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Funcionários do Banco Central informaram a Vorcaro nomes de policiais que o investigavam, diz PF

A dupla de funcionários do Banco Central que ajudava Daniel Vorcaro a tentar salvar o Banco Master de ser liquidado em 2025 foi descoberta depois de ter participado de uma reunião da Polícia Federal (PF) e vazado informações ao ex-banqueiro. Um dos relatórios do inquérito tornado público ontem pelo Supremo Tribunal Federal (STF) mostra que […]

Funcionários do Banco Central informaram a Vorcaro nomes de policiais que o investigavam, diz PF


A dupla de funcionários do Banco Central que ajudava Daniel Vorcaro a tentar salvar o Banco Master de ser liquidado em 2025 foi descoberta depois de ter participado de uma reunião da Polícia Federal (PF) e vazado informações ao ex-banqueiro.
Um dos relatórios do inquérito tornado público ontem pelo Supremo Tribunal Federal (STF) mostra que Belline Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), e seu adjunto Paulo Sérgio Neves de Souza passaram conteúdo do encontro ao ex-banqueiro. Ambos estão afastados das funções no BC.
A PF constatou que tinha sido contra-investigada por Vorcaro quando encontrou no aplicativo Notas de seu telefone celular apreendido um arquivo com os nomes dos policiais que o estavam investigando.
Os policiais eram os delegados Dennis Cali (diretor de combate ao crime organizado e à corrupção), Guilherme Alves de Siqueira (chefe de repressão a crimes financeiros), Daniel de Brito e Janaina Palazzo (líderes da Operação Compliance Zero), além do agente Wilker Goulart.
Todos eles tinham participado de uma reunião em 17 de outubro de 2025 com Belline e Paulo Sérgio na qual a PF tentava extrair informações úteis para a investigação. Os funcionários do BC não apenas teriam deixado de passar detalhes importantes à PF como informaram Vorcaro da movimentação dos investigadores.
Em mensagens com outros interlocutores, Vorcaro tratava a dupla como seus “amigos” do Banco Central e não fazia a referência a seus nomes nem dizia quantos eram. Conectando as informações sobre a reunião entre PF e BC, porém, a polícia conseguiu a evidência de que se tratava dos dois chefes da Desup.
Foi depois de ter recebido informações da PF por intermédio de seus infiltrados, a quem ele também se referia como “turma do Banco Central”, que Vorcaro passou assediar autoridades de escalão ainda maior na República para tentar barrar o processo.
Um dos arquivos era um rascunho de mensagem encontrado no aplicativo Notas do telefone, que fazia referência a tentativa de influência sobre Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e a Paulo Gonet, procurado-geral da União.
“É importante reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem, que aí vai tudo pro saco”, escreveu o ex-banqueiro. “Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen [Banco Central] alegando que farão algo em breve.”
O destinatário da mensagem, possivelmente o ministro do STF Alexandre de Moraes, não era citado ainda neste relatório da Polícia Federal, de 18 de fevereiro de 2026. Foi na investigação detalhada neste documento que os delegados aprofundaram a relação de Belline e Paulo Sérgio com Vorcaro.
O documento mostra que ex-banqueiro criou um grupo de WhatsApp para coordenar a ação de seus infiltrados e simulou prestação de serviço para ‘esquentar pagamentos’ a Belline, que também era agraciado com viagens ao exterior.
Na noite de quinta-feira (10), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo dessa e de outras investigações relacionadas ao Banco Master, após determinação do presidente da corte, Edson Fachin.
O GLOBO aguarda posicionamentos do BC, de Belline e de Paulo Sérgio. O espaço está aberto a manifestações.

Funcionários do Banco Central informaram a Vorcaro nomes de policiais que o investigavam, diz PF

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BRCOM