O ministro e decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, publicou neste sábado um texto em que defendeu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e deu indiretas ao ministro André Mendonça. Sem citar o nome do colega, Gilmar criticou o que chamou de “decisões individuais de enorme alcance, tomadas de afogadilho” que acabam tendo “efeitos irreparáveis” sobre reputações de pessoas e instituições.
Relator do caso Master no Supremo, Mendonça levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que mostrava menções a Gonet em mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Depois veio à tona uma foto em que o PGR aparecia confraternizando com Vorcaro durante um encontro em Londres.
Nesta sexta-feira, o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) avaliou o conteúdo das conversas e decidiu manter Gonet à frente dos inquéritos relacionados ao Master e rejeitou a abertura de uma apuração interna contra ele. Gilmar Mendes elogiou a decisão do Conselho, dizendo que não havia “nada” que impedisse o PGR de seguir conduzindo a investigação.
“Muito menos algo que arranhasse a reputação construída em décadas de serviço público. Antes disso, o próprio relator já havia reconhecido em Plenário a fragilidade das insinuações. Tarde demais, e com uma tranquilidade desconcertante diante da qual não me calei”, escreveu o ministro do Supremo, referindo-se à fala de Mendonça no Supremo de que não havia nenhuma prova contra Gonet.
Gilmar defende Gonet e dá indireta a Mendonça: 'Decisões de enorme alcance tomadas de afogadilho'
