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setembro 25, 2026
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Medo de errar: por que mudar de ideia pode ser tão difícil?

Por · setembro 25, 2026
Medo de errar: por que mudar de ideia pode ser tão difícil?


Errar, mudar de ideia e reconhecer que um caminho deixou de fazer sentido são experiências comuns, mas podem ganhar outro peso quando existe uma cobrança constante por acertos. Foi justamente sobre essa dificuldade que Letícia Colin falou no “Saia Justa” ao refletir sobre o medo de tomar decisões equivocadas, a possibilidade de voltar atrás e os limites do controle sobre a própria vida. A fala da atriz toca em uma questão que também aparece nos relatos de outras mulheres conhecidas por trajetórias marcadas pela exposição pública e pela cobrança por desempenho.
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Selena Gomez já compartilhou experiências relacionadas à saúde mental e aos efeitos de estar constantemente sob os olhares do público. Simone Biles, por sua vez, levou a discussão para o esporte de alto rendimento ao deixar algumas provas nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, priorizando sua saúde e segurança diante da pressão da competição. Embora sejam contextos diferentes, os casos ajudam a ilustrar como a expectativa de corresponder a determinados padrões pode afetar a maneira como uma pessoa lida com limites, escolhas e possíveis falhas.
Quando errar passa a definir quem você é
Para a psicóloga Mariane Pires Marchetti, especialista em ansiedade e autoestima, a dificuldade aparece quando um resultado negativo deixa de ser encarado como parte de uma experiência e passa a ser interpretado como uma característica pessoal.
“Quando uma pessoa entende que errar significa necessariamente fracassar, ‘eu errei’ passa a significar ‘eu sou incapaz’ ou ‘eu não sou boa o suficiente’. Isso pode aumentar a ansiedade, a autocobrança e o medo de se arriscar”, explica.
A consequência pode ir além do desconforto diante de uma escolha. O receio de fazer algo errado pode levar à busca por garantias antes de qualquer mudança, mesmo em situações nas quais não existe uma resposta completamente segura. Isso pode aparecer em diferentes áreas, como relacionamentos, trabalho e projetos pessoais.
“Quando existe uma necessidade muito grande de tomar sempre a decisão certa, a pessoa começa a buscar garantias antes de agir. Mas muitas escolhas importantes da vida não oferecem esse tipo de certeza”, afirma Mariane.
O perfeccionismo também pode impedir novas experiências
A tentativa de evitar qualquer possibilidade de fracasso pode, paradoxalmente, fazer com que a pessoa deixe de experimentar. Em vez de aprender com uma experiência que não saiu como esperado, ela pode preferir não se colocar em situações nas quais exista a possibilidade de não corresponder às próprias expectativas.
Cristiane Belmonte Ribeiro, psicóloga, neuropsicóloga e diretora da Belmonte Saúde, chama atenção justamente para esse efeito. “Quem não aprende a errar, para de tentar. E a paralisação é o maior inimigo do crescimento. O erro é parte inevitável de qualquer processo de aprendizado, mudança ou construção”, pondera.
Nesse sentido, rever uma escolha não precisa significar que ela foi necessariamente equivocada. Pessoas mudam, assim como suas prioridades, circunstâncias e necessidades. Uma decisão que fazia sentido em determinado momento pode deixar de fazer posteriormente.
Redes sociais podem ampliar a autocobrança
A comparação também ganha força em um ambiente no qual conquistas profissionais, relacionamentos, aparência e momentos de felicidade são compartilhados diariamente. Nas redes sociais, porém, o que aparece costuma ser apenas uma parte da experiência de cada indivíduo.
“As redes sociais mostram, na maior parte das vezes, recortes da vida. A pessoa compara os próprios bastidores com o resultado que vê na vida dos outros e pode concluir que está ficando para trás”, observa Mariane.
Essa comparação pode alimentar a sensação de que existe um ritmo ideal para alcançar determinados objetivos ou de que é preciso demonstrar segurança mesmo diante de dúvidas. Para quem já apresenta uma tendência à autocobrança, a exposição constante a esses recortes pode reforçar a impressão de que errar ou mudar de rota representa uma falha.
Mudar de ideia também faz parte do processo
Recomeçar, nesse contexto, pode significar reconhecer que novas informações ou experiências mudaram a maneira de enxergar determinada situação. Em vez de permanecer preso a uma escolha anterior apenas para não admitir uma mudança de direção, é possível considerar o que faz sentido no presente.
“Mudar de ideia, voltar atrás ou recomeçar pode ser sinal de maturidade. Mostra que você está em contato com quem é hoje, e não preso a uma decisão tomada em outro momento da vida”, avalia Cristiane.

Medo de errar: por que mudar de ideia pode ser tão difícil?