O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), é aprovado por 56% da população no estado, enquanto 51% defendem que ele merece se reeleger, conforme dados da pesquisa Genial/Quaest. Ao mesmo tempo, em todos os cenários testados para as próximas eleições, ele aparece atrás de seu principal adversário, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União).
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Genial/Quaest: enquanto aliado de Ratinho Jr. soma apenas 5% das intenções de voto, 64% dizem que governador merece eleger sucessor
A avaliação do governo e a aprovação de Jerônimo oscilaram para baixo, embora permaneçam favoráveis. Para 37%, a gestão é positiva; 33% avaliam estar regular e 25% consideram o trabalho negativo. No último levantamento, em agosto de 2025, a avaliação positiva era de 39%, enquanto a negativa era de 23%.
O petista é desaprovado por 33% da população. Na divulgação anterior, a aprovação era de 59%. A maior desaprovação é entre quem possui renda familiar acima de cinco salários mínimos (54% de rejeição) ou se considera da direita não bolsonarista (75%).
Na opinião dos baianos, 34% da população acredita que o próximo governador deve mudar totalmente o que vem sendo feito na gestão estadual. Já 40% avaliam que é preciso mudar apenas o que não está bom, enquanto 22% defendem a manutenção do atual trabalho. Para a maioria da população (51%), Jerônimo merece ser reeleito — 42% pensam o contrário.
O levantamento ouviu 1.200 pessoas, em 61 municípios baianos, entre os dias 23 e 27 de abril. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Primeiro turno
No cenário mais provável de primeiro turno nas eleições de outubro, o atual governador aparece atrás do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União). Pela margem de erro, eles estão empatados tecnicamente. Ainda há 11% de indecisos e 10% que não votar em nenhum candidato.
Para 50% dos baianos, a decisão do voto já é definitiva, enquanto 47% afirmam que podem mudá-lo caso “algo aconteça”, conforme questionamento da Genial/Quaest.
Governo da Bahia – 1º Turno
Segundo turno
Em um eventual segundo turno, a disputa entre ACM e Jerônimo é similar. O ex-prefeito mantém 41% das intenções de voto, enquanto o governador sobe para 38%. Indecisos representam 12% e eleitores que não votariam em nenhum deles são 9%.
Governo da Bahia – 2º Turno
Corrida eleitoral
ACM Neto escolheu o ex-ministro do governo Jair Bolsonaro João Roma (PL) e o senador Angelo Coronel (Republicanos), antigo membro da base do governo Jerônimo Rodrigues (PT), como os nomes que disputarão o Senado em sua chapa. Já a vaga de vice-governador na composição ficou com o ex-prefeito de Jequié Zé Cocá (PP).
A aposta do PT nas candidaturas ao Senado do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e de Jaques Wagner, líder do governo na Casa, selou a saída de Angelo Coronel da base da gestão petista. O senador deixou o PSD em fevereiro após perder espaço na montagem da chapa majoritária de Jerônimo de 2026. O vice-governador Geraldo Júnior (MDB) completa o arranjo em busca da reeleição.
Caso Master
Como mostrou o GLOBO, os grupos políticos de ACM Neto e de Jaques Wagner fecharam um acordo de bastidores para deixar o caso Master fora da disputa eleitoral da Bahia neste ano. Procurados para comentaram o acordo à época da reportagem, eles não se manifestaram.
Tanto o ex-prefeito como o senador tiveram nas últimas semanas os seus nomes vinculados ao caso. No dia 11 de março, O GLOBO revelou, com base em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora de recursos Reag. A quantias foram repassadas logo após as eleições de 2022, entre março de 2023 e maio de 2024. ACM Neto afirmou que os valores são referentes a serviços de consultoria e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos à Justiça.
Já no dia 18, o portal Metrópoles mostrou que a nora de Jaques Wagner recebeu pelo menos R$ 11 milhões do Master. O valor foi pago à empresa BK Financeira, que tem como sócia Bonnie Toaldo Bonilha, casada com um enteado do senador. O contrato foi firmado em 2021. Em nota, o senador disse que “não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”.
No caso do PT, há ainda as relações do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Master, com figuras do partido, como o ministro Rui Costa (Casa Civil). Quando era governador do estado, Costa privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo, arrematada em 2018 por Lima.

