O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, anunciou nesta segunda-feira (15) a criação de uma força-tarefa para capturar os responsáveis pelo assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, morto em Praia Grande, no litoral paulista. O crime ocorreu a poucos metros da prefeitura da cidade, onde Fontes exercia o cargo de secretário municipal de Administração.
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Em publicação nas redes sociais, Derrite afirmou que a investigação terá prioridade máxima definida pelo governador Tarcísio de Freitas e contará com a integração de diferentes órgãos de segurança. Ele também destacou que o procurador-geral de Justiça ofereceu apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), reforçando a amplitude da operação.
O assassinato de Fontes, de 68 anos, causou forte repercussão entre autoridades do Estado e do município. O prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (MDB), que era chefe do ex-delegado, relatou ter chegado ao local minutos após o atentado e encontrado o corpo da vítima ainda dentro do carro.
Ex-delegado geral da Polícia Civil de São Paulo é executado
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a principal linha de investigação aponta para uma execução ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), em represália à atuação do delegado contra a facção.
O corpo do ex-delegado-geral será velado a partir das 10h desta terça-feira na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O sepultamento está previsto para as 16h, no Cemitério da Paz, no Morumbi, zona sul da capital. O cortejo deve deixar a Alesp às 15h.
Formado em Direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, ele atuou como delegado por mais de 40 anos e chegou a dirigir o Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap).
Fontes teve passagens por diversas delegacias especializadas e participou de cursos no Brasil, na França e no Canadá. Ele iniciou a carreira como delegado de Polícia Titular da Delegacia de Polícia do Município de Taguaí e trabalhou no Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), no Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
A equipe de Fontes indiciou os principais líderes do Primeiro Comando Capital (PCC) no início dos anos 2000 por formação de quadrilha. Ele foi uma das autoridades mais atuantes diante da facção criminosa e de seu chefe Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. O então delegado passou a ser referido como inimigo número 1 dos contraventores e alvo de planos de execução.
Nomeado pelo então governador João Doria, Fontes assumiu a função de delegado-geral da Polícia Civil de 2019 a 2022. Desde 2023, trabalhava na prefeitura de Praia Grande.
Durante a carreira, o ex-delegado fez pós-graduação em Direito Civil e atuou como professor de Criminologia e Direito Processual Penal.
Fontes já havia escapado de ataques e assaltos
Em 2010, depois de deixar a Delegacia de Roubo a Bancos, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), para atuar no 69º DP, ele escapou de um plano de assassinato. Investigações atribuíram a trama ao PCC. Dois homens com fuzis foram detidos em frente à delegacia, antes do atentado, segundo o Estadão.
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Em 2012, Fontes chegou a trocar tiros com criminosos que o abordaram na Via Anchieta. Um suspeito morreu. Já em 2020, ele reagiu a outro assalto, no Ipiranga. Em 2022, uma dupla numa motocicleta chegou a tentar um roubo, mas fugiu ao perceber que Fontes estava num carro blindado.