As autoridades francesas entregaram, nesta terça-feira (3), em Paris, as cinzas do escritor Miguel Ángel Asturias, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, à sua família para que sejam repatriadas à Guatemala, após mais de meio século sepultadas em um cemitério parisiense.
Asturias, advogado, escritor e diplomata, morreu em 1974 na Espanha e foi enterrado na capital francesa, onde havia morado durante longos períodos. Seu túmulo, em forma de uma estrela maia estilizada, se destaca no cemitério Père-Lachaise, onde estão enterradas diversas personalidades, como Honoré de Balzac, Édith Piaf e Jim Morrison.
Em uma cerimônia na Prefeitura de Paris, nesta terça-feira, as autoridades municipais entregaram ao filho do escritor a urna com os restos mortais de seu pai.
Emocionado, Miguel Ángel Asturias Amado abraçou o pequeno recipiente, coberto por um tecido artesanal.
— É muito difícil, como filho, ter tomado a decisão de que meu pai voltasse à sua pátria […] deixando este país que ele tanto amou e estimou — declarou à AFP o homem de 85 anos, após a cerimônia.
— É um momento de tristeza, mas também de alegria, porque dois países compreenderam Miguel Ángel Asturias e hoje o entregam a mim com todo o amor — acrescentou.
A previsão é que os restos mortais do autor guatemalteco cheguem ao país em 12 de novembro, onde, dois dias depois, serão realizadas as homenagens fúnebres no Palácio Nacional. No dia seguinte, as cinzas do Gran Lengua (Grande Língua), como o escritor é conhecido, serão depositadas em um monumento no principal centro cultural do país, que leva seu nome.
Em Paris, uma placa em seu túmulo lembrará que seus restos mortais permaneceram por 52 anos no famoso cemitério, muito visitado por turistas.
Vencedor do Nobel de Literatura em 1967, Asturias é um dos seis escritores latino-americanos que receberam o prestigioso prêmio, mas é muito menos conhecido que o mexicano Octavio Paz, o peruano Mario Vargas Llosa, o colombiano Gabriel García Márquez e os chilenos Gabriela Mistral e Pablo Neruda.
França entrega cinzas do escritor Miguel Ángel Asturias para repatriação à Guatemala após mais de 50 anos
