O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se referiu ao presidente Luíz Inácio Lula da Silva (PT) como “caloteiro da esperança” e subiu o tom contra o governo neste domingo, na Praia de Copacabana, na largada da campanha nas ruas. O presidenciável também subiu o tom contra o governo em um discurso focado na segurança pública e nos atritos com os s Estados Unidos. O ato também marcou o lançamento da candidatura do deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ), escolhido para encabeçar o palanque bolsonarista no Rio de Janeiro neste ano.
— O atual governo briga com países que estão a 10 mil quilômetros de distância da gente, em outro continente, mas não briga com o ladrão vizinho, com traficante, com estuprador, assaltante e assassino — disse. — Disseram que Lula traria esperança para o povo brasileiro. O que era esperança virou medo […]. O Lula é o caloteiro da esperança.
O senador também afirmou que, por conta do crime organizado, o país “perdeu a soberania” e culpou a gestão federal pelo aumento do endividamento. Flávio também afirmou que a “corrupção chegou dentro do gabinete do presidente”, em referência às investigações contra Marco Aurélio Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula investigado pela Polícia Federal.
Junto do presidenciável, também estava o deputado federal Alfredo Gaspar, ex-presidente da CPMI do INSS e indicado como vice na chapa presidencial. Investigado por suspeita de desvio de emendas e pela acusação de estupro de uma menina de 13 anos, Gaspar foi descrito como alvo de “uma das maiores fake news do país”.
Em seu primeiro discurso da campanha, Gaspar jurou lealdade a Flávio e disse que tem como objetivo “tirar Bolsonaro do cativeiro” e “declarar guerra ao crime organizado”.
— Cinquenta milhões de brasileiros estão sob o domínio territorial do crime organizado. Esse é o produto do Lula e do PT há 20 anos no poder. Há a maior taxa de juros da história, o povo está abandonado, as pessoas estão abandonadas. O sistema quis matar Bolsonaro — disse Gaspar. — Estarei [na campanha] como para-choque e retaguarda para nós devolvermos o Brasil aos brasileiros de bem.
Durante o ato, Flávio também esteve acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, que discursou brevemente e fez um aceno ao eleitorado feminino, defendendo “mais oportunidades”.
Também estavam presentes o senador Rogério Marinho (PL-RN) e a mãe, Rogéria Bolsonaro, que concorrerá a uma vaga na Câmara dos Deputados neste ano, e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), no entanto, não compareceu.
Proibido de visitar o pai até o início de outubro, após divulgar uma carta escrita pelo ex-presidente, Flávio disse que o senhor pai poderia acompanhar as imagens do evento pela televisão e puxou o coro “volta Bolsonaro”. O senador também transmitiu um áudio de um discurso do pai.
Copacabana na largada da campanha
A praia de Copacabana foi escolhida pelo senador para a largada da campanha por ter sido palco das principais manifestações promovidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o governo, afirma Bruno Bonetti, presidente do PL no Rio de Janeiro.
— Simbolicamente é importante a gente fazer um evento aqui em Copacabana depois de tantos. Passa nos meus olhos tanta história que a gente já viveu aqui com o presidente Bolsonaro. Na verdade, isso aqui sem ele não é a mesma coisa, né? Para quem participou de tudo que a gente fez. Mas o bastão foi passado para o Flávio, e a gente está muito confiante. Vamos ganhar do Lula e do Eduardo Paes — disse Bonetti ao GLOBO. — O primeiro dia é uma largada, mas o que importa é o último.
Na entrada do comício, o partido fechou a pista direita da Avenida Atlântica e organizou um corredor para a entrada do senador e de outros candidatos. O corredor conduzia um grupo seleto até o trio elétrico, de onde foram ouvidos os discursos. A subida no veículo, no entanto, provocou empurra-empurra entre organizadores do evento e apoiadores, que disputavam espaço na porta.
No local, apoiadores também seguravam bandeiras e faixas em apoio ao senador e a outros candidatos do PL. Os seguidores também ironizaram o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que chegou a ser imitado por um apoiador vestido com fraldas e a toga do magistrado. Além disso, influenciadores que pleiteiam vagas na Câmara, como Breno Faria, dono do perfil “Café com Teu Pai”, e Vanessa Silva, conhecida como “Negona do Bolsonaro”, também estiveram presentes.
Também com participação no ato, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante afirmou que, ao longo da campanha, o perfil do senador poderá alternar entre uma figura mais “moderada” e momentos mais combativos.
— Pode haver momentos que ele tem que ser um pouco mais perfil do pai, mas a essência do Flávio é um político que tem mais diálogo, mais equilibrado, mais moderado que o pai, mas eleição é muito de momento. Então, vocês podem ver um Flávio um pouco mais agressivo e, em algum momento e falar: “mas esse não é o Flávio que disseram que seria”. Isso porque vai depender muito do clima da eleição — disse ao GLOBO.
Primeira hora
Com a campanha autorizada pela Justiça, o senador também reuniu apoiadores em uma live, transmitida pelo seu canal do YouTube, e da iniciada meia-noite deste domingo. A estratégia também foi repetida nas redes sociais por aliados do senador, como que os deputados Sóstenes, Nikolas Ferreira (PL-MG) e Carlos Jordy (PL-RJ), que concorrerá ao Senado pelo Rio neste ano.

