aconteciam debaixo de árvores ou no salão de uma igreja da região. Mais de 150 anos depois da fundação, moradores de diferentes gerações continuam a tocar na banda criada pelos pescadores.
Lama medicinal?
A lama de Pedra de Guaratiba já foi anunciada como medicinal e alimentou planos de transformar a região em uma “nova Copacabana”. Nos anos 1950, visitantes procuravam as praias de frente para a Baía de Sepetiba para cobrir o corpo com o material, ao qual eram atribuídas propriedades terapêuticas.
A fama chegou às farmácias. Anúncios de jornais promoviam, por exemplo, o creme Cecilur, produzido com a lama local. Enquanto circulavam relatos de cura, a possibilidade de atrair turistas interessados nesses tratamentos despertava ambições para o bairro.
A Câmara de Vereadores chegou a propor a construção de hotéis-balneários, onde visitantes brasileiros e estrangeiros poderiam se hospedar e realizar os tais tratamentos. É, mas o tempo mostrou que a lama não era tão milagrosa assim, os investimentos não chegaram e, pior, a Baía de Sepetiba ainda ficou poluída, se distanciando de vez da ideia de um “Caribe” na Zona Oeste.
Faça amor, não faça guerra
Se você quiser gerar o terceiro conflito mundial, experimente confundir as bolas entre Praia, Pedra e Ilha de Guaratiba. É uma rixa que permanece até hoje.
Mudando de assunto
O intrépido historiador Luiz Antonio Simas estava passeando pela Bienal do Pantanal quando se apaixonou pelo trabalho da Hámor Edições. Não é que ele propôs que a turma lançasse um livro dele? Os editores quase caíram para trás. Simas é vencedor do Prêmio Jabuti. Deu match, diriam os nossos alunos. Com isso, está em pré-venda “Xirê”, com poemas de terreiro.

Nossa Senhora do Desterro, Porre Certo e lama medicinal: as histórias de Pedra de Guaratiba