Mesmo sem entrar em campo nas duas primeiras partidas da Copa do Mundo, Neymar segue entre os protagonistas do torneio. Ao menos é essa a avaliação do jornal espanhol Marca, que publicou uma longa reportagem sobre o atacante brasileiro e o ambiente de críticas que o cerca desde sua convocação para o Mundial.
Na análise do diário madrilenho, a discussão em torno do camisa 10 ultrapassou há muito tempo os limites esportivos. A publicação afirma que Neymar se transformou em um dos temas mais debatidos do Brasil durante a competição, dividindo opiniões entre aqueles que consideram sua convocação um erro e os que ainda o enxergam como peça fundamental para as ambições da seleção.
“O sentimento é claro: parece haver uma licença para criticar Neymar incessantemente”, escreveu o jornal.
O Marca cita episódios recentes para ilustrar esse cenário. Entre eles está uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ironizou a situação do atacante durante um evento em Belo Horizonte.
A reportagem também lembra as críticas feitas pelo diretor de futebol do Flamengo, José Boto, que questionou a presença de Neymar na lista de convocados após o atacante disputar apenas duas partidas nos meses anteriores à Copa.
Para o jornal espanhol, o debate ganhou força principalmente por causa das recorrentes lesões do jogador, da falta de ritmo de jogo e da percepção de parte dos torcedores de que outros atletas viveriam momento melhor para ocupar sua vaga.
O texto, porém, destaca que a visão dentro da seleção brasileira é completamente diferente.
Segundo a publicação, Carlo Ancelotti permanece como o principal defensor do camisa 10. O treinador italiano é citado diversas vezes ao longo da reportagem por ter sustentado publicamente sua confiança no atacante mesmo após a lesão que o tirou das duas primeiras rodadas.
O Marca também ressalta que Neymar continua sendo tratado como uma referência absoluta pelos companheiros de equipe. Entre os exemplos citados está Vinicius Junior, que recentemente definiu o atacante como um ídolo e celebrou sua volta ao ambiente da seleção.
Lucas Paquetá também aparece na reportagem ao classificar Neymar como um jogador “vital” para o Brasil.
Na avaliação do veículo espanhol, essa diferença de percepção ajuda a explicar por que Neymar vive uma espécie de “Copa paralela”. Enquanto fora da concentração seu nome alimenta debates políticos, esportivos e até ideológicos, dentro do grupo ele segue cercado por prestígio e respeito.
O jornal observa ainda que o atacante optou por não responder às críticas durante o torneio. Em vez disso, concentrou seus esforços na recuperação física para voltar a ficar à disposição da comissão técnica.
Para o Marca, a situação revela uma contradição que acompanha Neymar há boa parte da carreira: poucas figuras do esporte brasileiro despertam opiniões tão extremas. Ao mesmo tempo em que é questionado por parte da opinião pública, continua sendo visto por seus companheiros como um dos maiores talentos da história recente da seleção.

