Funcionários de uma empresa de catering aéreo localizada próxima ao Aeroporto Internacional de Los Angeles (LAX), nos Estados Unidos, denunciaram condições insalubres no local de trabalho, incluindo a presença de larvas, mofo, baratas e outros animais considerados pragas, de acordo com o sindicato local, Unite Here Local 11. Segundo os trabalhadores, alimentos em decomposição teriam sido encontrados em carrinhos utilizados para transportar refeições destinadas a voos comerciais.
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A denúncia envolve a Flying Food Group, empresa que possui 19 instalações de catering nos Estados Unidos e prepara cerca de 120 milhões de refeições por ano para mais de 75 companhias aéreas, como Lufthansa, Air France, SWISS Airlines, Virgin Atlantic, Austrian Airlines, LOT Polish, Scandinavian Airlines, Singapore Airlines, Japan Airlines, ANA, Starlux, China Southern, Qantas, Air New Zealand e Hawaiian Airlines. O caso foi apresentado à Cal/OSHA, órgão responsável pela fiscalização das condições de segurança e saúde no trabalho na Califórnia.
Segundo a denúncia, no fim de junho, uma funcionária teria sido orientada a abrir carrinhos de louça que permaneciam fechados havia um período prolongado. Dentro deles, encontrou alimentos em decomposição aparentemente cobertos por mofo, larvas e moscas.
A trabalhadora afirma que sugeriu que os utensílios fossem descartados, mas teria recebido a ordem de um supervisor para limpar as louças e prepará-las para reutilização em um voo. Ainda de acordo com o relato, nenhum equipamento de proteção teria sido fornecido durante a atividade.
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Baratas em áreas de preparação
A denúncia também afirma que trabalhadores encontraram o que identificaram como baratas e outras pragas dentro das instalações, inclusive em áreas destinadas à preparação de alimentos e próximas aos carrinhos utilizados pelas companhias aéreas.
Outro problema apontado seria a falta frequente de sabão e papel-toalha em banheiros e estações de lavagem das mãos. Segundo os funcionários, em algumas situações eles precisavam procurar esses materiais em outros locais antes de retornar às atividades de preparação de alimentos.
— Os trabalhadores estão extremamente frustrados — afirmou Maria Hernandez, secretária de imprensa do sindicato Unite Here Local 11, que apresentou a denúncia em nome dos funcionários.
Segundo ela, os trabalhadores consideram especialmente preocupante que situações desse tipo tenham ocorrido em uma instalação autorizada pela cidade de Los Angeles a operar no aeroporto e que fornece refeições para algumas das maiores companhias aéreas do mundo.
O sindicato entregou fotografias, vídeos e depoimentos de trabalhadores à Cal/OSHA e pediu uma investigação das condições no estabelecimento.
Empresa diz que investiga denúncias
De acordo com a emissora americana CNN, a Flying Food Group afirmou estar ciente das acusações.
— Estamos realizando uma análise completa das alegações e cooperando com as autoridades reguladoras competentes — informou a empresa ao veículo.
A companhia também enfrenta um histórico recente de notificações relacionadas à segurança no trabalho. Em maio de 2026, a Cal/OSHA emitiu seis citações contra a empresa após uma ocorrência durante um incêndio registrado em janeiro.
Na ocasião, dois funcionários teriam sido encontrados presos dentro de uma câmara frigorífica que havia sido trancada com uma corrente pelo lado de fora.
A denúncia atual também menciona temperaturas consideradas perigosamente elevadas na área de lavagem e higienização das louças.
Sindicato cobra providências
Maria Hernandez afirmou ainda que trabalhadores da Flying Food Group já haviam relatado problemas relacionados a abusos no ambiente de trabalho à Comissão de Aeroportos de Los Angeles em pelo menos 50 ocasiões, mas que, na avaliação do sindicato, as denúncias não resultaram em medidas suficientes.
— É um absurdo a quantidade de vezes que essa empresa deixou de nos pagar o que é devido ou violou a lei de alguma outra forma. Esses pagamentos me mostram que a empresa sempre teve dinheiro para nos pagar. É uma empresa que não nos respeita nem nos valoriza — afirmou Pascual Salgado, funcionário da Flying Food Group, em comunicado divulgado pelo sindicato.
A Los Angeles World Airports (LAWA), responsável pela administração do LAX, informou também à CNN que não poderia comentar o caso por ele estar sob análise da Cal/OSHA.
Em fevereiro de 2026, o gabinete da prefeita de Los Angeles, Karen Bass, também havia se manifestado sobre a empresa. Na ocasião, afirmou que a prefeita considerava as denúncias contra a prestadora de serviços aeroportuários uma questão séria e que trabalhava com o sindicato e a LAWA para garantir que elas fossem investigadas e tratadas adequadamente.
Recentemente, a Prefeitura de Los Angeles concedeu ao Flying Food Group uma prorrogação de licença de apenas seis meses, válida até o final de 2026.

