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Força feminina: estudantes vão a campo estudar os oceanos

Por · setembro 29, 2026
Força feminina: estudantes vão a campo estudar os oceanos


Dois projetos acadêmicos estão mostrando a força feminina na ciência. Estudantes da Zona Norte estão tendo a oportunidade de conhecer laboratórios, pesquisas de campo e diferentes áreas da ciência por meio do projeto “Estrelas do mar: meninas e mulheres no centro das ciências climáticas e oceânicas”. Na Zona Sul, alunas do Solar Meninos de Luz tiveram tão bom resultado num trabalho feito no laboratório da escola que foram apresentá-lo na UFRJ.
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O projeto “Estrelas do mar: meninas e mulheres no centro das ciências climáticas e oceânicas” é uma iniciativa da Universidade Veiga de Almeida (UVA), na Tijuca, em parceria com o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), no Maracanã. Integram o projeto 20 alunas do ensino médio do IFRJ e 17 estudantes de Ciências Biológicas da UVA. Até dezembro, elas participam de oficinas, atividades de campo e experiências em laboratórios, com foco em mudanças climáticas, preservação dos oceanos e divulgação científica.
Para Mariana Pereira da Costa, de 15 anos, aluna do curso técnico em Meio Ambiente do IFRJ, a experiência amplia o aprendizado para além da sala de aula.
— Estar com pessoas que compartilham a mesma paixão pelo meio ambiente me faz ter ainda mais interesse nas atividades, compartilhar ideias e fazer perguntas — conta a estudante, que pretende cursar Oceanografia ou Engenharia de Petróleo, com foco em preservação e gestão ambiental.
As alunas também participam de atividades práticas. Myrella Mello, estudante de Ciências Biológicas da UVA, destaca as saídas de campo, como a realizada na Ilha Grande.
— Essas saídas e as vivências nos laboratórios têm me impactado de forma surpreendente, pois me permitiram entender a realidade dos moradores locais. Vejo minha participação como a de uma verdadeira colaboradora. No futuro, pretendo seguir na área de biologia marinha e pesquisa — afirma.
A programação inclui oficinas de fotografia científica, experiências nos laboratórios maker e de biologia marinha da UVA, oficina de drones na Nave do Conhecimento do Engenhão e aulas sobre mudanças climáticas e acidificação dos oceanos.
As participantes também produzem a série “Minuto estrelas do mar”, publicada nas redes sociais do projeto. Após uma oficina de storytelling, cada uma escolheu uma espécie de ecossistemas marinhos e costeiros para pesquisar os impactos das mudanças climáticas e criar episódios a partir do conteúdo.
Uma das experiências foi uma imersão de três dias no Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável da Uerj (Ceads), na Ilha Grande. As estudantes fizeram coletas de água e sedimentos nas praias de Dois Rios e do Abraão e participaram de atividades com meninas da comunidade local.
Para Viviane Japiassú, professora da UVA e do IFRJ e uma das organizadoras da iniciativa, a iniciativa pode aproximar as jovens da carreira científica:
— O contato direto com cientistas e a vivência em campo aproximam jovens meninas das ciências climáticas e oceânicas e de áreas STEM (acrônimo em inglês para ciências, tecnologia, engenharia e matemática). A iniciativa é fundamental para a permanência das estudantes no ambiente acadêmico.
O projeto segue com atividades até dezembro.
Da favela para os laboratórios da UFRJ
Solar Meninos de Luz. Alunas desenvolvem pesquisas sobre temas ligados ao próprio território
Divulgação/Raquel Maia
Antes de apresentar um resumo científico na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um grupo de alunas do Solar Meninos de Luz, instalado em Copacabana, na Zona Sul, decidiu ocupar um espaço bem mais próximo de casa: o laboratório de ciências da própria escola. O movimento, iniciado por estudantes do ensino fundamental II, deu origem ao Elas Fazem Ciência no PPG, projeto que aproxima meninas do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo das práticas científicas e do ambiente universitário.
Entre os próximos dias 5 e 9, elas participarão da Semana de Integração Acadêmica da UFRJ, evento de ensino, pesquisa e extensão da universidade, para apresentar o trabalho desenvolvido ao longo do ano. O resumo científico elaborado pelas estudantes, com orientação da professora Carolina Rodrigues e em parceria com o projeto Meninas na Química, da UFRJ, foi aceito sem necessidade de alterações.
Ao longo de 2026, as alunas passaram a investigar questões ligadas ao próprio território por meio de experimentos, análise de dados, saídas de campo e visitas a espaços de produção de conhecimento. Os temas incluem qualidade da água, descarte de resíduos, calor urbano, consumo e sustentabilidade, sempre acompanhando as etapas de uma pesquisa científica, da formulação das perguntas à apresentação dos resultados.
Microscópio. Parte da rotina de experimentação criada pelo Elas Fazem Ciência
Divulgação/Raquel Maia
A primeira visita à UFRJ aconteceu em abril, quando o grupo conheceu laboratórios e pesquisas sobre cultura oceânica nos centros de Ciências da Saúde e de Tecnologia. Para Carolina Rodrigues, professora de química e diretora pedagógica do ensino fundamental II e do ensino médio do Solar, o contato com pesquisadoras também amplia as possibilidades que as estudantes enxergam para si mesmas.
— Ao conhecerem mulheres que ocupam a universidade e atuam na ciência, especialmente mulheres negras, as alunas encontram novas referências e ampliam a forma como imaginam seus próprios caminhos — diz Carolina.
O projeto é coordenado por uma professora negra, doutora em Educação em Ciências e Saúde, mestre em Ensino de Química e pós-doutoranda em estudos de raça e gênero nas ciências pela UFRJ. A iniciativa surge em um cenário em que, embora as mulheres sejam maioria entre estudantes e tituladas na pós-graduação, a participação de negras na carreira científica ainda é reduzida, segundo dados do CNPq.
— Educar não é apenas cumprir currículo. É ampliar repertórios, criar oportunidades, fortalecer a autoestima, desenvolver autonomia intelectual e oferecer experiências que ajudem cada aluno a construir um projeto de vida com mais liberdade — afirma a diretora pedagógica Isabela Maltarolli, presidente do Solar Meninos de Luz.
*Esta reúne textos publicados nos especiais de Educação do GLOBO-Zona Sul e do GLOBO-Zona Norte em 26/9
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