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outubro 14, 2026
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Flávio venceu Lula em sete a cada dez cidades da Amazônia com mais registros de desmatamento, queimada e garimpo

Por · outubro 14, 2026
Flávio venceu Lula em sete a cada dez cidades da Amazônia com mais registros de desmatamento, queimada e garimpo


O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, venceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na maioria das cidades que registram os maiores índices de desmatamento, queimada e garimpo na Amazônia Legal. Dos 21 municípios que figuram nos três rankings (alguns aparecem em mais de um), Flávio venceu em 15, pouco mais de 70% deles, e o petista, em seis.
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A atividade econômica dessas localidades sofre forte influência da extração de madeira e de ouro, da grilagem, da criação de gado e da produção de soja em áreas desmatadas. Enquanto Lula tem defendido o fortalecimento da fiscalização contra o desmatamento e atividades ilegais como o garimpo em terras indígenas, Flávio vem pregando na campanha o fim de “amarras ambientais” e mudança nas leis para “acelerar e tirar essa riqueza que está embaixo da terra”.
O discurso do senador, focado no aspecto econômico da exploração de recursos naturais, pode ter sido mais eficaz nas urnas dessas cidades sob maior pressão ambiental que o de conservação e desenvolvimento sustentável do petista.
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Nas dez cidades com taxas mais altas de desmatamento nos últimos doze meses, Flávio abriu larga vantagem no primeiro turno presidencial. Venceu em oito, com destaque para as três primeiras da lista. O senador conquistou 63,25% dos votos em Altamira (PA), 72,29% em São Félix do Xingu (PA) e 76,70% em Colniza (MT). Juntos, esses três municípios tiveram alertas de aproximadamente 395 quilômetros quadrados de área devastada entre setembro de 2025 e setembro de 2026, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Flávio vence Lula em 70% das cidades com maior risco ambiental da Amazônia.
O Globo
Equilíbrio delicado
A vantagem de Flávio sobre Lula foi similar nas cidades mais ameaçadas pelas queimadas e pelo garimpo. O senador venceu em sete do primeiro ranking e oito do segundo. As exceções foram Portel (PA), Lábrea (AM), Novo Aripuanã (AM), Moju (PA), Calçoene (AP) e Jutaí (AM), onde Lula obteve maioria dos votos.
Apesar do baixo desempenho especificamente em locais marcados pela alta atividade exploratória da floresta e fiscalização insuficiente, Lula obteve mais votos que Flávio na maioria dos municípios da Amazônia Legal: o presidente venceu em 425 cidades, contra 351 do candidato do PL.
Já na divisão entre os nove estados da Amazônia Legal — que se divide entre as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste —, Flávio saiu na frente. Ele venceu em cinco: Acre, Rondônia, Roraima, Mato Grosso e Tocantins Já Lula conquistou fatia maior do eleitorado em Amazonas, Pará, Maranhão e Amapá.
Na comparação com seu pai, Jair Bolsonaro, Flávio adotou um discurso mais comedido durante a campanha nas oportunidades que teve de falar sobre ações de fiscalização ambiental, que tanto irritavam o ex-presidente, mas indicou seguir a mesma linha. Em ato de campanha em Altamira, em junho, o senador prometeu que tiraria o Estado “do cangote” dos produtores.
Em seu programa de governo, Flávio promete que o “rigor da fiscalização será dirigido a quem comanda o crime organizado, não a quem vive na floresta” e que vai “eliminar superposições” entre Ibama, Funai e ICMBio, órgãos na linha de frente do combate aos crimes ambientais e contra populações tradicionais. “Vamos acabar com a política que criminaliza o morador da floresta, substituindo a punição cega por um caminho de orientação, regularização e oportunidade”, diz o texto.
Desmatamento em queda
Por outro lado, o candidato também prometeu monitorar o desmatamento com a ajuda da inteligência artificial (IA). “Teremos a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029”, afirma o programa de Flávio. No governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, o desmatamento na Amazônia subiu nos três primeiros anos. Recuou em 2022 e aprofundou a queda a partir de 2023, quando Lula assumiu.
Lula tem destacado na campanha não só a redução do desmatamento, como reivindica para seu governo a reconstrução do Ibama, que diz ter sido enfraquecido propositalmente por seu antecessor. Em setembro, numa cerimônia no Palácio do Planalto para marcar o Dia da Amazônia, ele afirmou que a proteção da biodiversidade pode estar em risco:
— Para destruir isso, é só um salafrário qualquer, que não gosta da questão ambiental, assumir o governo.
No plano do petista, a meta é alcançar o desmatamento zero até 2030. “Para isto, todas as instâncias do governo persistirão atuando de forma integrada na implementação dos planos de controle e prevenção do desmatamento e na implementação plena do Plano Nacional de Manejo Integrado do Fogo”, diz o documento. O petista promete atuar para evitar alterações no Código Florestal e na Lei da Mata Atlântica, além de “avançar” na destinação das terras públicas para unidades de conservação.
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