O início da campanha ao governo de São Paulo terá no domingo uma semelhança e uma diferença entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), principais candidatos ao Palácio dos Bandeirantes. Enquanto o petista estará ao lado de Lula, em ato no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, local dos primeiros comícios do presidente na década de 1970, o governador não terá a companhia de Flávio Bolsonaro, candidato ao Planalto pelo PL, em evento em Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo.
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Berço político do PT, o ABC paulista — cinturão de cidades que cerca a capital — atualmente é dominado pela direita. Nesta semana, Tarcísio se reuniu com 37 prefeitos da região metropolitana, que é composta por 39 cidades, para ampliar a mobilização em torno de sua candidatura. Só estiveram ausentes o prefeito de Mauá, Marcelo Oliveira (PT), e o de Cotia, Welington Formiga (PDT). Boa parte desses prefeitos estará em Osasco, mas a lista de presentes não está concluída.
No mesmo horário do ato de Tarcísio, às 10h, Flávio começa sua campanha na Praia de Copacabana, no Rio. A costumeira ausência de Flávio nas agendas públicas de Tarcísio — o último encontro foi em 1º de agosto, na convenção do Republicanos — já é explorada pelos adversários. Nos últimos dias, Haddad afirmou que Tarcísio “foge de Flávio”.
— Eu não tenho o problema que o Tarcísio tem, de tentar me afastar do candidato a presidente. Quem tem problema com o candidato é o Tarcísio, que não mencionou o nome do Flávio Bolsonaro uma única vez no debate da Band — disse Haddad, durante sabatina da RedeTV!.
O pontapé inicial da campanha de Tarcísio pegará carona no evento de um aliado: o candidato a deputado estadual Rogério Lins (Podemos), prefeito de Osasco entre 2016 e 2024. O encontro será no Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região (Sindmetal) e espera 3 mil pessoas. Estarão presentes o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e os candidatos ao Senado André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP).
Lins teve, mês passado, parte dos bens bloqueada pela Justiça Federal em ação de improbidade administrativa que investiga fraudes na Saúde no período em que ele era prefeito. Segundo a denúncia, diárias de ambulâncias eram pagas a mais, em superfaturamento que passou de R$ 1 milhão. Em 2016, ele chegou a ser preso, ainda como vereador, sob a acusação de ter contratado funcionários fantasmas para seu gabinete. Procurado, Lins não retornou.
Outro motivo para a escolha de Osasco para o início da campanha tem a ver com a eleição de 2022. Na ocasião, Tarcísio perdeu para Haddad no município. Foram 209.851 votos para o petista, contra 207.158 para o governador.
Depois de Osasco, Tarcísio irá a um evento da Canção Nova, grupo ligado à Igreja Católica, no Ginásio do Ibirapuera, na Zona Sul. Chamado de Canção Nova Abraça São Paulo, o encontro está na 19ª edição e deverá receber 15 mil pessoas. Ricardo Nunes, que é católico, assim como Tarcísio, também estará presente.
Evento em São Bernardo
Haddad abre a campanha junto a Lula num comício no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. O encontro tem sido divulgado pelo PT como o mote “onde tudo começou”, em referência às greves lideradas por Lula no ABC quando era diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, em 1979, antes da fundação do partido. A ideia é destacar a “biografia” do petista e a conexão com os trabalhadores. Segundo a assessoria de Lula, são esperadas 20 mil pessoas.
No dia seguinte, a primeira agenda própria de Haddad será um aceno ao eleitorado feminino. A partir das 10h30, na Praça da República, Centro da capital, o candidato participará da “Caminhada das Mulheres com Haddad”, ao lado de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), que concorrem ao Senado. Interlocutores da campanha explicam que a intenção é mostrar uma suposta “discrepância de gênero” com o grupo de Tarcísio.
O desempenho do ex-ministro nas pesquisas eleitorais destoa, neste momento, em relação a Lula, seu padrinho político. No Datafolha de 5 de julho, Haddad marca 30% das intenções de voto no primeiro turno contra o governador Tarcísio de Freitas, que aparece com 42%. Lula, por sua vez, pontuou 40% no 1º turno, e Flávio Bolsonaro teve 32%.
— Estamos muito tranquilos em relação a isso porque, óbvio, o Haddad é menos conhecido que o presidente Lula. É natural que uma pesquisa a essa altura do campeonato, onde as pessoas estão mais desmobilizadas, sobretudo na eleição a governador, tenha um delay entre um voto e outro. Basta a campanha começar e veremos um atrelamento repentino — diz o presidente estadual do PT, Kiko Celeguim, coordenador de campanha de Haddad.
Os petistas ressaltam ainda o resultado da performance de siglas menores de esquerda, como PSTU, PCB e UP no Datafolha. Juntas, elas somaram 13 pontos percentuais na mesma pesquisa, o que apontaria para uma possível migração de votos a Haddad.

