As duas campanhas que disputam o governo de São Paulo começaram a corrida eleitoral em ritmos e terrenos diferentes. Enquanto Fernando Haddad (PT), apoiado pelo presidente Lula, aposta em palanques “à moda antiga”, com caminhadas pela capital e Região Metropolitana para reforçar a imagem de proximidade com o eleitor, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição e lidera as pesquisas, prefere eventos fechados, agendas com público selecionado e presença nas redes sociais.
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A diferença se repete entre candidatos ao Senado: de um lado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) pulverizam a campanha pelo estado; de outro, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) concentram-se em eventos com Tarcísio e Flávio Bolsonaro (PL) e na mobilização digital.
Nas primeiras duas semanas de campanha, Haddad fez caminhadas quase diárias, geralmente curtas, mas suficientes para garantir discursos, entrevistas, selfies e conteúdo para as redes. Ao mesmo tempo, as ex-ministras Marina e Tebet tentam ampliar o alcance da mensagem com roteiros pelo estado e conversas com públicos específicos: mercado financeiro, sindicatos, jovens, pastores e mulheres.
A estratégia difere da adotada pelo grupo político de Tarcísio. À frente nas pesquisas, ele dispõe de mais que o dobro do tempo de Haddad na propaganda de rádio e TV. Até agora, só fez uma caminhada de rua, no Centro de São Paulo, em 24 de agosto, mais de uma semana após o início da campanha, no dia 16. Participou, nesse meio tempo, da Festa de Peão de Barretos, com Flávio, no dia 22, e foi à Expoflora, em Holambra, no dia 27.
Tarcísio também tem comparecido a atos organizados por aliados que querem dar visibilidade a suas candidaturas e a compromissos nos quais o público é restrito, como eventos de bancos e do setor imobiliário, visitas a equipamentos públicos e entrevistas.
Mesmo a propaganda em televisão e rádio é vista como menos prioritária, dizem auxiliares. O governador teria manifestado o desejo de investir tempo e recursos em vídeos para redes sociais, nos quais consegue abordar temas “nichados”, de maneira mais “viralizável”, em contraposição à rigidez dos programas de TV.
— Tarcísio joga parado, não precisa ir para o ataque. Já Haddad precisa aparecer ao lado do povo e fazer cortes para as redes sociais. É uma tentativa de atualizar sua imagem, recuperando algo característico do PT, o contato com o chão de fábrica — avalia o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Estratégia pulverizada
Integrantes da equipe da ex-ministra do Meio Ambiente avaliam que a campanha pulverizada ajuda Haddad e Lula ao alcançar segmentos com os quais as candidatas ao Senado da chapa têm afinidade: mulheres (ambas), jovens e evangélicos (Marina) e setores empresariais e do agro (Tebet). A estratégia complementaria os lançamentos do programa de governo, comícios e viagens.
No dia 20, Haddad deu entrevista ao “Balanço Geral”, da TV Record, e caminhou pelo Capão Redondo, na Zona Sul. Na mesma data, as ex-ministras viajaram a Araraquara para ato organizado pelo presidente do PT, Edinho Silva, candidato a deputado federal. Marina visitou uma cooperativa de catadores e participou de encontro com mulheres; Tebet deu entrevista a uma rádio e visitou a Santa Casa, uma universidade e uma padaria.
A candidata da Rede já passou por São Bernardo do Campo, Mauá, Carapicuíba (ver a “última floresta em pé” do município) e São Carlos (café com religiosos), além de ter ido às três apresentações do plano de governo de Haddad.
Tebet foi a São Carlos para evento com prefeitos em que posou para fotos ao lado de Gilberto Kassab (PSD), candidato a vice-presidente de Ronaldo Caiado (PSD) e aliado de Tarcísio, como exemplo de “civilidade democrática”. Esteve em São José dos Campos, para encontro com profissionais liberais e donos de pequenos negócios, além de conversa com apoiadoras.
Foco digital
Na direita, a estratégia dos candidatos ao Senado também reproduz, em outra escala, a de Tarcísio. Derrite direciona esforços à campanha digital. Ex-secretário de Segurança Pública, apresenta-se como defensor da redução da maioridade penal e responsável por “melhorar” o PL Antifacção encaminhado pelo governo Lula, o que o PT contesta. Combina eventos públicos ao lado de Flávio, seu maior ativo eleitoral, e, mais recentemente, de Tarcísio, após um período de afastamento. Foram poucos os “voos solo”.
Já Prado, “PL raiz” avalizado por Eduardo Bolsonaro, posiciona-se como atento a demandas dos municípios e “braço direito” de Tarcísio, por ter aprovado quase todos os projetos do Executivo na assembleia legislativa (Alesp), que presidiu por quatro anos. Na semana passada, arriscou caminhada em Santa Isabel. Até então, quase não tinha tido eventos sem o governador.
Nas redes, procura colar nas imagens de Flávio e Eduardo, de modo a isolar o deputado federal Ricardo Salles (Novo), bolsonarista que concorre de modo independente.

