Com forte influência do Oceano Atlântico, os vinhos de Lisboa encantam pela diversidade e frescor. Embaixadora da região, a sommelière Elaine de Oliveira recomenda que as pessoas conheçam tanto os encantos regionais quanto os rótulos produzidos ali. Segundo Elaine, eles não perdem em nada para as outras regiões de Portugal.
— É uma região que vale muito conhecer, uma das mais espetaculares. Ela tem mar, serra, castelos, conventos. Vá e fique duas semanas, porque uma é muito pouco. Assim você conhece todas as praias, como a de Nazaré, com as ondas mais altas do mundo. Vá a Fátima para rezar. Ficam lá o castelo de Óbidos e outros, além do Convento de Mafra, que é a coisa mais linda do mundo — explica ela, em degustação da Comissão Vitivinícola Regional de Lisboa (CVRL).
O clima é influenciado pela cordilheira que percorre a região de Norte a Sul, com serras conhecidas como a do Montejunto, da Archeira e de Sintra. Os relevos e os vales recebem a brisa do oceano. Os ventos atlânticos são a assinatura da região porque trazem umidade e salinidade para os vinhedos.
— Essa região é especial e diversa. Ela é um encontro. De um lado, tem o Atlântico, do outro lado, as serras que protegem toda essa região, e no meio, as vinhas, que são centenárias. Estão ali desde os tempos dos romanos. Encontramos muita personalidade nos vinhos. Eu poderia dizer que talvez não tem o estilo, mas tem uma assinatura, que é o Atlântico. Ele influencia todas as nove sub-regiões — detalha Elaine.
Ela indica ainda que se provem os vinhos fortificados de Lisboa, da denominação Carcavelos:
— O Carcavelos é um dos vinhos mais especiais de Portugal. Ele é um vinho fortificado, como é o vinho do Porto, da Madeira ou Moscatel de Setúbal. É uma experiência, um vinho de contemplação. Eu digo que não quero que acabe, bebo bem devagar para aproveitar cada momento.
Em visita ao Rio de Janeiro, Carlos João Pereira da Fonseca, vice-presidente da comissão, detalha que, apesar de a região de Lisboa produzir vinhos há muitos anos, não é tão conhecida em alguns mercados.
— Mas é das regiões em Portugal que mais exporta em Portugal e das que mais vendem para o Brasil, embora muita gente diga que não conhece os vinhos de Lisboa. Somos líderes em mercados complicados e muito difíceis de entrar, como da Escandinávia, que têm monopólios estatais, Suécia, Finlândia e Noruega. Canadá, a mesma coisa, além dos Estados Unidos. Viemos ao Brasil para buscar maior reconhecimento aos nossos vinhos e tentar que não sejam só vinhos de supermercado. É óbvio que eu também gosto de vender nos supermercados, todos nós gostamos. Mas queremos que sejam reconhecidos pela alta qualidade e pelos vinhos com preço mais elevado.
Carlos João destaca que a região de Lisboa é a que tem maior número de determinações de origem:
— Nós mantivemos nove denominações, foi uma opção dos produtores. Isso mostra bem a diversidade de uma região que não é muito grande. Temos cerca de 20 mil hectares de terra de vinhas certificadas e produzimos anualmente 70 milhões de garrafas. Cerca de 80% vão para o mercado externo, que é a grande riqueza da nossa região. Os números não significam tudo, mas fazem-nos refletir e pensar naquilo que somos atualmente e naquilo que queremos ser no futuro. Daí a nossa aposta no mercado brasileiro. Uma aposta que tem dado alguns frutos, que nos tem permitido penetrar em alguns mercados e em alguns clientes especializados e que dão valor àquilo que a região produz.
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Espumantes
Berbereta Arinto & Chardonay – com as uvas Arinto e Chardonnay, de Óbidos
Pét-Nat Pim Pam Pum – com Fernão Pires, de Encostas d’Aire
Pét-Nat Pim Pam Pum Curtimenta – com Fernão Pires, de Encostas d’Aire
Espumante Quinta do Rol Chardonnay – com Chardonnay, de Lourinhã
Brancos
Adega Mãe Terroir – com as uvas Viosinho e Arinto, de Torres Vedras
Carlota Imperetriz Reserva Arinto- com Arinto, de Alenquer
Mare et Corvus – com Malvasia, Fernão Pires e Chardonnay, de Colares
Quinta das Cerejeiras Grande Reserva – com Chardonnay, Arinto, Vital, de Óbidos
Página Sauvignon Blanc – com Sauvignon Blanc, de Óbidos
Colares Chitas Malvasia – com Malvasia, de Colares
Carlota Imperatriz Reserva Arinto- com Arinto, de Alenquer
Mare et Corvus – com Malvasia, Fernão Pires e Chardonnay, de Colares
Ramilo Colares Borras – com Malvasia, de Colares
Tintos
Adega Mãe Castelão – com Castelão, de Torres Vedras
Quinta de Azueira VG Vingrand 2019 – com Castelão, Touriga Nacional, Aragonez, de Torres Vedras
Marco Velho Premium 2015- com Castelão, Aragonez e Syrah, de Torres Vedras
Quinta do Sanguinhal Grande Escolha – de Óbidos
Fortificados
Carcavelos Villa Oeiras Tinto – com Castelão e Trincadeira, de Carcavelos
Carcavelos Villa Oeiras Superior – com Arinto, Galego Dourado e Ratinho, de Carcavelos

