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novembro 6, 2026
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Governo Lula vê renúncia de Peña como revés para alinhamento a Trump na região, mas teme instabilidade no Paraguai

Por · novembro 5, 2026


O governo brasileiro avalia que a renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, representa o enfraquecimento da influência da gestão de Donald Trump na América do Sul, uma vez que o líder do país vizinho, ao lado de Javier Milei, da Argentina, está entre os mais alinhados ao americano na região.
Um interlocutor pondera, no entanto, que é preciso acompanhar o processo para avaliar qual a dimensão que essa crise no país vizinho pode desencadear. Ele diz que é preciso evitar um quadro de deteriorização política do país mas que, por ora, avalia que essa mudança não deverá afetar a relação que o Brasil tem com o Paraguai.
Esse auxiliar de Lula cita a fronteira porosa com o Paraguai e os negócios mantidos entre os dois países, em especial a parceria na hidrelétrica de Itaipu, como pontos de preocupação caso a crise se estenda.
Peña renunciou ao cargo nesta quinta-feira, após suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o banco digital Ueno Bank, que levaram ao bloqueio de contas correntes e investimentos de cerca de 40% da população e paralisaram o comércio nacionalmente. A apresentação da renúncia não impediu a abertura de um processo de impeachment do presidente, aprovada por unanimidade pelos 78 deputados presentes na sessão.
Eleito em 2023, Peña tentou apresentar seu país como um paraíso fiscal de baixa tributação para investidores estrangeiros e se tornou um importante apoio às políticas de Trump na região, aderindo à iniciativa de segurança Escudo das Américas e autorizando a presença de militares americanos no território do país.
Na avaliação de auxiliares de Lula, apesar da saída de um presidente alinhado a Trump, a expectativa de que haja uma guinada no país vizinho é baixa. O vice-presidente, Pedro Alliana, que assumirá o governo, é do Partido Colorado, o mesmo de Peña, e já tinha o apoio do agora ex-titular do cargo para concorrer à presidência em 2028. Um analista da política paraguaia no governo brasileiro aponta que a esquerda no país é nula, com domínio histórico do Partido Colorado.
Peña renunciou após a instabilidade financeira provocada pela quebra do Ueno Bank, instituição financeira digital altamente popular no país, que atendia a 40% da população — incluindo brasileiros que vivem no Paraguai. O Banco Central paraguaio interveio no Ueno Bank alegando que o índice de solvência havia caído abaixo do mínimo exigido de 50% após ajustes em seus balanços patrimoniais. A medida provocou um curto-circuito na atividade econômica, uma vez que dois terços das transações eletrônicas nas grandes lojas de varejo eram feitas por meio de contas da instituição.
Oito executivos ou ex-executivos do banco foram presos preventivamente, e o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia, juntamente com outros diretores da autoridade monetária. Centenas de paraguaios foram às ruas para exigir acesso imediato ao dinheiro depositado em suas contas correntes e de investimento, mas o governo ainda trabalha em um plano para garantir o pagamento.

Governo Lula vê renúncia de Peña como revés para alinhamento a Trump na região, mas teme instabilidade no Paraguai