Mário Silveira Filho, encontrado morto dentro do Colégio Estadual Conselheiro Macedo Soares, no Barreto, em Niterói, na manhã de segunda-feira (10), teria sofrido uma descarga elétrica dentro de uma casa de força da escola, segundo a família. A descarga, de acordo com a sobrinha, Isaura Silveira Reche, foi constatada no local por bombeiros, peritos e técnicos da concessionária de energia da cidade. A Polícia Civil ainda investiga as circunstâncias da morte.
Incêndio: Fogo atinge duas áreas de preservação de Niterói em uma semana
Festa Literária Internacional de Niterói: Com nomes como Valter Hugo Mãe, Fernanda Torres e Emicida, Flin começa quinta-feira
Mário trabalhava havia mais de 30 anos na unidade e estava com o pedido de aposentadoria em andamento. Segundo Isaura, ele era responsável por cuidar de equipamentos da escola e tinha as chaves das áreas onde ficavam os sistemas de energia e de bombeamento de água.
O corpo foi encontrado dentro de uma construção fechada, semelhante a uma casa de força, de acordo com a sobrinha. No espaço ficam equipamentos responsáveis pelo fornecimento de energia da unidade.
— Ele tinha as chaves desses lugares que, por normas de segurança, têm que ficar fechados. Era ele que costumava cuidar disso. — conta Isaura.
Segundo ela, na manhã da morte havia problemas no fornecimento de energia na escola. No domingo, houve falta de luz em alguns pontos do Barreto e, na segunda-feira, de acordo com informação recebida pela família, apenas uma fase estava funcionando no colégio.
— Com certeza ele tomou uma descarga elétrica. Isso é um fato, não apenas por conta da causa-morte, mas pelo local onde ele foi encontrado — afirma Isaura, acrescentando que a certidão de óbito de Mário registra “congestão pulmonar, por eletroplessão, broncoaspiração” como causa da morte.
Procurada para comentar a possibilidade de o funcionário ter sofrido uma descarga elétrica, a Secretaria de Estado de Educação não respondeu até a publicação desta reportagem.
Colegas encontraram o corpo
Na manhã de segunda-feira, funcionários que chegaram mais cedo à escola encontraram o portão fechado. Mário era responsável por abrir o colégio, mas não atendia às ligações.
Após a escola ser finalmente aberta e o corpo encontrado, a área foi isolada para a realização da perícia. Equipes do Corpo de Bombeiros e policiais militares estiveram no local.
O caso foi registrado na 78ª DP (Fonseca). Segundo a Polícia Civil, diligências estão em andamento para apurar as circunstâncias da morte.
Irmão de Mário também morreu eletrocutado
A possibilidade de que Mário tenha morrido após uma descarga elétrica trouxe à família a lembrança de outra tragédia ocorrida há décadas.
Segundo Isaura, Mário começou a trabalhar aos 6 anos, ainda no interior do estado, ajudando a mãe e os irmãos mais novos. Já em Niterói, trabalhou em uma padaria com o irmão mais velho, Eusébio, que tinha 22 anos quando morreu eletrocutado no estabelecimento. Mário tinha cerca de 17 anos e estava com o irmão no momento do acidente.
Décadas depois, a família se vê diante da possibilidade de que os dois irmãos tenham morrido de forma semelhante.
— Eu tenho 47 anos. Isso foi antes de eu nascer. O irmão mais velho, Eusébio, trabalhava com ele numa padaria. Eusébio tinha 22 anos, ele devia ter 17, mais ou menos. E ele levou um choque, morreu eletrocutado. E o Mário estava junto. Por uma infeliz fatalidade, ele acaba vindo a falecer da mesma forma — diz Isaura.
A sobrinha ressalta, no entanto, que ainda não há conclusão sobre a dinâmica da morte de Mário e que a família aguarda o resultado da investigação.
Uma família ligada ao colégio há décadas
A relação da família de Mário com o Colégio Estadual Conselheiro Macedo Soares começou na década de 1960, quando seu pai, Mário Silveira, conseguiu uma vaga de zelador na unidade e passou a morar com a família em uma casa nos fundos da escola.
Mário Filho seguiu os passos do pai e trabalhou no colégio por cerca de 30 a 40 anos. O pedido de aposentadoria estava em andamento. A irmã, Gilcineia Silveira Coelho, também foi merendeira da unidade durante décadas.
A esposa de Mário, Elizabeth Alvarim Silveira, também ajudava o marido nas atividades realizadas no colégio. O casal teve dois filhos, Victor Alvarim Silveira, de 38 anos, e Fernanda Alvarim Silveira, de 37.
Durante parte da vida, Mário também ficou conhecido na região pelos salgados que preparava e vendia com Elizabeth para festas e comerciantes locais. A atividade deixou de ser realizada na escola após uma normatização que proibiu a produção de alimentos no local.
Mário continuava morando na casa localizada nos fundos da escola e também ajudava nos cuidados com a mãe, Denaide de Souza Freitas, de 95 anos. Segundo a família, Denaide passou cerca de quatro décadas ligada ao colégio, acompanhando o marido enquanto ele trabalhava na unidade.
Isaura também passou parte da infância no local. Ela morou na escola até os oito anos, durante a semana, na casa dos avós, enquanto os pais trabalhavam.
Família pede rapidez na investigação
Depois da morte, familiares passaram o dia aguardando a liberação do corpo e os procedimentos do IML. Segundo Isaura, o corpo foi encaminhado ao IML de São Gonçalo, em Tribobó, porque o localizado no Barreto estava sem médico de plantão na segunda-feira.
O velório e o sepultamento aconteceram na tarde de terça-feira (11), no Cemitério do Maruí, no Barreto, onde também foram enterrados o pai e o irmão de Mário.
Para a família, além da perda, existe a expectativa de que a investigação esclareça exatamente como Mário morreu.
— A nossa família merece que o Estado nos dê esse feedback, que nos dê essa salvaguarda, depois de tantos anos servindo ao colégio, à comunidade do Barreto, à comunidade da Venda da Cruz e das redondezas. Queremos que essa investigação seja concluída de forma célere, transparente e justa — afirma Isaura.
Na segunda-feira, a Secretaria de Estado de Educação lamentou a morte do servidor e informou que a direção da escola havia acionado os órgãos competentes e colaborou com as equipes do Corpo de Bombeiros e das polícias Militar e Civil. As aulas, suspensas após a ocorrência, têm retorno previsto para esta quarta-feira (12), e os conteúdos pedagógicos eventualmente perdidos serão repostos.
A Polícia Civil informou que o caso está sendo investigado pela 78ª DP (Fonseca) e que diligências estão em andamento.
Homenagens
A morte de Mário também mobilizou moradores do Barreto e ex-alunos do colégio. Nas redes sociais, começaram a circular homenagens ao servidor, incluindo uma imagem de um mural com o rosto dele. A família, porém, ainda não sabe confirmar se a pintura foi realmente feita no muro da escola ou se a imagem é uma homenagem criada digitalmente e compartilhada nas redes sociais.
Initial plugin text

