O recente relato da cantora Gretchen sobre a realização de procedimentos estéticos voltou a colocar em evidência um tema comum no universo da harmonização facial: os limites entre tratamentos minimamente invasivos e a cirurgia de lifting. Em vídeo publicado nas redes sociais, a artista contou que passou pela aplicação de fios de sustentação no rosto, com o objetivo de suavizar a flacidez e amenizar o chamado “bigode chinês”.
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“Eu fui lá para colocar fios de sustentação. Ele [o médico] colocou alguns fios aqui [na região das bochechas] para tirar o bigode chinês”, disse Gretchen, que também afirmou não ter intenção de realizar um lifting facial cirúrgico.
Gretchen passa por procedimento estético e levanta dúvida sobre eficácia dos fios de sustentação
Reprodução Instagram
A declaração reacendeu uma dúvida frequente entre pacientes e curiosos da área estética: os fios de sustentação podem substituir uma cirurgia de lifting facial? Segundo especialistas, embora os dois procedimentos estejam relacionados ao rejuvenescimento, eles têm indicações e resultados bastante distintos.
De acordo com a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, os fios são indicados principalmente para casos leves de flacidez. “Os fios de sustentação são indicados em casos em que o grau de flacidez de pele é menor”, explica.
A médica detalha que esses fios possuem pequenas estruturas de fixação, como ganchos ou cones, que aderem ao tecido e promovem um efeito de tração imediato, ainda que discreto. Além disso, muitos deles são compostos por ácido polilático, substância absorvível que estimula a produção de colágeno ao longo do tempo.
“Além disso, esses fios de sustentação são, geralmente, feitos de ácido polilático, uma substância absorvível pelo organismo que age regenerando e estimulando a produção de colágeno, promovendo assim a melhora da flacidez da pele e potencializando os resultados”, pontua.
Apesar do efeito de melhora no contorno facial, o resultado costuma ser temporário e limitado, o que reforça a importância de uma avaliação individualizada. Em casos de flacidez mais acentuada, o tratamento menos invasivo pode não entregar o resultado esperado.
“Nestes casos, o lifting cirúrgico é o procedimento mais indicado”, afirma a especialista. Ela ressalta ainda que a escolha inadequada da técnica pode levar à insatisfação. Segundo Beatriz, muitas pessoas evitam a cirurgia por receio de resultados artificiais, o que pode levá-las a optar por procedimentos que não atendem plenamente suas necessidades.
“Muitas pessoas, devido ao medo de resultados exagerados após uma cirurgia plástica, insistem na realização de procedimentos menos invasivos. Porém, é muito comum que, na tentativa de alcançar um resultado que só seria atingido através da cirurgia plástica, ocorra um exagero na realização destes procedimentos, causando frustração quanto ao resultado ou até deformidades na aparência. Isso se deve justamente a esse estigma que envolve a cirurgia plástica, que é vista como responsável por criar pessoas artificiais e sem naturalidade ou identidade”, acrescenta.
Nos últimos anos, no entanto, o avanço das técnicas de lifting facial tem mudado a percepção sobre esse tipo de cirurgia. Procedimentos mais modernos buscam resultados naturais, com reposicionamento profundo das estruturas do rosto, em vez de apenas tração superficial da pele.
“Se antes o lifting facial era associado àquela aparência ‘esticada’, quase como um tecido puxado além do ponto ideal, hoje a lógica é outra. Na prática, isso significa que o objetivo já não é apenas suavizar rugas superficiais, mas reposicionar tecidos mais profundos que, com o envelhecimento, descem e perdem sustentação. É como ajustar a fundação de uma casa em vez de apenas pintar a fachada”, esclarece a cirurgiã plástica Heloise Manfrim.
Essa mudança de abordagem acompanha a compreensão atual do envelhecimento facial, que não se limita à pele, mas envolve também músculos, gordura e ligamentos. “Ele envolve a queda de músculos, gordura e ligamentos que dão forma ao rosto. Por isso, as técnicas modernas de lifting trabalham em camadas mais profundas, respeitando a anatomia e preservando a identidade do paciente”, completa o cirurgião plástico Carlos Manfrim.
Entre as técnicas mais modernas está o chamado deep plane facelift, que atua em planos mais profundos da face. Segundo a cirurgiã plástica Flávia Bonato, trata-se de uma evolução de abordagens já conhecidas, aplicada hoje com foco em naturalidade e recuperação mais equilibrada.
“Apesar de ser uma variação de uma técnica muito antiga, ela está sendo aplicada de uma forma muito moderna. É um lifting que traz resultados mais naturais e que tem uma recuperação global mais rápida do que as técnicas com grandes descolamentos de pele que era o que se fazia há cerca de 10 anos. Outro adendo muito importante é a lipoenxertia que normalmente é associada, o que dá um refinamento ainda maior ao resultado”, destaca.
Em vez de tracionar a pele de forma horizontal, como nas técnicas mais antigas, o procedimento reposiciona estruturas no sentido vertical, acompanhando o vetor natural do envelhecimento facial. “Conseguimos restaurar todas as camadas afetadas, de maneira muito assertiva e com naturalidade”, acrescenta.
Após procedimento de Gretchen, especialistas explicam diferença entre fios de sustentação e lifting
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Ainda assim, especialistas reforçam que não existe procedimento universal. A indicação depende de uma análise individualizada, que considera fatores como qualidade da pele, grau de flacidez, histórico do paciente e expectativas em relação ao resultado.
“Aspectos como qualidade da pele, grau de flacidez, distribuição da gordura, histórico de gestações, envelhecimento facial e expectativas do paciente influenciam diretamente na escolha do tratamento. Quando um procedimento menor é utilizado para corrigir alterações que exigiriam uma abordagem mais ampla, a chance de frustração aumenta”, diz a Dra. Flávia.
Para a cirurgiã plástica, o mais importante é que qualquer intervenção seja precedida de avaliação médica especializada. “Por isso, o mais importante é que você consulte um médico especializado antes de realizar qualquer procedimento. Apenas ele poderá realizar uma avaliação e indicar o melhor tratamento para o seu caso”, finaliza a Dra. Beatriz.

