Trabalhadores da Escondida, a maior mina de cobre do mundo, localizada no Chile, iniciarão uma greve nesta quarta-feira por considerarem insuficiente a última oferta econômica da empresa australiana BHP para um novo acordo coletivo, anunciou o sindicato da categoria nesta terça-feira. Cerca de 1.000 supervisores da mina decidiram iniciar a paralisação após o fracasso do processo de mediação governamental entre o sindicato e a empresa.
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O setor enfrenta uma pressão crescente em relação à segurança no trabalho. Nas últimas semanas, um trabalhador morreu em Escondida, outro faleceu em Radomiro Tomic (norte) e dois prestadores de serviço perderam a vida em um acidente em El Teniente (centro).
A decisão de greve ameaça agitar o mercado de cobre, essencial para a transição energética, a inteligência artificial e a indústria de defesa. Uma interrupção prolongada na Escondida agravaria a queda na produção de cobre do Chile — líder na extração do metal —, que em agosto caiu para o nível mais baixo em 15 anos devido a tempestades e problemas operacionais.
Em comunicado, o sindicato acusou a BHP de romper as negociações após apresentar uma “proposta deficiente” aos funcionários.
“A responsabilidade por esta greve recai exclusivamente sobre a empresa e sua comissão de negociação”, afirmou o texto.
Segundo os supervisores, a empresa não incluiu em sua última oferta reivindicações consideradas essenciais, como aumento salarial, bônus mensal de produção ou benefícios de fechamento de negociação compatíveis com o mercado. A empresa informou à AFP que não tinha comentários, no momento, sobre as negociações ou sobre o anúncio da greve.
Localizada no Deserto do Atacama, a Escondida — responsável por um quarto da produção de cobre chileno — foi palco, em 2017, de uma greve de 43 dias que deixou o mercado mundial de cobre em alerta. Embora ainda não se saiba se a greve dos supervisores paralisará a produção, um sindicato de operadores da mina alertou que seus associados interromperão as atividades caso condições mínimas de segurança não sejam atendidas.
A greve ocorre em um momento turbulento para o setor de mineração do Chile. Na semana passada, trabalhadores da mina Centinela, no Atacama, iniciaram uma greve após rejeitarem a última oferta da empresa no âmbito de uma negociação coletiva.
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