O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quinta-feira que o fim da reeleição já valerá para ele caso seja eleito presidente no segundo turno. Ele tem defendido a aprovação de uma Proposta da Emenda à Constituição (PEC), apresentada por ele no Senado, que encerra a possibilidade de renovação de mandato na Presidência da República.
— Vale para mim já. A reeleição precisa acabar — disse Flávio.
Em uma declaração anterior, ele havia dito que que as mudanças na Constituição defendidas por ele passam por uma reforma do Judiciário, pela redução da maioridade penal e pelo fim da reeleição.
— — Temos que respeitar a política, tem várias PECs possíveis. Tem que haver uma reforma do Judiciário. Sou a favor da diminuição da maioridade penal, tem que ser por PEC. O fim da reeleição também tem que ser por PEC, e é o Congresso que vai decidir se são quatro ou cinco anos. Qualquer coisa diferente disso é especulação. Vi gente dizendo que agora, com maioria, Flávio vai fazer o que o pai não fez. Para com isso. Vamos aterrissar no mundo real — disse Flávio. — Vou usar o capital político de um presidente recém-eleito para aprovar essa PEC (do fim da reeleição).
Flávio reebeu o apoio do Podemos nesta quinta-feira.
— Em nome da Renata (Abreu, presidente do Podemos), quero agradecer a todo partido (Podemos). Não estamos falando de alinhamento automático ou carta em branco. É um livro que vamos escrever juntos. vou ser um presidente que ouve demais e está aberto a projetos que não estejam na nossa pauta. 90% das dores das pessoas não tem cor partidária. Isso eu aprendi com o professor Augusto Cury — disse Flávio.
Cury foi candidato à Presidência pelo Avante e chegou em terceiro, com 2,89%, o equivalente a 3,4 milhões de votos.
A declaração ocorreu em Brasília, após uma reunião com dirigentes do Podemos, que anunciou apoio ao senador no segundo turno da disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A adesão do Podemos, presidido pela deputada Renata Abreu, amplia a sequência de apoios partidários recebidos por Flávio desde a votação de domingo. Na quarta-feira, o candidato já havia recebido o respaldo da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, além do Novo e do Republicanos.
As articulações têm contado com a participação de aliados como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o coordenador político da campanha, senador Rogério Marinho. A estratégia é concentrar os primeiros dias do segundo turno na ampliação do arco de alianças, incorporando partidos e lideranças que não estiveram formalmente no palanque de Flávio na primeira etapa da eleição.
Além do efeito eleitoral, aliados do candidato veem as negociações como uma forma de antecipar a construção de uma eventual base de sustentação no Congresso. O movimento começou no início da semana, quando os ex-adversários Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) anunciaram apoio ao senador.
A campanha também mantém conversas com setores do MDB, cuja direção nacional ainda não definiu uma posição para o segundo turno. A tendência, contudo, é de neutralidade.
Depois de uma semana concentrada em articulações políticas em Brasília, Flávio deverá retomar as agendas de rua nesta sexta-feira. A previsão é que cumpra compromissos no Rio de Janeiro entre sexta e sábado e siga para São Paulo no domingo.
Flávio diz que fim da reeleição já valerá para ele caso seja eleito, mas abre possibilidade de Congresso estender mandato para cinco anos
