A Marinha do Brasil fechou a compra do navio de guerra britânico HMS Bulwark, segundo divulgado pela Força nesta quarta-feira. Os documentos que formalizam a aquisição brasileira foram assinados a bordo do HMS “Mersey” por autoridades nacionais e do Reino Unido. A Marinha trata a compra do navio como um “marco no esforço de recomposição do núcleo do Poder Naval”, que vai contribuir para “o exercício da soberania em águas sob jurisdição do Estado”.
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O HMS Bulwark se encontra na cidade de Plymouth, onde passa por uma obra de revitalização prevista para durar até o próximo ano.
A assinatura da compra foi feita pela diretor-geral do Material da Marinha, almirante de Esquadra Edgar Luiz Siqueira Barbosa, e pelo second sea lord da Royal Navy, vice-almirante Martin Connell, com a presença do comandante da Marinha, almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen.
De acordo com a Marinha, a embarcação será usada na proteção da Amazônia Azul, região estratégica das águas jurisdicionais brasileiras, rica em recursos naturais e minerais.
“A aquisição do HMS ‘Bulwark’ constitui um marco no esforço de recomposição do núcleo do Poder Naval, contribuindo sobremodo para o exercício da soberania em águas sob jurisdição do Estado. A Marinha do Brasil reafirma, assim, seu compromisso com a ampliação da capacidade de presença em áreas de interesse e com a condição de eficiência adequada para atuar em diferentes cenários, seja em operações de defesa ou em apoio à população brasileira em situações de emergência, em especial nas respostas a desastres naturais e missões de assistência humanitária”, afirmou Olsen, por meio de comunicado oficial.
Ainda neste mês, 48 militares brasileiros devem viajar à Inglaterra, onde serão treinados para operar o HMS Bulwark, além de acompanharem o reparo do navio. Em novembro, outros 44 militares serão capacitados para atuar na embarcação. O restante da tripulação deve ir ao Reino Unido apenas em 2026, após o fim da reforma do navio.
“Este navio desempenhará um papel crucial nas missões operativas da Marinha do Brasil na defesa da Amazônia Azul, bem como ser empregado em missões de caráter humanitário e resposta a desastres naturais”, destaca a Marinha, em nota. Classificado como um “navio doca-multipropósito”, o Bulwark é um tipo de embarcação empregado no transporte de tropas, veículos, helicópteros, equipamentos, munições e provisões.
Com 176 metros de comprimento, o navio britânico tem capacidade para 290 tripulantes, além de conseguir transportar uma tropa de até 710 militares. O convés de voo consegue operar até duas aeronaves de grande porte.
A existência de negociações vislumbrando a compra dos navios já havia sido confirmada pela Marinha brasileira. Em fevereiro, o caso repercutiu na imprensa inglesa e virou alvo de controvérsia no parlamento britânico. As embarcações militares estariam sendo vendidas pelo equivalente a R$ 145 milhões, uma fração do valor gasto pelo Ministério da Defesa do Reino Unido com os Albion e o Bulwark nos últimos 14 anos.
“Há alguns anos, o Comitê de Defesa da Câmara dos Comuns descreveu a ideia de eliminar estes dois navios anfíbios importantes como analfabetismo militar”, disse o parlamentar Mark Francois, do Partido Conservador, ao jornal The Daily Mail na ocasião. Francois ocupa a função de Ministro da Defesa das Sombras, cargo sem poderes executivos, mas que tem como dever fiscalizar as ações do titular da pasta.
“Dado o quanto o Ministério da Defesa gastou para reequipá-los nos últimos anos, vendê-los repentinamente a um preço de banana também é ‘analfabetismo financeiro””, completou Francois ao jornal britânico.
Os navios teriam sido ofertados ao Brasil pelo valor de 20 milhões de libras, o equivalente a R$ 145 milhões. Em novembro de 2024, a atual ministra da Indústria de Defesa, Maria Eagle, afirmou que, desde 2010, o Albion e o Bulwark custaram £132,7 milhões (R$ 966 milhões) em reformas.
Em janeiro do ano passado, o então ministro britânico das Relações Exteriores, o conservador Andrew Mitchell, declarou que os dois navios não seriam descartados antes do planejado, no início da década de 2030. Na época, a aposentadoria do Albion e do Bulwark foi aventada como uma solução para liberar marinheiros para outros navios em meio a uma crise de recrutamento na Marinha.
Com a mudança de governo nos meses seguintes, os planos dos britânicos mudaram. Em 20 de novembro, o Secretário de Defesa John Healey, do Partido Trabalhista, anunciou que o Albion e o Bulwark seriam desativados. Os dois navios já se encontravam na prática fora de operação e custavam aos cofres públicos R$ 65 milhões ao ano:
“De acordo com o planejamento atual, nenhum dos dois deveria voltar ao mar antes das datas planejadas de desativação, em 2033 e 2034”, disse Healey, segundo o jornal britânico.