O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, se reunirá no próximo domingo com Gustavo Villatoro, ministro da Justiça de El Salvador. A agenda foi anunciada pelo próprio candidato durante sua live nesta quinta-feira. Ele, contudo, não deu detalhes sobre onde o encontro será realizado.
— Domingo tem previsto aqui uma conversa com Gustavo Villatoro, que é simplesmente o ministro da Justiça de El Salvador, um país que se destacou mundialmente por ter conseguido zerar praticamente a criminalidade. Um local que era dominado por facções criminosas, muito parecido com o que acontece aqui no Brasil hoje. El Salvador se tornou um dos países mais seguros do mundo e é por isso que a gente fala que é uma inspiração, sim, para o que nós pretendemos fazer na parte de segurança pública — disse Flávio.
A reunião ocorre poucos meses depois de Flávio apresentar seu plano de segurança pública, no qual propõe a criação de cinco presídios de segurança máxima inspirados no modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele. O programa “Brasil Sem Medo” prevê ainda meio milhão de novas vagas no sistema prisional e a criação de um complexo federal de segurança máxima para lideranças de facções criminosas.
O modelo salvadorenho se tornou uma das principais referências da direita brasileira na área de segurança. Desde 2022, Bukele mantém um regime de exceção que ampliou os poderes das forças de segurança e permitiu prisões sem ordem judicial. O governo atribui à estratégia uma forte redução dos homicídios no país, mas a política também é alvo de denúncias de detenções arbitrárias, tortura, execuções de detentos e perseguição a ativistas e jornalistas.
Flávio já esteve em El Salvador e visitou o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), presídio que virou símbolo da política de Bukele. Villatoro é um dos principais responsáveis pela condução dessa política de segurança.
O encontro com o ministro ocorre em um momento em que El Salvador se consolidou como ponto de peregrinação de políticos da direita brasileira interessados em conhecer ou defender a reprodução do modelo no Brasil. Outros nomes do campo conservador, como Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e os candidatos à Presidência Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), já visitaram o país ou defenderam publicamente medidas inspiradas no governo Bukele.
Além dos presídios, o plano de Flávio prevê medidas como castração química para condenados por estupro, redução da maioridade penal, fim da progressão de pena para condenados por crimes hediondos e a classificação de facções criminosas e milícias como “organizações narcoterroristas”.
Antes do encontro, no sábado, Flávio estará em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, onde participará de uma “barqueata”.