Na era da tecnologia e das inovações, França e Paraguai entregaram, nas oitavas de final da Copa do Mundo, um jogo de mata-mata à moda antiga. A retranca e principalmente a catimba paraguaia, capaz de enrolar até as novas regras de arbitragem da Fifa, foram dignas de uma boa partida de Libertadores. Mas, as vezes, o futebol ainda se mostra um esporte simples. Desde que o mundo é mundo, nada é tão eficaz contra fortes sistemas defensivos como um bom drible. Foi o que entregou Doué, derrubado dentro da área para sofrer pênalti cobrado por Mbappé, autor do gol que deu a vitória por 1 a 0 aos franceses.
— A gente sabia que tipo de jogo teríamos, e acho que fomos muito bem. Mostramos que sabemos jogar contra uma equipe defensiva. Se eles vão nos mandar a merda, nós vamos manda-los a merda também. Então soubemos fazer esse tipo de jogo. Cada um usa suas armas para ganhar jogos, porque não há uma só maneira de jogar. Eles não quiseram jogar tanto futebol e mostramos que somos melhores que eles — disparou Mbappé após a partida.
Classificada para as quartas de final, a França terá, contra Marrocos, uma reedição da semifinal da Copa do Mundo de 2022. Na ocasião, os europeus venceram por 2 a 0. Agora, são novamente favoritos tanto pelo histórico, quanto pelo que foi desempenhado até aqui. Não que os marroquinos estejam em má fase. Muito pelo contrário. Mas sim pelo que tem sido a trajetória do estrelado plantel francês.
Melhor time do Mundial até o momento, a França tem uma capacidade que impressiona de encontrar formas de vencer uma partida. Contra o Paraguai, por exemplo, os titulares tentaram de tudo: chutes de média e longa distância, bolas alçadas na área, movimentações e tabelas rápidas, infiltrações… Nada foi capaz de furar a boa estratégia montada por Gustavo Alfaro para “escapar dos raios” franceses, como o próprio definiu. Prevaleceu, então, a qualidade do elenco dos finalistas das últimas duas Copas do Mundo.
Postulante ao prêmio de melhor jogador jovem da Copa do Mundo, Doué, de 21 anos, foi acionado por Deschamps aos 16 minutos da segunda etapa e precisou de pouco tempo para surtir efeito no jogo. Apenas sete minutos depois, em grande jogada individual pelo lado esquerdo, o atacante do PSG enfileirou dribles e passou no meio de defensores do Paraguai duas vezes seguidas. Na terceira, foi derrubado pelo pouco cauteloso Diego Gómez. Pênalti assinalado com auxílio do VAR.
Na cobrança, Mbappé, provocado ao longo de toda a partida, voltou a demonstrar sua característica frieza para deslocar o bom goleiro Orlando Gill, um dos destaques do Paraguai no Mundial, para marcar o gol da classificação francesa. Foi o sétimo do camisa 10 na Copa do Mundo, mesmo número de Lionel Messi. Na artilharia histórica do torneio, o argentino tem 20 contra 19 do francês.
Se, nas primeiras partidas da Copa do Mundo, o coletivo da França sobressaiu contra os adversários — alguns de qualidade, como Senegal e Noruega —, neste sábado foi a vez dos europeus darem razão aos torcedores (e secadores) que reforçam, dia após dia, a quantidade de estrelas à disposição de Didier Deschamps.
Sem Tchouaméni, do Real Madrid, que sentiu desconforto na coxa e foi desfalque para a partida, o técnico pôde escalar Koné, volante em ascensão na Roma-ITA. Já ao longo dos 90 minutos, fez duas substituições: promoveu as entradas dos jovens Doué e Cherki, do Manchester City. Nada mal…
Para o Paraguai, fica a confirmação da qualidade desta geração. De volta à Copa do Mundo após 16 anos, os sul-americanos orgulharam o continente ao eliminarem a Alemanha e têm como acalanto a pressão exercida sobre a França nos minutos finais. Taticamente, a equipe teve mais sucesso com um estilo reativo, como contra Turquia, os próprios alemães e França, do que propositivo, como nas partidas com os Estados Unidos e a Austrália. Fica a expectativa para a Copa América de 2028.
