A Polícia Federal levantou indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro utilizou uma empresa de luxo para distribuir agrados a “dezenas de autoridades e ocupantes de cargos públicos” em viagens no exterior. Diante dessa suspeita, os investigadores pediram ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que determine à agência a entrega de todas as planilhas e documentos que mostrem serviços contratados por Vorcaro no período entre 2020 e 2025. O objetivo da PF é saber quem eram as autoridades que receberam os “mimos” do banqueiro, o que pode abrir novas frentes de investigações no caso Master.
A empresa Signature Luxury Services foi contratada por Vorcaro para operacionalizar o pagamento de hospedagens e despesas pessoais do senador Ciro Nogueira (PP-PI) nas viagens a Courchevel, nos alpes franceses; Nova York; e Lisboa, conforme a PF. A companhia aparece em troca de emails e mensagens interceptadas pela PF.
“Há fortes indícios, decorrentes da análise do material probatório, de que Daniel Bueno Vorcaro se utilizou dessa mesma estrutura de serviços de luxo para beneficiar dezenas de outras autoridades e ocupantes
de cargos públicos, fato que é de crucial interesse para o pleno esclarecimento da extensão da rede de influência e corrupção investigada”, diz um relatório da PF, assinado em agosto de 2026.
No documento, os investigadores escrevem que identificaram um “padrão de custeio de mimos e luxos sob a aparência de serviços de turismo de alto padrão” por parte do dono do Banco Master. Acionada, a empresa passou a colaborar com as autoridades no fornecimento de documentos referentes às investigações.
A Procuradoria-Geral da República concordou com o pedido da PF, dizendo que a diligência visa saber a “extensão das vantagens indevidas” oferecidas por Vorcaro a “diferentes figuras de interesse”. Não é possível saber se Mendonça atendeu ou não o pedido.
Um relatório de inteligência financeira produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicou que Vorcaro gastou US$ 55 milhões (R$ 281,6 milhões) na empresa de luxo em menos de um ano (entre novembro de 2024 e dezembro de 2025). O documento foi anexado ao inquérito relacionado a Ciro Nogueira.
Um documento entregue pela própria agência descreve o banqueiro como um dos “clientes mais assíduos” e exigentes. “Suas contratações compreendiam viagens e eventos de lazer, primordialmente privados, com foco no atendimento de concierge e serviços personalizados de alto padrão”, complementa o arquivo.
Os documentos foram tornados públicos na noite desta sexta-feira após o presidente do STF, Edson Fachin, pedir a Mendonça o levantamento de todos os sigilos relacionados ao caso Master.
A PF estimou que Ciro Nogueira teve um “benefício econômico direto” de pelo menos R$ 468.721,78 com viagens e jantares pagos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A conta considerava jantares pagos em Paris e diárias de até R$ 24 mil em hotéis de Nova York e Lisboa, assim como refeições em restaurantes em estação de esqui em Courchevel, França. A informação consta na representação que pediu mandados de busca e apreensão em endereços do senador e pessoas ligadas a ele, em junho.
Relação pessoal
Os pagamentos das despesas foram um dos fatores usados pela PF para afirmar que existe uma “relação pessoal estreita, contínua e marcada por elevado grau de intimidade” entre Vorcaro e Ciro Nogueira. Segundo os investigadores, as mensagens trocadas entre a dupla mostram um “vínculo que extrapola os limites de mera cordialidade ou convivência ocasional, assumindo contornos de amizade íntima e declarada”. Em um dos diálogos, Vorcaro diz que Ciro é um de seus “grandes amigos de vida”.
Em paralelo, a PF cita “indícios robustos, convergentes e reiterados da concessão de vantagens patrimoniais e financeiras indevidas” em favor de Ciro, concedidas direta ou indiretamente por Vorcaro , “configurando um padrão contínuo de benefícios incompatível com relações pessoais ou negociais regulares”.
Ciro Nogueira sempre negou as irregularidades, dizendo que não atuou a favor de Vorcaro ou do Master em contrapartida pelos benefícios recebidos.
Novas frentes de investigação: Vorcaro usou agência de luxo para beneficiar 'dezenas de autoridades' em viagens no exterior, além de Ciro Nogueira, aponta PF
A Polícia Federal levantou indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro utilizou uma empresa de luxo para distribuir agrados a “dezenas de autoridades e ocupantes de cargos públicos” em viagens no exterior. Diante dessa suspeita, os investigadores pediram ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que determine à agência a entrega de todas […]