As autoridades de saúde da França anunciaram, nesta quarta-feira, a detecção do primeiro caso de Ebola no país em meio ao surto atual do vírus. O paciente é um médico que retornou recentemente da República Democrática do Congo (RDC), epicentro da epidemia que foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma emergência de saúde pública de importância internacional, o estágio mais elevado de alerta do órgão.
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O Ministério da Saúde francês “confirma hoje a identificação de um primeiro caso positivo de doença por vírus Ebola no território nacional”, informou em comunicado. Em resposta a perguntas da AFP, a entidade esclareceu que o caso foi detectado na França continental.
Trata-se também da primeira vez que um caso de Ebola é diagnosticado na França de modo geral. Em 2014, durante uma grande epidemia na África Ocidental, dois pacientes foram recebidos para tratamento no país, mas haviam sido diagnosticados no exterior.
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Além disso, o caso francês é o primeiro identificado fora do continente africano em meio à epidemia atual, que afeta principalmente a RDC e Uganda. Ainda assim, especialistas acreditam que o risco de expansão do surto continua baixo a nível mundial devido ao modo de transmissão do vírus Ebola.
O contágio ocorre pelo contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou falecidas pela doença, o que limita a capacidade de disseminação em comparação com vírus respiratórios, como o Influenza, da gripe, ou SARS-CoV-2, que causa a Covid-19.
“O Centro Europeu para a Prevenção e o Controle de Doenças (ECDC) considera que o risco de infecção é baixo para residentes europeus e viajantes que vão a áreas de transmissão ativa, e muito baixo para a população europeia em geral”, lembra o ministério francês.
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Surto de Ebola continua crescendo
Em meados de maio, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, decretou que o surto atual de Ebola na RDC e em Uganda representa uma emergência de saúde pública de importância internacional, o estágio mais alto de alerta da organização.
Esse é o 17º surto de Ebola desde que o vírus foi identificado pela primeira vez, em 1976, e a terceira vez em que a OMS decreta emergência internacional pelo patógeno. Recentemente, porém, os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças alertaram que, se não for contido, esse pode se tornar o pior surto da história.
Segundo o último informe da RDC, de 22 de junho, já são 1.094 casos confirmados da doença e 277 mortos, uma taxa de letalidade de 25,3%. Destes, 46 casos foram confirmados apenas nas 24 horas anteriores. Em Uganda, de acordo com a OMS, até o dia 18, eram 19 casos confirmados e 2 óbitos, uma taxa de letalidade de 15%.
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A organização classifica o risco na RDC e em Uganda como “muito alto” e “alto” para os países que compartilham fronteiras terrestres com eles. Já os riscos regional e global permanecem “baixos”. Ainda assim, a OMS alerta que diversos fatores continuam a dificultar a resposta ao surto.
“A crescente distribuição geográfica das zonas de saúde afetadas, a transmissão persistente em contextos urbanos e ligados à mineração, as taxas subótimas de acompanhamento de contatos em algumas províncias e a insegurança contínua nas áreas afetadas continuam a complicar as operações de resposta e a aumentar o risco de maior disseminação dentro da República Democrática do Congo e para os países vizinhos”, diz no último relatório de monitoramento.
Um diferencial é que a espécie do Ebola que causa o surto atual é a Bundibugyo, para a qual não há vacinas ou tratamentos aprovados. Essa cepa causou apenas outros dois surtos, registrados em 2007 e 2012.

