Isabella Santoni vive uma fase de imersão consciente em sua própria criação. Após interpretar papéis que marcaram sua maturidade artística, como Viviane em “Dom” (Prime Video) e a protagonista Catarina na montagem teatral de “O Cravo e a Rosa”, a atriz se voltou para o estudo do que acontece por trás das câmeras. Ela tem participado de reuniões de roteiro, acompanhado direção de fotografia e acaba de produzir e dirigir o curta-metragem autoral “Concertamos Tudo”.
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Essa incursão técnica não representa um afastamento da atuação, mas sim uma ampliação do olhar.
“A incursão pelos bastidores transforma minha percepção do ofício, porque passo a compreender o olhar da produção que sustenta o que se vê nas telas. No set, nós, atores, frequentemente sentimos que não dispomos do tempo ideal para construir a cena; mas, sob a perspectiva do produtor, entendemos a urgência daquela etapa final, que é a atuação propriamente dita. Nesse contexto, a palavra, o gesto e a entrega precisam chegar ao set já amadurecidos, com estofo e densidade, a fim de evitar falhas e desperdícios no processo de produção. É um ponto de equilíbrio entre o fazer artístico e o gerenciamento executivo. Desde que eu passei a enxergar sob essa ótica, percebi que minha mente se ampliou de modo significativo”, explica ao GLOBO.
Para Isabella, as ideias nascem do vivido. A natureza, as viagens, a leitura e o cotidiano funcionam como combustível criativo. Ela observa o mundo com atenção, sempre em busca de ritmo, cor e gesto. Não busca inspiração apenas em abstrações, mas também no que é concreto e imperfeito.
“As maiores inspirações vêm da própria vida, especialmente quando posso viajar. Viajar me faz bem: mudar de ambiente, conhecer outras culturas, provar novos sabores, encontrar pessoas diferentes, sentir outros aromas. É algo que sempre estimula a criatividade”, afirma.
O processo de Isabella é mais disciplinado do que espontâneo. A artista alterna períodos de imersão e recolhimento, sem romantizar os bloqueios criativos. Quando a mente trava, movimenta o corpo, lê e observa o entorno:
“Nos momentos de bloqueio criativo, costumo interromper o fluxo e me dedicar a alguma atividade prazerosa, como surfar, por exemplo, ou a algo que nunca tenha experimentado. Essa pausa cria um espaço para que a mente respire, se distraia com o novo e reencontre o impulso criador por meio da própria experiência.”
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Apaixonada pela interpretação, agora Isabella busca dominar também a arquitetura da narrativa. Vive um momento de recolhimento e lapidação: entre o set e os bastidores, constrói a artista que pensa a cena antes de executá-la. O próximo passo, seu trabalho como produtora do curta, deve revelar essa síntese: a sensibilidade da atriz guiando a precisão da criadora.
“A ideia deste curta surgiu durante minha última participação na Fashion Week. No evento da marca Trussardi, foi realizado um coquetel dentro de um cinema, onde apresentaram um curta sobre a própria marca, inspirado em The Gentle Society, o slogan deles. Percebi ali uma oportunidade interessante: a arte se aproximando da publicidade de forma criativa, capaz de gerar conexão por meio de histórias. Voltei ao Rio com o desejo de produzir um curta nesse mesmo estilo, mas que transmitisse as mensagens da empresa da qual eu faço parte como diretora criativa, a Arkt, que estava passando por um processo de rebranding. Planejávamos uma convenção, um lançamento no cinema, e pensei que a melhor maneira de contar a história dessa campanha seria de forma inspiracional, por meio de um curta-metragem”, finaliza.
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